Com a vacinação contra covid, o uso de máscara vai até quando?

Item ainda é considerado essencial, mesmo para quem está imunizando contra o coronavírus

O uso de máscara vai até quando? Para especialistas em saúde, é impossível prever com precisão, mesmo com avanço da vacinação. No entanto, autoridades governamentais já estudam uma data em que esse item, essencial para reduzir danos da pandemia de covid, deixará de ser obrigatório no Brasil.

O médico infectologista Rodrigo Nascimento, ouvido pelo DCI, acredita que somente os órgãos de vigilância epidemiológica poderão dizer se é, ou não, o momento certo para deixar de utilizar as máscaras.

Em algumas cidades brasileiras, por exemplo, há uma espécie de previsão para remover essa restrição. No Rio de Janeiro, o prefeito da cidade, Eduardo Paes (PSD), disse que isso poderia acontecer dentro de 15 dias, em lugares ao ar livre.

O uso de máscara vai até quando?

Segundo o médico Rodrigo Nascimento, a campanha de vacinação tem sido responsável por reduzir os casos da doença, até mesmo no hospital em que atende, os pacientes infectados têm aparecido com uma frequência muito menor. Portanto, muitos já querem acabar com o uso de máscara.

Nascimento ressalta que a vacinação é essencial para reduzir os casos graves da doença. Vale lembrar que os imunizantes têm maiores taxas de eficácia para os casos graves da covid. Dessa forma, a recomendação dele é que mantenha a imunização em dia.

Conforme dados das secretarias estaduais de Saúde, compilados pelo Brasil.io, houve uma redução de 79% na média de quantos casos novos eram registrados por dia. Essa comparação, feita pelo DCI, considera os dias 5 de outubro (cerca de 16 mil casos por dia) e a data recorde da pandemia, 23 de junho (quase 79 mil infectados por dia).

Entretanto, mesmo com a redução, o médico entende que ainda não é o momento ideal para abandonar as máscaras. Isso ocorre já que ainda há centenas de mortes pela doença e milhares de casos. Segundo o Ministério da Saúde, menos de 50% da população brasileira se imunizou.

Nascimento explica que esse tipo de doença, como a covid-19, se contrai por meio da respiração. Assim, a máscara é o principal equipamento para reduzir a chance de se infectar. “As máscaras são necessárias para impedir transmissão de doenças que passam por via aérea, pelo ar. Como tuberculose, algumas outras doenças, meningite meningocócica, e assim por diante, que necessitam de precaução.”

 

Usar máscara é obrigatório?

O Congresso Federal aprovou lei que torna obrigatório o uso de máscaras no Brasil. No entanto, até hoje, ninguém foi preso por não utilizar o item. Conforme a Procuradoria Geral da República (PGR), somente multas foram aplicadas, em alguns contextos, de forma a proteger a população.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, chegou a afirmar em live nas redes sociais que não queria que fosse compulsório. Segundo ele, havia uma “mania de querer criar lei para tudo”.

Um projeto de lei, apresentado pelo deputado federal Heitor Freire (PSL-CE), queria acabar com a obrigatoriedade, . Mas, não foi aprovado.

Afinal, o uso de máscara vai até quando?

Ou seja, pela lei, o uso de máscara vai até quando? Para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), segue obrigatório até 31 de dezembro deste ano. Segundo ele, depois disso, será feita uma análise para verificar se continua ou não. Assim, até esse momento, quem descumprir a regra está sujeito a multa. No Brasil, a legislação segue sem mudanças.

Os EUA chegaram a anunciar o fim do item de proteção, mas algumas regiões tiveram novos picos de covid. Assim, voltaram atrás em relação a exigência. Outros países como Israel chegaram a deixar de usar essa medida, e por lá os casos cresceram de novo.

“Ainda está cedo. É preciso esperar mais um pouquinho esperar os órgãos de governo bater o martelo. Cada município tem sua realidade”, diz o médico infectologista Rodrigo Nascimento.

Quais os riscos em não usar?

Mas afinal, é possível, pelo menos, prever quando as máscaras não serão mais obrigatórias no Brasil? Para o médico, somente quando a infecção estiver totalmente reduzida, isso deverá acontecer. No entanto, isso ainda não ocorre, e deixar de usar o item oferece riscos à saúde.

“Somente quando os níveis de infecção, por qualquer doença dessas, de transmissão por via área, esteja diminuído, resolvido, não há necessidade de máscara. Quem bate esse martelo, quem chancela, são os núcleos de vigilância epidemiológica dos municípios, estados, e do Ministério da Saúde”, aponta. Vale lembrar que a decisão continua obrigatória.

Para ele, se usa máscara, quando o lugar passa por uma situação de risco de transmissão. Assim, se não tiver mais a pandemia, não é preciso. “A gente depende de questões estatísticas, e quem fornece isso são os núcleos governamentais. Se as vigilâncias dos órgãos de governo disserem que a gente está livre de infecção, a população inteira está imunizada, com pessoas com anticorpos neutralizantes, sem circulação e com embasamento científico, eles podem chegar e dizer que vai voltar a vida normal antes da pandemia.”

A máscara ainda é boa?

Segundo o médico infectologista, o uso de máscaras, até o momento, é importante para se proteger. Dessa forma, utilizar o item, sobretudo em lugares com aglomerações e em ambientes fechados, segue recomendado.

