Veja quais são os mitos que a Aids e HIV ainda carregam

A doença da Aids é transmitida por diversas formas, podendo prejudicar a saúde de muitas pessoas, mas ainda gera muitas dúvidas

A vacina da covid-19 não causa o vírus da Aids, mas essa doença ainda levanta muitos questionamentos, mesmo estando há um certo tempo presente na vida de muitas pessoas.

Segundo o governo, cerca de 866 mil pessoas têm essa condição no Brasil. No entanto, a cada ano, aproximadamente 40 mil novos casos são registrados. O principal público infectado são os jovens. Além disso, muitos desconhecem que estão positivados e acabam espalhando a doença.

Qual a diferença entre HIV e Aids?

O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é diferente da Aids. Ou seja, não são a mesma coisa. No entanto, têm uma relação. O HIV é o vírus que causa a doença da Aids.

Desta forma, é como se fosse a mesma relação entre o coronavírus (vírus) e a covid-19 (doença). Um é o transmissor e o outro é a doença que se pode se desenvolver no organismo da pessoa. Outro exemplo parecido é o do flavivírus, que é o organismo que quando chega na pessoa, pode vir a gerar a doença da dengue.

Cada enfermidade tem suas características próprias. A covid, por exemplo, pode ser transmitida por vias aéreas (respiração, por exemplo) entre pessoas infectadas. Por isso a importância da máscara para reduzir a chance de infecção. Já o vírus da dengue é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

O que é o HIV?

É um vírus transmitido entre seres humanos, que pode vir a gerar a doença da Aids no organismo de uma pessoa. Muitos vivem com ele no corpo e conseguem ter uma vida comum. No entanto, é preciso ter alguns tipos de cuidados específicos e há um tratamento.

O que é a Aids?

Já a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) é o nome da doença, causada pelo vírus do HIV. Ela faz com que o corpo humano tenha menor imunidade para se proteger, naturalmente, contra outras doenças. Desta forma, alguém que tenha Aids e que contraia outra enfermidade, poderá vir a desenvolver um quadro muito pior.

O que causa a Aids?

O HIV ataca determinadas células específicas do sistema imune de uma pessoa. Estas que são as responsáveis por defender o corpo humano contra determinadas doenças. Por exemplo, quando pegamos gripe, geralmente nosso organismo consegue se recuperar, passados alguns dias de descanso e demais cuidados. Isso acontece por conta do sistema imunológico.

A covid, por exemplo, é uma doença em que muitos conseguem se recuperar também. Contudo, ela pode causar efeitos mais pesados, que levam a internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou até mesmo a morte. Assim, uma vacina anti-covid é capaz de aumentar a proteção (imunidade) do indivíduo para reduzir a chance de casos graves.

Contudo, o corpo dos humanos não consegue se livrar do vírus HIV e irá conviver com isso durante toda a vida. Entretanto, isso não significa que quem tiver esse vírus vai desenvolver a Aids, que é a doença. Desta forma, muitas pessoas conseguem viver normalmente. Assim, fazendo todas suas atividades sem qualquer problema, mesmo tendo HIV.

Existe cura para a Aids?

Até o momento, não. Nenhum remédio ou qualquer produto é capaz de curar alguém que tenha Aids. Além disso, o vírus HIV também não tem nenhum tipo de vacina capaz de impedi-lo de ser transmitido.

Contudo, é importante dizer que há tratamento para isso. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é possível fazer o tratamento da doença com uso de medicamentos “antirretrovirais”. Eles fazem um processo chamado de “supressão viral”. Isto é, reduzem a força do vírus. Desta forma, “a quantidade de vírus existente no organismo baixa ao ponto de se tornar intransmissível”.

A pessoa vivendo com HIV pode e deve, portanto, levar uma vida saudável, livre de preconceitos e estigmas […] o estigma e a discriminação relacionados ao HIV são um dos combustíveis da desigualdade e ainda hoje são a maior barreira de acesso a todas as tecnologias biomédicas disponíveis em território nacional”, diz a entidade mundial.

Desta forma, o tratamento feito por alguém serve para fortalecer o sistema imune e reduzir a quantidade do vírus, mas não totalmente. Assim, a recomendação é que o tratamento de alguém comprovadamente infectado comece antes dos sintomas aparecerem

O “coquetel” dessas medicações é composto por remédios antirretrovirais, como Efavirenz, Lamivudina e Viread. Tanto os exames quanto essas medicações são fornecidos gratuitamente pelo governo brasileiro, há décadas.

O que transmite a Aids?

Relações sexuais desprotegidas (entre pessoas de qualquer sexualidade, inclusive heterossexuais), troca de materiais cortantes ou que perfuram, assim como a não esterilização de materiais são algumas das principais formas de transmissão. Além disso, a mãe infectada pode passar para o filho, se não forem tomados os cuidados necessários.

