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O uso de cartões pré-pagos por brasileiros no exterior cresceu 55% em dezembro de 2017 contra igual mês de 2016. Com tendência de alta ainda maior para 2018, movimento foi impulsionado pela recuperação econômica e pela maior estabilidade do câmbio.

De acordo com o CEO da Acesso, Paulo Kulikowsky, o crescimento dessas despesas internacionais com plásticos pré-pagos acontece, não apenas nos picos sazonais normais de férias, mas ao longo de todo um ano.

“Os brasileiros estão consumindo mais em geral e isso tem favorecido o segmento. Não só o uso dos cartões no exterior avançou 55%, mas a base de clientes também cresceu na mesma proporção”, avalia o executivo, reforçando que um fator motivacional é também a facilidade do cartão pré-pago, como o maior controle de gastos, a agilidade na recarga e também a possibilidade do uso do cartão para várias moedas estrangeiras diferentes.

“Nos picos sazonais, o crescimento é ainda maior por causa disso. Em julho de 2017 contra o mesmo mês de 2016, por exemplo, a alta chegou a 130%”, acrescenta.

Nessa linha, os reflexos foram positivos não apenas nas compras internacionais, mas no ambiente doméstico.

De acordo com os últimos dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o volume dessas despesas com cartões de crédito chegou a R$ 7,477 milhões no terceiro trimestre de 2017, avanço de 26,7% em relação a igual período do ano anterior, de R$ 5,902 milhões.

“A recuperação gradativa, que estamos vendo no País desde o segundo semestre de 2017, acaba influenciando bastante na decisão de gastos dos brasileiros. O número de viagens, por exemplo, também está atrelado ao aumento da confiança que veio com a estabilização do ano passado”, diz o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) George Sales.

Ao mesmo tempo, apesar de parte do aumento estar associada à melhora do País, com arrefecimento do desemprego e retomada da renda e dos indicadores econômicos, porém, a maioria do avanço está relacionada à menor volatilidade do câmbio em relação ao observado em 2016.

Segundo dados do Banco Central (BC), o dólar encerrou o ano passado dentro dos prognósticos do Relatório Focus (em R$ 3,31 dos R$ 3,30 previstos pelos analistas). Por outro lado, têm uma projeção pouco volátil para o fim de 2018, a R$ 3,35.

“O dólar não teve grandes variações nos últimos meses e isso deixa as pessoas mais tranquilas para fazer compras no exterior e em sites de lojas internacionais. Isso é algo que deve crescer ainda mais neste ano”, analisa Kulikowsky.

Ainda de acordo com informações do BC, os gastos totais dos brasileiros no exterior – não apenas com o uso do plástico – alcançou os US$ 1,595 bilhão em novembro.

O número corresponde a um aumento de 32,5% em relação ao observado em 2016 (de US$ 1,204 bilhão) e representa, ainda, o maior volume de despesas para o período desde 2014.

“O câmbio, que subiu muito em 2016, refreou um pouco da volatilidade em 2017 e abriu espaço para as compras internacionais”, completa Sales.

Volatilidade

Apesar da tendência positiva, o uso dos cartões para gastos internacionais ainda é pouco perto do volume total – menos de 10% – e bastante influenciável pelos possíveis acontecimentos macroeconômicos e políticos deste ano, com as discussões em torno das reformas e da eleição de 2018.

“Não necessariamente a recuperação econômica em si, mas a confiança internacional no País e a consequente variação do dólar em 2018 podem acabar influenciando este número, sim. A expectativa, porém, é que com a estabilização e confiança do consumidor, o número continue apresentando aumentos significativos”, conclui Kulikowsky.