História da Gucci: moda, assassinato e intrigas na grife italiana

Brigas entre primos, compra secreta de ações, venda da marca e até assassinato estão entre os fatos inacreditáveis que marcaram a história da Gucci

A história da Gucci vai além de uma grife que começou como uma modesta loja de malas em Florença, na Itália, e se transformou em uma multibilionária marca de luxo. Desentendimentos entre os filhos, tios e sobrinhos do clã Gucci acabaram abalando a trajetória da casa de moda que acabou sendo comprada por investidores internacionais na década de 90.

Mas nenhuma briga em família manchou tanto a história da Gucci quanto o assassinato de Maurizio Gucci em 1995. Um matador de aluguel foi contratado para atirar no executivo de 46 anos em plena luz do dia. Maurizio foi morto com três tiros nas costas na manhã do dia 27 de março ao chegar em seu escritório na via Palestro, em Milão.

Foto de Maurizio Gucci antes de ser morto em meados da década 90. Foto: Reprodução/Pinterest

Assassinato de Maurizio Gucci

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A audácia do crime em um dos endereços mais chiques da capital da moda fez a “polizia” italiana investigar não só os membros da família Gucci, mas as conexões de Maurizio no mundo dos negócios. Afinal, todos sabiam que na história da Gucci não faltavam brigas entre os herdeiros.

Logo, autoridades descobriram que a ex-mulher do executivo, Patrizia Reggiani, também não morria de amores por ele. Mas odiar o ex-marido e cometer assassinato são duas coisas bem diferentes.

Dessa forma, a suspeita decaiu sobre diversos membros da família. Afinal, muitos queriam ver Maurizio morto. Foi o executivo que, depois de passar a perna nos tios e nos primos, ficou com o controle completo da empresa no início da década de 90. Entretanto, sem evidências, o crime ficou sem solução por quase dois anos.

Patrizia Reggiani no velório do ex-marido/Foto: Reprodução/Pinterest

Brigas da família Gucci

O fundador Guccio Gucci, começou a trabalhar com couro no início dos anos 1920, fazendo selas e acessórios para cavalgar. Mesmo quando o negócio evoluiu para malas e bolsas, ele nunca imaginou que a Gucci se tornaria símbolo de luxo e sofisticação.

Logo, seus filhos Aldo, Vasco e Rodolfo logo entraram na empresa, expandindo a marca para toda a Itália e, também, outros países da Europa. Em 1953, apenas poucos após a inauguração da primeira butique da Gucci em Nova York, Guccio faleceu.

Abertura da loja da Gucci em 1’953 em NYC/Foto: Reprodução Museo Gucci/Pinterest

O patriarca da família perdeu a era de ouro da marca, quando celebridades como Jackie Kennedy e Elizabeth Taylor passaram a ostentar bolsas da grife. Produtos marcados com os dois “Gs” em uma faixa vermelha e verde. E que agregavam design e moda, como a famosa handbag com alças de bambu.

Nos anos 60 e 70, os netos de Guccio Gucci também se envolveram na marca. Então, foi aí que tudo saiu de controle. Afinal, cada um deles também queria para si as decisões da empresa. E foram muitos episódios de telefones quebrados, gravadores arremessados, socos e pontapés. Todos narrados no livro de Sarah Gay Forden, “A Casa Gucci: uma história sensacional de assassinato, loucura, glamour e ganância”.

Gucci em 1951: loja de malas que virou grife de luxo/Foto: Reprodução/Museo Gucci/Pinterest

Quem é dono da Gucci?

A Gucci faturava mais que nunca, mas não tinha aquele conceito de estilo e lifestyle idealizado pelo seu fundador. Até que Maurizio Gucci, filho único de Rodolfo, comprou as ações dos parentes em segredo e assumiu o controle da marca em 1992. Tudo isso ao lado da mulher, Patrizia, que adorava ser conhecida no jet set como “signora Gucci”.

Mas em pouco tempo, ele percebeu que resgatar a aura de luxo da Gucci não seria nada fácil. Então, cortar licenciamentos e produtos mais baratos afetou diretamente as finanças da grife. Tanto que Maurizio precisou vender sua participação para o grupo árabe Investcorp apenas 18 meses antes de morrer. A Gucci já não pertencia mais a nenhum Gucci.

Maurio Gucci e Patrizia Reggiani/Foto: Reprodução/Pinterest

Quem matou o herdeiro da Gucci?

Dois anos depois da trágica morte de Maurizio Gucci, uma denúncia levou à prisão de quatro pessoas. Entre elas, o atirador, Benedetto Ceraulo, a vidente e amiga do ex-casal, Pina Auriemma, além da mandante do crime. Foi aí que Patrizia Reggiani ganhou o título de “vedova nera” – a viúva negra. Após chorar junto ao caixão de Maurizio e consolar as duas filhas deles, Alessandra e Alexia, ela foi acusada de mandar matar o marido.

O julgamento foi um circo midiático, que lembrou os anos áureos do casal, quando ela e Maurizio Gucci viviam nas colunas sociais. Eram como a realeza da Itália. Patrizia negou o envolvimento no assassinato mas, entre as provas, estava seu diário com anotações bem comprometedoras. O resultado foi uma pena de 26 anos de prisão.

Mas, eventualmente, ela saiu da cadeia por bom comportamento em 2013. contudo, muito se especula o que levou Patrizia a encomendar a morte do marido. Há quem diga que ela ficou furiosa com o divórcio, outros que ela não aceitou a venda da empresa e a perda do status de ser a dona da Gucci. Ciúmes da namorada do ex, Paola Franchi, também podem ter motivado a socialite.

“GG” entrelaçado da marca Gucci/Foto: John Tuesday/Unsplash

Gucci de Tom Ford, Gucci de Michele

Na época, a última coisa que os novos donos queriam era um escândalo. Entretanto, o assassinato coincidiu com um revival da marca em meados dos anos 90, com a direção criativa de Tom Ford. Foi ai que história da Gucci convergiu para a grife que conhecemos hoje – e que estava nos sonhos de Maurizio Gucci.

Atualmente, a Gucci pertence ao grupo francês Kering, que também é dono de outras marcas como Saint Laurent, Balenciaga, entre outras. Em 2019, a grife teve um dos maiores lucros da história da Gucci, com aumento de 16,2% no faturamento de 9,62 bilhões de euros. Certamente graças às coleções do atual diretor criativo, Alessandro Michele.

Lady gaga viverá a “vedova nera” no cinema/Foto: Reprodução/Pinterest

Lady Gaga na história da Gucci

Assim, o vexame que a família sempre quis abafar vai virar filme em Hollywood. Pelo menos é isso que a mídia anda especulando. Recentemente, saiu a notícia de que ninguém menos que Lady Gaga fará o papel da “vedova nera” Patrizia Reggiani em um longa metragem dirigido por Ridley Scott.

De acordo com o site Deadline, além da cantora, o filme também contará com atores vencedores do Oscar, como Robert de Niro e Jared Leto. O enredo se baseia no livro de Sarah Gay Forden, que conta a história da Gucci e todas as intrigas da família que culminaram com a morte do herdeiro.

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