Covid-19: as vacinas são eficazes contra mutações que surgirem?

Essa semana uma variante apareceu no novo coronavírus no Amazonas. Entenda se as mutações refletem nas vacinas da Covid-19

Enquanto as vacinas da Covid-19, CoronaVac e de Oxford/AstraZenea, aguardam o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa para imunizar a população brasileira, muitas dúvidas surgem a respeito das mutações que aparecem no coronavírus. Especialistas garantem que quase todas as mutações existentes até hoje conseguiram imunizar a vacina.

Uma nova variante do novo coronavírus foi encontrada em brasileiros que embarcaram no Amazonas rumo ao Japão. As mutações achadas no vírus, até então inéditas, criaram o que será uma provável nova linhagem brasileira.

A dúvida sobre a eficácia das vacinas da Covid-19 surgiu porque a nova linhagem apresentou duas importantes mutações simultâneas na proteína Spike, responsável por ligar o vírus às células humanas.

É normal surgir mutações na vacina da Covid-19?

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De acordo com o infectologista Marco Antonio Cyrillo, que atua na direção do Hospital do Instituto de Gastroenterologia de São Paulo – Igesp, é normal o vírus mudar. Essas novas mutações que surgem fazem parte e as vacinas são capazes de imunizar. “Já houve outras mutações em suas proteínas, mas não suficientes para impedir a resposta da vacina; a estrutura geral da proteína Spike se manteve, portanto, elas não mudaram ao ponto de a vacina não ser eficiente contra elas”, disse o infectologista ao Uol.

Até dezembro de 2020, apareceram 19 linhagens do novo coronavírus. Uma das mutações presentes na nova linhagem identificada no Reino Unido no final de 2020, por exemplo, havia chegado ao Brasil em abril.

Ainda de acordo com o infectologista, em média, o vírus sofre duas mutações nos aminoácidos e, segundo ele, os laboratórios já estão preparados. “Ao criar vacinas, eles anteveem essas modificações. Claro que não dá para prever as mutações exatas, mas, como elas não são grandes o suficiente para transformar radicalmente o vírus, o sistema imune vai reconhecer o vírus depois de tomar a vacina e produzir anticorpos suficientes para proteger a população”, diz Ciryllo.

As vacinas disponíveis no Brasil, são eficazes?

Nem sempre. De acordo com a professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – Ufcspa, Cristina Bonorino, quanto mais o vírus circular e mais ele tiver infectando as pessoas, mais ele muta. “Cada hospedeiro novo funciona como uma pressão para que ele ache mecanismos (refletidos em mutações) para se replicar, apesar das defesas do hospedeiro”, diz. “Como cada pessoa é diferente na sua capacidade de lidar com um mesmo vírus, isso é um processo infinito”, diz a professora ao Uol.

Já para a imunologista da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia – Asbai, Ana Marinho, todas as vacinas disponíveis em fase 3 e já aprovadas fora do Brasil têm como foco principal a proteína Spike e apenas a resposta imunológica é maior que a produção de anticorpos para essa proteína. “O que precisamos agora é conhecer melhor essa variante: ela vai causar doença mais grave, aumentará a disseminação?”, afirma a Marinho.

 

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