Autocuidado: saiba como ser mais gentil com você

Em tempos de isolamento social, aquela rotina de “fazer mil coisas ao mesmo tempo” ficou ainda mais complicada né? Mas nós provamos que é possível conciliar tudo isso e ainda cuidar de si mesma

Em tempos de isolamento social, aquela rotina de fazer mil coisas ao mesmo tempo ficou pode ter ficado mais complicada. Cuidar da casa, dos filhos, da saúde, e ainda ter tempo para o autocuidado parece uma realidade distante. A boa noa notícia é que, apesar da correria, é possível manter uma vida harmônica.

Nos últimos cinco anos, o termo – autocuidado- cresceu significativamente. Embora, após o início da quarentena devido à pandemia do coronavírus, as buscas pela palavra no Google tenho crescido. E antes, o que era conhecido apenas como cuidados com o corpo e alimentação, passou a ser visto como sinônimo de coisas prazerosas e inteligência emocional.

Por isso, o jornal DCI consultou especialistas no assunto para explicar o que é autocuidado – sim, é muito além que uma rotina de skincare.

 

Mas afinal, o que é autocuidado?

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Autocuidado é qualquer atividade realizada deliberadamente para cuidar da própria saúde mental, emocional e física. Embora seja um conceito simples em teoria, é algo muitas vezes ignorado. Um bom autocuidado é essencial para melhorar o humor e reduzir a ansiedade . É também a chave para um bom relacionamento consigo mesmo e com os outros.

Em resumo, autocuidado é algo que reabastece, em vez de tirar.

Isso quer dizer que o autocuidado é, portanto, um conjunto de atitudes com o objetivo de cuidar de si mesmo. Significa estar atento às suas próprias necessidades, porque, vamos combinar, não adianta cuidar com maestria daqueles que a cercam e se esquecer da pessoa mais importante: você.

Certamente, o autocuidado não visa nada menos do que qualidade de vida, seja cuidando da saúde, da alimentação alimentando bem ou prevenindo doenças, como as que derivam do estresse, por exemplo.

Como ter autocuidado?

Pratique o autocuidado (Foto: Reprodução/ Unsplash)

Em resumo, existem quatro formas de cuidar-se: física, mental, social e emocional. Inegavelmente, é importante buscar o equilíbrio.

Autocuidado físico

Veja bem! O tipo de autocuidado físico, é o mais conhecido. Como citamos anteriormente, é aquele que preserva a saúde, que se preocupa com a alimentação, que cuida da higiene pessoal e que envolve a prática de exercícios físicos. É o cuidado do corpo, mas que está diretamente ligado ao cuidado com a mente.

Mental

Manter a mente ativa é fundamental para não viver no “piloto automático”. Esse processo está ligado à percepção, memória, juízo, raciocínio e conhecimento. De maneira que, manter hobbies e momentos de lazer são fundamentais. Ler bons livros, ver filmes, criar algo diferente, ou simplesmente estimular de alguma forma a criatividade podem melhorar a sua vida de modo geral. Porque sim, isso é autocuidado e são com as pequenas coisas que se faz a diferença.

Sim, o autocuidado social também é importante

Sim, autocuidado também significa criar ou manter um relacionamento com outros indivíduos. Pode parecer que cuidar de si é um ato de egoísta, mas lembra daquela ideia de que é possível  mudar os hábitos com pequenas coisas? Da gargalhada à troca de riquezas culturais, são coisas que se conseguem através de uma simples conversa entre amigos, por exemplo.  Ações sociais que proporcionam o bem ao próximo, também fazem parte deste processo.

Emocional

E por último, mas, não menos importante, é necessário manter a saúde emocional. Sabe aquela frase: “conhece-te a ti mesmo”, popular na mitologia grega? Pois bem, tem como significado uma grande tarefa da humanidade, que, segundo o deus Apolo, seria buscar o conhecimento de si e, a partir daí, conhecer a verdade sobre o mundo. E milhares de anos depois, ainda estamos falando de autoconhecimento, um dos aspectos mais importantes do autocuidado – assim como psicoterapia e autoperdão.

O autocuidado vem de dentro. Assista!

Hábitos para o autocuidado 

Primeiramente, é desenvolvendo hábitos que se consegue implementar algumas mudanças. Eles vão se consolidando ao longo do tempo e antes que percebamos, as mudanças já estão integradas na nossa rotina. Isso acontece para coisas boas e ruins.

Mudar hábitos nos quais estamos presos há muito tempo pode ser desafiador. Mas você consegue fazer isso.

Faça exercícios

Pratique exercícios físicos. Se não puder ir à uma academia, faça-os em casa mesmo – claro que com instruções de profissionais. Mas, o importante é que fazendo isso, você verá mudanças no sono e apetite, além de melhorar a concentração e te ajudar a manter o equilíbrio e a coordenação motora.

Durma bem

Dormir bem também é um hábito essencial para a manutenção do autocuidado. Para os médicos, ter hora certa para acordar e para ir dormir ajuda a ter um padrão de sono melhor. Assim como evitar os celulares na hora de dormir. Luzes e barulhos do aparelho também atrapalham.

Busque o autoconhecimento

Faça terapia! Conversar sobre a vida: suas felicidades e frustrações ajuda o indivíduo a compreender a si mesmo. Consequentemente, se consegue resolver conflitos, tomar decisões além de ajudar com problemas psicológicos, como transtornos de ansiedade e depressão. Se você não puder pagar uma consulta e não tiver plano de saúde o Sistema Único de Saúde, SUS, presta esse atendimento de forma gratuita.

