Geração solar distribuída não para de crescer no Brasil
Crescimento exponencial da geração solar distribuída aponta futuro promissor
A geração solar distribuída atinge 3GW de capacidade instalada no Brasil e aumenta a expectativa de maior avanço da penetração no mercado brasileiro. Ganham os consumidores, investidores, governos e o meio ambiente.
Foto: Getty Images
O setor elétrico brasileiro acaba de cruzar uma fronteira simbólica. A geração solar distribuída — aquela produzida pelos próprios consumidores, perto de suas casas ou empresas — atingiu a marca de 3 GW de capacidade instalada. O número, embora expressivo, é visto por especialistas apenas como o “primeiro passo” de uma transformação profunda que promete descentralizar a energia no país e empoderar o cidadão.
A Queda do Modelo Tradicional
O crescimento exponencial da fonte solar ameaça o modelo histórico de geração centralizada, baseado em grandes usinas distantes dos centros de consumo. A nova matriz aposta em resiliência e sustentabilidade, eliminando as perdas técnicas decorrentes do transporte de energia por distâncias continentais.
Dois fatores foram cruciais para essa aceleração:
- Redução de Custos: Nas últimas décadas, o preço dos equipamentos solares despencou cerca de 80%, impulsionado pela escala da manufatura global.
- O Surgimento do “Prosumer”: O consumidor deixou de ser um agente passivo para se tornar um produtor e gestor de sua própria energia.
Do Telhado ao Consumo Remoto
Embora a geração distribuída possa utilizar fontes como biomassa e eólica, a solar domina o cenário nacional com 99,8% das instalações. O Brasil, com um potencial de radiação que varia entre 1.550 a 2.350 kWh/m² ao ano, oferece o cenário ideal para essa tecnologia.
As “regras do jogo” amadureceram desde 2012, quando a Resolução 482 da ANEEL introduziu o sistema de net metering (créditos na conta de luz). Em 2015, novos avanços permitiram o autoconsumo remoto e a geração compartilhada, abrindo as portas para quem não possui telhado próprio ou não quer investir na compra de painéis, mas deseja economizar através de assinaturas de energia vindas de fazendas solares.
Incentivos e Impacto Econômico
O avanço é sustentado por uma rede de incentivos fiscais e linhas de financiamento. O governo federal e os estados oferecem isenções de PIS/COFINS e ICMS sobre a energia injetada na rede, enquanto municípios já começam a adotar descontos no IPTU para imóveis sustentáveis.
Os números da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) revelam a força do segmento:
- R$ 15,2 bilhões em investimentos acumulados desde 2012.
- Mais de 165 mil empregos gerados.
- 320 mil unidades consumidoras já beneficiadas.
O Que Esperar do Futuro?
Apesar do otimismo, o Brasil ainda engatinha: apenas 0,4% dos consumidores cativos utilizam a fonte solar. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que o país chegará a 11 GW em 2029, podendo alcançar impressionantes 78 GW até 2050.
Globalmente, a inovação aponta para o uso de baterias de armazenamento e tecnologias como blockchain para a venda de energia entre vizinhos. Com a digitalização do setor, a expectativa é que a energia elétrica deixe de ser uma “commodity obscura” na conta de luz para se tornar um recurso dinâmico, acessível e totalmente controlado pelo consumidor final.