Energia renovável cresce no Brasil

Os informes do Balanço Energético Nacional de 2007 indicam que a cana-de-açúcar ultrapassou, no ano passado, pela primeira vez, a energia hidráulica como fonte de energia no País, ficando atrás apenas

Os informes do Balanço Energético Nacional de 2007 indicam que a cana-de-açúcar ultrapassou, no ano passado, pela primeira vez, a energia hidráulica como fonte de energia no País, ficando atrás apenas do petróleo e derivados. O cálculo contabiliza a energia em geral, incluindo o setor de combustíveis, não somente a geração elétrica. A cana atingiu um peso de 16% da matriz energética brasileira no período, deixando em terceiro a energia hidráulica, com 15%.

O petróleo (com seus derivados) teve em 2007 uma participação de 27% na mencionada matriz energética brasileira, caindo em relação a 2006, quando registrou um percentual de 38%, mas mantendo a liderança.

Doravante, o bagaço da cana passará a ter papel maior do que a hidráulica na geração de energia elétrica, mesmo com megaprojetos do rio Madeira (Santo Antônio e Jirau). O crescimento da importância da cana se deveu, fundamentalmente, ao aumento da demanda do álcool combustível, eis que a produção elétrica por meio da queima do bagaço ainda não é representativa, embora viável técnica e economicamente. Ademais, as térmicas movidas a bagaço ou a resíduos de madeira poluem menos que as alimentadas a óleo combustível, carvão ou diesel. Na União Européia, os países estão limpando as suas matrizes energéticas. “Temos três fontes que serão, doravante, a base da matriz: o petróleo, a cana e a hidráulica”, disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Segundo dados da EPE, o consumo de álcool hidratado (do tipo utilizado pelos veículos bicombustíveis) subiu 46% em 2007, para 10 bilhões de litros, e o de álcool anidro (que é misturado à gasolina) subiu 20%, para 6 bilhões de litros, totalizando 16 bilhões. Perto de alcançar a significativa marca de 6 milhões de unidades vendidas, o equivalente a mais de 20% da frota de automóveis, os carros flex transformaram, decisivamente, a matriz energética brasileira. Por outro lado, a queda no consumo de gasolina no ano passado foi de 4%, para 18 bilhões de litros. Consoante a Datagro, a economia com a substituição da gasolina pelo álcool, a preços de mercado mundial, atingiu US$ 208 bilhões até o final de 2007.

O País exportou em volume 421 mil barris por dia e importou 418 mil barris diários da commodity. As importações dos derivados (nafta, diesel e GLP), juntamente com o petróleo de melhor qualidade, poderão alcançar o somatório de US$ 10 bilhões neste ano, conforme a Secex, incluindo as despesas de importação do gás boliviano. O diesel é o principal responsável pelas importações, que praticamente dobraram no 1º semestre, em relação ao igual período de 2007. Com o aumento da mistura do biodiesel a 3%, a partir do mês em curso, o consumo do derivado poderá ser reprimido. Nos postos, o biodiesel está sendo vendido a R$ 1,33 o litro e o diesel, a R$ 2,69.

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Somadas todas as fontes energéticas utilizadas no Brasil, o aumento da demanda por energia em 2007 foi da ordem de 6%, totalizando 240 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP), superando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no período, de 5,4% no ano passado. A participação da energia renovável cresceu de 45% para 47% na matriz energética brasileira de 2006 para 2007, superando a média mundial de 13%. No entanto, ainda é dominada pelas não renováveis, devido ao grande peso do petróleo e seus derivados. De maneira geral, as energias não renováveis -petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral e urânio- caíram de uma participação de 55% em 2006 para 53% em 2007. Em 1º de setembro, o governo deseja iniciar a construção da usina nuclear de Angra III.

Segundo dados da EPE, houve aumento da utilização de carvão mineral no País, puxado pelo desempenho do setor siderúrgico. Ademais, o incremento do uso de carvão mineral em 2007 foi de 8% em razão do aumento da produção de coque metalúrgico. Por outro lado, o consumo de urânio caiu 10% em função das paradas de Angra I e Angra II, ano passado.

A oferta interna de energia elétrica, que equivale à demanda do País, teve aumento de 5%, o equivalente ao crescimento do PIB.

A cana-de-açúcar ultrapassou a energia hidráulica, ficando atrás só do petróleo e derivados.

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