A transmissão é feita por meio do sangue, sêmen ou fluídos vaginais infectados. Ou seja, o sexo sem proteção é uma das principais formas de transmissão. No entanto, ela não é a única. Assim, veja o que transmite o HIV e pode gerar a Aids:

  • Sexo oral, vaginal ou anal sem camisinha;
  • Uso compartilhado de seringa e agulha por duas pessoas ou mais;
  • Transfusão de sangue que esteja contaminado com o HIV;
  • O vírus também pode passar da mãe para o filho, durante a gravidez, parto ou amamentação, se a genitora; estiver infectada;
  • Instrumentos cortantes ou perfurantes, em geral, que não estejam esterilizados;

Quais são os sintomas da Aids?

Febre, cansaço, perda de peso, dentre outros sinais, são alguns dos principais sintomas que a Aids pode causar. Os principais aparecem em um período de 8 a 10 anos após a infecção pelo HIV. No entanto, alguns podem surgir antes, em cerca de duas semanas, se o sistema imunológico já estiver fraco e debilitado. Veja quais são os sintomas:

  • Febre intensa;
  • Candidíase na boca ou na genital;
  • Manchas vermelhas, bolinhas ou feridas na pele;
  • Diarreia, náusea e vômitos;
  • Dor de cabeça e forte dificuldade de concentração;
  • Suor durante a noite;
  • Inchaço dos gânglios linfáticos por mais de 3 meses ;
  • Dores na musculação e articulações;
  • Tosse prolongada e seca;
  • Cansaço (fadiga) ou perda de energia;
  • Perder o peso em pouco tempo.

Em geral, esses sintomas surgem quando o HIV está em grande quantia no corpo da pessoa, e as células de defesa têm pouca ação.

Como saber se posso estar com HIV

A forma de saber se a pessoa com suspeita está infectada com o HIV é fazendo um exame de sangue em um posto de saúde ou laboratório particular. Além disso, é importante repetir esse teste após 3 e 6 meses depois de ter feito sexo sem camisinha ou compartilhado seringa com alguém, mesmo sem sintomas, para garantir se não está com o vírus.

Como se prevenir da Aids?

Usar preservativo (camisinha) durante o sexo, usar seringas e agulhas descartáveis e luvas para mexer em feridas e líquidos corporais, são algumas das formas para se prevenir a Aids.

Além disso, é importante fazer o teste de sangue quando for fazer uma transfusão de sangue, para doação, por exemplo. Por fim, pessoas que estiverem infectadas com o vírus devem usar a medicação do tratamento para reduzir riscos de uma eventual transmissão. As mães infectadas também devem evitar amamentar os filhos.

A Aids mata?

A morte não ocorre diretamente pela ação do vírus. No entanto, a Aids provoca uma redução no sistema imunológico, e uma doença que seria leve ou assintomática pode se aproveitar disso e acabar gerando o óbito de um indivíduo.

“Só morre de Aids quem não trata ou quem não sabe que possui por falta de diagnóstico. A Aids não mata, mas a pessoa é atingida com deficiência no sistema imunológico, o que pode fazer surgirem doenças oportunistas”, diz o infectologista Juliano Molina, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em entrevista ao portal Uol.

Quando alguém tem Aids, fica imunossuprimido ou imunodeprimido. Assim, doenças oportunistas como hepatite, tuberculose, pneumonia ou toxoplasmose, por exemplo, costumam atingir com mais frequência esses pacientes.

Vacina da covid causa a Aids?

Recentemente, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido), mentiu que as vacinas contra a doença da covid-19 poderiam fazer com que os vacinados desenvolvessem com mais facilidade o vírus do HIV. Essa informação é falsa. Ou seja, a vacina da covid não causa a Aids.

De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), nenhum imunizante aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) provocam o desenvolvimento da HIV.

As formas de transmissão do HIV são bem conhecidas e detalhadas em literatura médica disponível e a vacina não é uma forma de transmissão

Além disso, a entidade afirma que tais vacinas são comprovadamente seguras e eficazes para controlar a pandemia de coronavírus.

Por fim, também é aconselhado que os pacientes que vivem com a doença e que tenham tomado a 2ª dose nos últimos 28 dias, procurem a dose de reforço, popularmente conhecida também como 3ª dose.

Em todos os municípios brasileiros, ela pode ser encontrada gratuitamente em um posto de saúde mais próximo de sua casa. Consulte o calendário da secretaria municipal de Saúde da sua cidade. “Também asseguramos que não há evidência científica de associação entre receber a imunização completa e ter mais risco para adoecer em decorrência da Aids”, explica a Unaids.

***A matéria foi elaborada com base em dados divulgados pelo Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com consultoria de um pesquisador em imunologia. Para mais informações, procure os órgãos oficiais de comunicação, como também ajuda médicos e demais profissionais especializados.

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