‘Rei da Vacina’: quem é o bilionário que faturou R$ 42 bi com a covid?

Cyrus Poonawalla é o fundador da maior produtora de vacinas do mundo. Com a pandemia, o magnata viu seu patrimônio dobrar e sua produção crescer exponencialmente

Em meio à maior crise sanitária do século, que abalou vigorosamente a economia mundial, um bilionário indiano conseguiu encontrar na pandemia uma maneira de dobrar o seu patrimônio líquido. Cyrus Poonawalla, em cerca de um ano, passou de 8 bilhões de dólares em caixa para a faixa dos 16 bilhões de dólares. Mas, afinal, quem é este magnata e por que ele é chamado de o “Rei da Vacina”?

 

Quem é o “Rei da Vacina”?

Cyrus Poonawalla
(Foto: Divulgação Instituto Serum)

O bilionário, presidente do Grupo Poonawalla, era filho de um criador de cavalos. O conglomerado de empresas Poonawalla é dona do Instituto Serum, maior fabricante de vacinas no mundo — e também o passaporte de Cyrus para dobrar sua fortuna, mesmo na pandemia. Conhecido como o “Rei da Vacina”, Cyrus Poonawalla é a sétima pessoa mais rica da Índia, e fundou a fabricante de imunizantes em 1966. Em junho de 2020, quando firmou acordo com a AstraZeneca e a Universidade de Oxford para produzir e distribuir a “Covishield”, prometeu desenvolver um bilhão de imunizantes para países pobres. A “Covishield” será produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Em maio de 2019, foi noticiado que Poonawalla, em parceria com o empresário Naum Koen, havia proposto fornecer à Ucrânia 100 mil doses da vacina contra o sarampo para vacinação gratuita. Poonawalla recebeu o Padma Shri pelo Hon’ble Presidente da Índia, em 2005 — um dos maiores prêmios dados pelo governo do país.

 

Como o “Rei da Vacina” conseguiu ganhar US$ 8 bi na pandemia?

O Instituto Serum, assim como a rápida capacidade de disseminação do novo coronavírus, também possui uma ágil capacidade de produção. Foi assim que a fabricante virou peça-chave na estratégia global de combate à Covid-19. O Instituto Serum já havia ganhado prestígio por ter produzido vacinas contra sarampo, poliomielite e tétano. Em 2020, o laboratório indiano assumiu uma parceria com a AstraZeneca e a Universidade de Oxford.

 

O Brasil firmou contrato com a Índia para receber 2 milhões de doses do imunizante — a entrega das vacinas está atrasada. A África do Sul, Bangladesh e Marrocos também estão em negociações com a empresa. O Instituto Serum ainda afirmou que vai estocar outra vacina contra a Covid-19 a partir de abril, a “Prevent-19”, desenvolvida pela farmacêutica americana Novavax. A fabricante anunciou investimentos da ordem de 800 milhões de dólares para a produção do novo imunizante.

 

Leia também

Covid-19: hospitais particulares de São Paulo tem fila de…

Primeiros casos da gripe aviária H5N8 são reportados na…

- PUBLICIDADE -

O Instituto Serum

produção de vacina
O Instituto Serum já havia ganhado prestígio por ter produzido vacinas contra sarampo, poliomielite e tétano (Foto: Divulgação Instituto Serum)

O Instituto Serum foca em produzir e exportar vacinas e produtos licenciados pela Organização Mundial da Saúde, a OMS. A partir de 2017, ganhou tanta escala que assumiu o posto de maior produtor (em volume) de imunizantes no mundo, com mais de 1,5 bilhão de doses produzidas ao ano. Claro que a fortuna da família Poonawalla também explodiu com a produção. Segundo um indicador da Bloomberg, o patrimônio líquido do patriarca cresceu mais de 210% desde 2015, quando já era avaliado em 5,24 bilhões de dólares.

Por que a família se tornou a maior produtora de vacinas do mundo?

O Cyrus Poonawalla era herdeiro de uma fazenda de criação de cavalos de cerca de 28 hectares – que agora se estende por mais de 200 hectares. Poonawalla se destacou na ampliação do império da criação de cavalos, mas o magnata também decidiu expandir seus negócios. Para a Forbes, Poonawalla contou que uma conversa casual com um veterinário o levou a investir no negócio de vacinas. Alguns cavalos de sua fazenda estavam sendo utilizados para produzir vacinas de soro de cavalo, mas como não podiam produzir em massa as vacinas, a maioria delas foi importada do país. Depois de levantar US $ 12.000 com a venda de cavalos, Cyrus Poonawalla e seu irmão Zavary começaram a jornada na indústria farmacêutica em 1966. Como não tinham nenhum conhecimento de ciência, eles contrataram três médicos de Haffkine, que, curiosamente, agora são membros do conselho do Serum Institute of India.

Preço do imunizante do “Rei da Vacina” para o Brasil

Quem está no comando das negociações para os imunizantes mundo afora é o herdeiro de Cyrus, Adar Poonawalla. Na última semana, o diretor executivo da fabricante anunciou que, para o governo indiano, eles estão oferecendo a vacina por cerca de R$ 14 (200 rúpias, moeda indiana), para as primeiras 100 milhões de doses. Para o Brasil, a empresa cobrou por dose cerca de R$ 30. 

Adar Poonawalla que coordena a empreitada de levar os imunizantes ao maior número de pessoas possível — na Índia e no mundo. Na última semana, ele reforçou a parceria com o governo do primeiro-ministro, Narendra Modi, para o início da vacinação no país. “Oferecemos as vacinas a um preço especial de 200 rúpias [cerca de 14 reais] para cada uma das primeiras 100 milhões de doses distribuídas ao governo da Índia. Queremos apoiar os vulneráveis, pobres e profissionais da saúde”, disse ele. Cada dose do antígeno adquirido pelo Brasil custou 5,25 dólares (ou pouco menos de 30 reais). O diretor-executivo do Serum disse que a vacina chegará ao Brasil em duas semanas. 

- PUBLICIDADE -

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Mais detalhes