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Depois de seis anos sem novas corretoras na bolsa de valores, a Toro Investimentos é credenciada e inova na cobrança de taxas de corretagens para atrair mais clientes pessoas físicas do varejo para o mercado de ações.

A novata da B3 é originária da fintech de educação financeira e análise Toro Radar e pretende conquistar 500 mil clientes nos próximos 12 meses com um modelo “ganha-ganha” nas tarifas cobradas. “Se o cliente tiver prejuízo com ações, não paga nada de taxa de corretagem, e se ele tiver ganho, a cobrança será de 10% dos lucros”, explicou o sócio-fundador da Toro Radar, Gabriel Kallas.

Em outras palavras, se a pessoa física comprou R$ 1 mil em papéis da Petrobras, e obtiver um lucro de R$ 100, a taxa de corretagem será de R$ 10 na venda das ações. “A cobrança será no final, não importa se ficou um dia, um mês, um ano ou 10 anos conosco”, esclareceu Kallas.

Ele contou que clientes mais experientes que estavam na base de 50 mil usuários da Toro Radar que não desejarem migrar para o modelo “ganha-ganha” voltado para o varejo, podem ficar no modelo tradicional. A maioria das corretoras cobra por ordem de entrada e pela ordem de saída de um ativo, e algumas ainda cobram uma taxa de custódia mensal, ou seja, pela guarda dos papéis. “Não cobraremos taxa de custódia em ações, nem na renda fixa – CDBs, LCIs, LCAs. No Tesouro Direto, só repassamos a taxa cobrada pela B3 (0,3% ao ano)”, detalhou o executivo.

Kallas acredita que o novo modelo de corretagem tende a simplificar o entendimento dos futuros clientes. “No Brasil, só 0,3% da população [700 mil pessoas] investe em bolsa. Nos demais emergentes, a média é de 5% da população. O potencial é de 10 milhões de pessoas investindo em renda variável, isso passa por educação financeira”, identificou.

Questionado sobre como aproveitar uma parte desse potencial, Kallas respondeu que 1 milhão de pessoas estão cadastradas na Toro Radar, e que o site de educação financeira recebe 3 milhões de visitantes.

“A maioria das pessoas físicas não consegue usar um home broker [programa de compra e venda de ações], nós desenvolvemos uma plataforma interativa em que se pode investir em um clique. O home broker até deve continuar a existir [para profissionais], mas não é voltado para a maior parte das pessoas”, diferencia.

Na demonstração da plataforma interativa realizada ontem na sede da B3, em São Paulo, de fato, o visual foge do padrão conhecido de home-broker disponível nos concorrentes, em que o cliente precisa do código do ativo para inserir uma ordem de compra ou de venda. “É de simplicidade que precisamos para democratizar esse mercado”, disse.

Outra forma educativa utilizada na plataforma é a de informar claramente o risco, tanto o potencial de ganho em um determinado ativo como qual pode ser o prejuízo. “A pessoa vê qual é o risco; o algoritmo também aponta qual o prejuízo aproximado”, demonstrou.

Dito de outra forma, o sistema combina análises técnicas e fundamentalistas para mostrar aos aplicadores o potencial de ganhos e perdas de um investimento em ações. “Somos uma casa de análise, nossa equipe acompanha 180 papéis”, contou o executivo.

Além do segmento de renda variável, a Toro Investimentos vai disponibilizar produtos de renda fixa. “Para dar segurança de poupança, os produtos com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC)”, disse.

Na renda fixa, a novidade é o “market-place” para resgate antecipado. “Se a pessoa entrou num CDB de 3 anos e ocorreu uma emergência vai fazer o resgate antecipado com um deságio”, garantiu Kallas.

Aporte de R$ 60 milhões

O grupo de sócios-investidores da Toro aportou R$ 50 milhões no desenvolvimento da plataforma interativa e mais R$ 10 milhões para ser credenciada como corretora, sendo R$ 7 milhões em garantias e outros R$ 3 milhões para completar o patrimônio mínimo de R$ 10 milhões exigido pela B3.

“Em março de 2017, tivemos uma rodada de R$ 46 milhões com um grupo de investidores, e depois, R$ 66 milhões ao todo. Mas a maior parte [do capital social] está na mão dos sócios-fundadores”, contou.