Qualquer pessoa pode praticar o autocuidado (Foto: Reprodução/ Unsplash)

Não confunda autocuidado com autoindulgência 

Se por definição, o autocuidado traz benefícios para a sua saúde e bem-estar, quando fazemos algo apenas para conquistar aquela gratificação imediata chamamos então de autoindulgência – que é a tendência da pessoa que busca desculpar os próprios erros ou de aceitar com facilidade os próprios defeitos.

Isso acontece quando a pessoa vira madrugadas vendo uma série ou jogando videogame, come em resposta ao estresse ou alimenta qualquer outro vício. Fazer com que isso se torne parte do autocuidado, significa uma tentativa desesperada de indulgência consigo mesmo.

Saiba dizer não

Quando se sentir exausta, cansada e ver que está com muitas funções acumuladas, você pode falar não – essa palavra é libertadora. Porque ao fazer isso, você mantém o processo de cuidar da sua saúde mental. “Dizer não é necessário, pois nem sempre poderemos atender a uma solicitação. Outras vezes,  dizer não serve para mostrar nossa identidade e desconstruir injustiças”, explica a professora universitária e gestora comportamental Patrícia Barcelos Martins. “Dizer não é uma maneira de ser honesto conosco e com outros”, diz a especialista.

Dizer não é uma forma prática de  gerenciar melhor o seu tempo, haja vista que está intrinsecamente relacionada ao estabelecimento das suas prioridades. No entanto, assim como dizer “sim”, o dizer “não” requer racionalidade com boa dose de equilíbrio emocional.

Gestão do tempo

Como já dissemos, dizer não é uma forma eficaz de gerir melhor o tempo. Mas afinal, o que é gestão do tempo? É a habilidade de organizar o dia de modo a torná-lo mais produtivo, dentro de suas 24 horas. Nesta organização é necessário, além da definição das prioridades, a mobilização de diversos recursos, processos e até de pessoas para que se alcance a tão almejada realização pessoal. O objetivo é aumentar a efetividade, eficiência e produtividade. Para fazer isso, existem algumas “ferramentas” que podem te ajudar na organização.

Como melhorar o tempo?

Um exemplo é definir prioridades. Considere os valores e impactos que cada atividade ou ação exerce sobre sua vida e faça uma lista das coisas mais importantes. Sim, é necessário agendar todas as suas tarefas, anote tudo e defina prazos para cumpri-las. Assim, as chances de abandonar algo no meio do caminho são menores.

É possível também delegar as tarefas. Dessa forma, você não perde tempo e consegue manter seus hábitos de autocuidado. E olha lá! É importante não procrastinar. No início, pode ser difícil se habituar com os exercícios físicos por exemplo, mas, para evitar que essa tarefa não seja cumprida, faça-a logo no início do seu dia.

Para a psicoterapeuta Elainne Ourives, estabelecer horários, períodos e momentos para liberar geral, seja para navegar nas redes sociais, assistir filmes ou se distrair é uma boa técnica para manter o foco em outras tarefas.  “A meditação e o silêncio, que seja por um, dois minutos diários, também coloca você no seu eixo central e ajuda a clarear a mente com ideias e disposição”, indica a especialista.

Com essas dicas, terá tempo de dar atenção para aquelas coisas que realmente importam para você.

Não sinta culpa

Uma das grandes confusões que o autocuidado causa é relacionar a prática com uma atitude egoísta. Existe uma pressão cultural generalizada para nos esforçarmos ao máximo e ignorarmos as nossas necessidades físicas e emocionais. Essa noção de perfeição está embasada em estudos da psicologia intitulados “Síndrome da mulher maravilha” – que  manifesta-se no contexto das pressões externas da sociedade moderna.

Mas, surpreendentemente, você só cuida do próximo, se estiver em condições físicas e mentais para tal. Então, cuidar de si mesma, não lhe fará mal algum. Muito pelo contrário.

Assista esse vídeo sobre a importância do autocuidado para não surtar! 

Inteligência Emocional 

Para Patrícia, em tempos de pandemia, nunca foi tão relevante desenvolver a inteligência emocional (IE). Essa inteligência está relacionada com a capacidade de conhecer a si mesmo, e de controlar suas emoções, se direcionando para a prática da empatia e da assertividade nos relacionamentos.

No cenário atual, a grande maioria, ou todos os membros da família estão em casa; há maridos e esposas trabalhando em home office, filhos estudando no formato de ensino remoto, há também a necessidade de cumprir os afazeres em casa. Além de diversos outros comportamentos que não estávamos acostumados a lidar, que hoje se fazem agora presentes.

“Diante da mudança, que não veio amadurecida de um processo, quem se mostra resiliente, ou seja, resistente às pressões, consegue controlar melhor a ansiedade” explica a especialista. “Ter uma visão otimista, meditar, contatar sua espiritualidade, exigir menos dos outros e de si e alimentar bem o corpo e alma, ajuda a manter uma perspectiva de esperança – o que motiva o ser humano a continuar nesta jornada que é viver”, conclui a especialista.

Como faz isso de se amar? Veja esse vídeo:

Fontes: Patrícia Barcelos Martins é  professora e tutora universitária na UDESC, e nos cursos de qualificação e aperfeiçoamento do SENAC. /  Elainne Ourives é psicoterapeuta, treinadora e reprogramadora mental/ Instituto Brasileiro de Coaching.

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