Para ele, se os governos ainda não anunciarem que a pandemia acabou, baseados em dados científicos, não é momento de acabar com os cuidados. “Se não se manifestarem, tem que usar máscara, evitar aglomeração, evitar lugares fechados, lavar a mão, usar álcool a 70%.”

Além disso, ele ressalta que a pandemia obrigou com que muitas pessoas adotassem novos hábitos de cuidado. Por exemplo, com o incentivo para que se faça uma boa higienização, boa parte da população começou a tomar esse cuidado. Nesse caso, diz, esse simples ato, de lavaras mãos com álcool em gel a 70% ou com água e sabão, muitas doenças, além da covid, têm menos chance de acontecer.

“Muitos hábitos que vieram com a pandemia são de grande importância. Principalmente a higienização das mãos. Ela evita uma infinidade de doenças, e a nossa população não era muito habituada a isso. Seria interessante que isso continuasse. Para que isso continue, deveria haver uma divulgação dos órgãos competentes, e assim por diante, para que isso continuasse, para que essa pratica não se perdesse, porque ela evita uma série de doenças”, preconiza.

Depois da pandemia, o uso de máscara vai até quando?

Em alguns países do mundo, a população já usava máscara, mesmo antes da pandemia de covid-19. Em territórios do continente da Ásia, por exemplo, pessoas usam a proteção por conta de ter muitos habitantes nas cidades, além da poluição.

“Nos países asiáticos como Coreia, Japão, em lugares da China, por conta da densa população, você tem uma concentração muito grande de pessoas. Em determinadas áreas, eles usam culturalmente, por conta da poluição e de muitas doenças respiratórias, alérgicas.”

No entanto, é impossível prever se o brasileiro vai aderir por mais tempo a máscara. O próprio médico infectologista acredita que o Brasil, dificilmente, adotará de forma cultural. “Acho que a gente não deverá continuar, se houver a resolução da doença. Se estivermos muito próximos do zero, muito provavelmente, vai deixar de existir.”

“Não pertence à nossa cultura, e as pessoas aqui se incomodam de mais com isso. Em alguns ambientes, a máscara parece ser utilizada apenas porque ela é obrigatória. Muitos usam sem saber o motivo”.

Importância da vacinação

Além disso, o especialista entende que a vacinação é uma das melhores formas de garantir uma proteção coletiva. Assim, cita como exemplo o vírus influenza (gripe), que tem vacinas aplicadas todos os anos nos públicos mais velhos. “São vacinas diferentes todos os anos. A que vacinou no próximo ano, são para as mutações virais.”

Por fim, o infectologista explica que novas cepas sempre podem surgir, já que o vírus tem capacidade de se alterar. Por exemplo, o novo coronavírus escolheu os seres humanos como seus hospedeiros. Assim, torna-se difícil prever o que deve acontecer nos próximos meses.

“Todas as variantes de covid que apareceram ate agora, são suscetíveis às principais vacinas que surgiram. Isso não impede que apareça uma variante que seja resistente a essas vacinas. Mas a vacinação já tem resolvido, vamos torcer para que continue assim”, finaliza.

Máscara N95 ou PFF2?

Muitos pesquisadores afirmam que as máscaras de melhores condições devem ser priorizadas pelas pessoas. Assim, torna-se necessário falar também sobre as N95 ou PFF2. Em geral, elas fixam melhor no rosto e impedem mais a chance de infecção. Mas você sabe qual é a diferença delas?

Em resumo, a sigla PFF2 é a do Brasil. Nos EUA, o mesmo equipamento é conhecido como N95. Em países europeus, é conhecida por FFP2. Além disso, em alguns lugares da Ásia, é chamada de KN95 – essa não é aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil.

A Peça Facial Filtrante (PFF2) é um Equipamento de Proteção Individual (EPI), sendo muito usada por profissionais de saúde. Ela costuma ter um poder de filtragem do ar maior que as máscaras cirúrgicas descartáveis (aquelas mais finas, compradas em grande quantidade).

Além disso, a população em geral também pode utilizar ela. Sobretudo em ambientes de alto risco de infecção, como transporte público, supermercados ou hospitais, por exemplo. Antes, recomendava-se deixá-las apenas a profissionais de saúde, mas a produção aumentou e agora há mais disponibilidade.

Os respiradores PFF2 devem cobrir nariz e boca, para vedar o rosto. Assim, impedem gotículas e aerossóis no ar, que podem estar infectados. Por fim, também reduzem infecção de bactérias, fungos e outros vírus.

Muitas podem ser compradas via internet, ou em lojas de material de construção, com unidades a partir de R$ 3. Assim, se tiver uma dessas, posicione os elásticos de forma bem firme, além de ajustar o clipe de metal que fica perto do nariz. Evite que tenha espaços que permitem a entrada de ar.

Elas podem ser reaproveitadas por mais de uma vez. Para isso, deixe-as descansando em local arejado (sem muito sol) por três a sete dias. No entanto, caso ela esteja rasgada ou com aparência velha, é melhor descartar. Mas atenção, não lave com álcool ou sabão! Se isso acontecer, elas perdem poder de filtragem do ar.

Por fim, recomenda-se a máscara cirúrgica de três camadas e prender a área próxima do nariz com esparadrapo para vedar melhor. Ou, usar uma máscara cirúrgica por baixo e uma de pano por cima, sempre conferindo a entrada de ar para respirar. Também, caso não tenha máscaras melhores, utilizar duas caseiras, de pano.

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