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O crédito consignado avançou 39,3% em abril deste ano ante igual mês de 2018, de R$ 15,237 bilhões para R$ 21,224 bilhões. Foi a segunda maior alta na comparação de 12 meses entre todas as modalidades avaliadas pelo Banco Central (BC) no sistema financeiro.

O maior crescimento registrado pelo BC foi da linha de arrendamento mercantil para veículos, (+ 71,9%, de R$ 32 milhões para R$ 55 milhões). Na abertura das segmentações, o maior avanço veio do consignado do setor privado, que avançou 45,3% em abril deste ano contra o mesmo mês de 2018, de R$ 1,115 bilhão para R$ 1,62 bilhão.

Em segundo lugar vieram os empréstimos para servidores públicos (que respondem por 55,4% de todo o crédito consignado cedido no SFN), de R$ 8,403 bilhões para R$ 11,759 bilhões (+39,9%). Os recursos cedidos para beneficiários do INSS, por sua vez, registraram um acréscimo de 37,1%, de R$ 5,719 bilhões para R$ 7,845 bilhões.

“Em um momento de desemprego alto, essa linha de consignado, principalmente entre os funcionários públicos, acaba sendo uma tendência, já que dificilmente o salário desses trabalhadores deixa de ser pago e, querendo ou não, é um crédito de maior garantia para as instituições financeiras”, explica o assessor econômico do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC Boa Vista) Vitor Meira França.

Nessa linha, não apenas todos os quatro maiores bancos do País (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander) registraram um aumento da linha no primeiro trimestre deste ano contra igual intervalo de 2018, como em três deles têm o consignado como a principal modalidade dentro da carteira de crédito para pessoas físicas.

Juntas, as quatro instituições financeiras concederam mais de R$ 210,4 bilhões em crédito consignado nos três primeiros meses deste ano, uma evolução de 13% na comparação com os empréstimos da linha de janeiro a março do ano passado (R$ 186,2 bilhões).

De acordo com o professor da Saint Paul Escola de Negócios Maurício Godoi, essa readequação das carteiras bancárias acontece desde o início da crise e, apesar da possibilidade desse avanço representar uma sazonalidade em uma época de maior consumo de renda com os gastos do início de ano, tem potencial para crescimento ao longo deste ano.

“Além de ser um crédito com taxas de juros mais baixas, o próprio grau de endividamento das pessoas no atual cenário econômico acentua a necessidade de recursos mais baratos para os tomadores”, comenta.

Ainda segundo os dados do BC, as taxas de juros médias da modalidade atingiram 23,4% ao ano (a.a.) em abril deste ano. Na abertura dos segmentos, porém, os juros para o setor privado alcançaram 37,1% a.a. (-3,7 p.p. na mesma comparação), enquanto os servidores públicos e beneficiários do INSS ficam na faixa de 21,2% a.a. e 24,6% a.a., nesta ordem.

Setor privado

Apesar do cenário de juros mais altos e menores concessões no crédito consignado para o setor privado vir em resposta aos altos níveis de desemprego – 12,5% no trimestre finalizado em abril – as expectativas dos especialistas são de crescimentos significativos para a modalidade.

De acordo com o sócio da Paketá Crédito, Fabian Valverde, essa diferença entre os números do segmento privado e do público vem tanto pela falta de incentivo entre as grandes instituições financeiras como pela alta linha de corte em relação ao número de funcionários exigidos das companhias para que o crédito seja vinculado à folha de pagamento.

“É claro que esse volume de empréstimos mais baixo para o segmento privado tem um pouco do contexto Brasil, mas é algo que tende a mudar, principalmente ante as expectativas de juros mais baixos que temos pela frente, com a Selic [taxa básica de juros] e pela maior demanda das PMEs [pequenas e médias empresas]”, afirma o executivo. “É questão de quatro ou cinco anos para que esse processo mostre evolução”, completa.