Conheça a história da urna eletrônica e como ela foi pensada

Apenas no ano 2000 a votação foi totalmente informatizada no país e os equipamentos eletrônicos distribuídos no território nacional. Antes, os votos eram feitos à mão para escolha dos candidatos.

A urna eletrônica é usada no Brasil para votação e computação dos votos durante as eleições. O equipamento surgiu em 1996 no país. Embora o Brasil tenha sido um dos primeiros a se arriscar, segundo o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Social (IDEA Internacional), 23 países usam urnas com tecnologia eletrônica para eleições gerais e outros 18 utilizam em pleitos regionais. Dentre eles, França, Canadá, Japão e Estados Unidos. Mas você sabe como a urna eletrônica foi criada e por quê? Confira a história da urna eletrônica.

História da urna eletrônica: Votações no Brasil

A Justiça Eleitoral esteve a frente dos projetos para implementar a opção digital. A ideia era tornar a votação e a apuração mais ágil e eficaz. Pois antes da urna eletrônica, o eleitor tinha que preencher as cédulas a mão e a contagem de votos era feita por várias pessoas e, por isso, demorava dias. Nas eleições informatizadas, o resultado sai do mesmo dia da votação. Além disso, a ideia de criar a urna eletrônica visava, também, o sigilo e a inviolabilidade das eleições.

Desde 1932, existe a ideia tornar a votação mais informatizada. Contudo, embora houveram tentativas, nenhuma conseguia suprir as necessidades para a nova urna ser oficializada.

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Secretário de tecnologia do TSE, Giusepe Janino e as urnas
Giuseppe Janini (Foto: TSE)

Em 1985, a ideia teve seu ponta pé inicial e mais certeiro, quando a Justiça exigiu o cadastro único e automatizado dos eleitores. O que evitaria fraudes, pois antes não havia registro do eleitorado. Na época, o país tinha cerca de 70 milhões de eleitores. A partir daí, criou-se uma comissão dentro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para trabalhar na programação da urna. O grupo era composto por três engenheiros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um do Exército, um da Aeronáutica (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA), um da Marinha e um do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD).

A equipe teve o apelido de “Os ninjas”, por três terem ascendência japonesa e comportamento misterioso. O representante do time era Giuseppe Janino, atual secretário de Tecnologia da Informação do TSE.

História da urna eletrônica: primeiro ano de votação

Após quase 10 anos de pesquisas e estudos, em 1996, os votos de mais de 32 milhões de brasileiros, um terço do eleitorado da época, foram coletados por mais de 70 mil urnas eletrônicas produzidas para aquelas eleições. Participaram 57 cidades com mais de 200 mil eleitores, entre elas, 26 capitais (o Distrito Federal não participou por não eleger prefeito). Já no ano de 2000, as urnas eletrônicas chegaram em todo o Brasil e a eleição foi totalmente informatizada, como acontece nas votações atuais.

Como a urna foi pensada

Teclado da urna eletrônica
Teclado da urna eletrônica (Foto: Lucas Ruiz Folhapress)

Em entrevista para o TSE, Janino ressalta o fato de a urna eletrônica ter sido criada para a realidade brasileira. “Foi uma solução desenvolvida para a nossa necessidade, não foi uma solução importada. Nós não fomos ao mercado adquirir alguma solução para a automatização do voto. Desenvolvemos internamente o projeto. Essa solução tem o diferencial de servir exatamente para as nossas necessidades e se encaixar exatamente na nossa realidade”, explica.

O teclado da urna lembra um telefone, isso foi pensado para tornar o processo intuitivo e fácil para a população. Existem os números para digitar a legenda dos candidatos e as teclas: branco para votar em branco, verde para confirmar e laranja para corrigir. Esse tipo de teclado serviu para viabilizar o voto de analfabetos também.

Fake news sobre as urnas

Contudo, mesmo tendo sido uma opção promissora e ágil, ainda há quem desconfie da credibilidade e segura das urnas eletrônicas e dissemina informações falsas. Veja algumas fake news sobre:

  • Urna facilmente fraudável: existem boatos que o sistema da urna pode ser facilmente acessado e, portanto, fraudado. Mas não há provas de que já tenha ocorrido alguma fraude e o TSE garante a segurança do equipamento, pois foi desenvolvida para ser um equipamento isolado de rede. Por isso, não há qualquer comunicação com rede como wifi ou rede física.
  • Foi criada na Venezuela: fake news disseminada alegando que o sistema eleitoral brasileiro poderia ser fraudado pelo governo da Venezuela. Pois a fabricante das urnas, Smartmatic, foi fundada nos Estados Unidos por venezuelanos. Ainda circulou a informação de que a empresa seria venezuelana. Mas ela foi criada nos Estados Unidos e atualmente é britânica.
  • Só três países utilizam a urna eletrônica: em 2018, foi criada uma fake news alegando que apenas três países usam a urna eletrônica Brasil, Cuba e Venezuela, o que seria uma alegação de que apenas ditadores a usariam para fraudes. O que foi desmentido, países como Japão e Suíça, países com democracias consolidadas, por exemplo, também a utilizam.
  • Nas eleições de 2018, muitos boatos foram disseminados sobre a votação. Alguns vídeos alegando que ao momento que se apertava o número 1, automaticamente, o 3 aparecia e o voto era computado para o candidato Fernando Haddad. Mas o TSE garantiu que os vídeos que circulavam nas redes eram falsos.

O site do site TSE criou uma plataforma chamada iniciativa do TSE em parceria com diversos agentes para combater as fake news disseminadas e a desinformação. A iniciativa julga fatos de diversos tipos e as urnas costumam ganhar destaque em época de eleições.

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