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Artistas de NFT se unem para ajudar site de notícias russo Meduza

81 artistas da Rússia, Ucrânia, Bielo-Rússia e do Cazaquistão farão leilão de arte digital após pressão do governo sobre site
Escrito por João Gusson
Publicado em
Atualizado em
matéria fala sobre artistas que farão leilão de NFTs para ajudar jornalistas russos
Ilustração: Arquivo

Alguns artistas se juntaram em uma iniciativa para ajudar a Meduza, um importante meio de comunicação russo que recentemente foi pressionado pelas autoridades do país, e estão lançando um leilão de arte digital com NFTs. Com apoio de dois grupos de artistas, o NFT Bastards e o Non-Fungible Females, o leilão foi anunciado pela Meduza, na terça-feira, 25. Ao todo, 81 artistas da Rússia, Ucrânia, Bielo-Rússia e do Cazaquistão participarão da criação de duas colagens, compostas por videoclipes e fotos dedicadas ao veículo de comunicação. Os NFTs serão disponibilizados na plataforma Rarible, na quinta-feira, 27.

A artista moscovita Sasshhaaaart, idealizadora do projeto, disse, em entrevista ao CoinDesk, que a ideia de reunir artistas para a ação surgiu após saber que a Meduza iniciou uma arrecadação de fundos depois de ser designada como ‘agente estrangeiro’,  rótulo que trouxe prejuízos financeiros e à reputação do canal. Segundo Sasshhaaaart, a censura é preocupação constante no país, compartilhada principalmente entre jornalistas e artistas. 

Leilão de NFT ajudará o site Meduza

“Não é normal quando um pintor, um artista, um músico, um escritor ou um jornalista tem medo de se expressar. Ninguém quer que uma marca sombria seja colocada em seu nome e depois seja perseguido”, disse a artista.

O editor-chefe da Meduza, Ivan Kolpakov, admitiu que a ideia não foi do veículo e agradeceu pelo engajamento dos artistas. “Depois de sermos considerados um agente estrangeiro, no dia seguinte, os artistas do NFT entraram em contato conosco por meio de todos os canais possíveis. É como um feixe de luz no escuro”, avaliou. 

A imputação de agente estrangeiro foi dada à Meduza pelo Ministério da Justiça da Rússia em abril. A equipe editorial informou aos leitores que o rótulo ameaçador espantou os anunciantes e obrigou o veículo a cortar drasticamente as despesas, incluindo o salário dos jornalistas. 

“Perdemos todos os nossos clientes de publicidade em uma semana, nosso plano de receita anual foi para zero de uma vez”, disse Kolpakov. “E então a arrecadação de fundos começou”, completa.  

No final de abril, a Meduza lançou doações em dinheiro e criptoativos, tornando-se um dos poucos meios de comunicação na Rússia que usa criptomoedas. A iniciativa foi positiva e, em menos de um mês, o veículo recebeu várias doações, alcançando perto de 0,88 bitcoins e 22 ETH no total, o equivalente a aproximadamente US$ 96,5 mil, na cotação desta quarta-feira, 26.

João ja atuou como minerador de Bitcoin por dois anos e integrou equipes de tecnologia voltado para a digitalização do dinheiro para atender demandas do e-commerce.