Dólar segue em queda e pode manter ritmo; veja por quê

Estresse menor com política fiscal após aprovação do Orçamento 2021 e juros menores são fatores para esse movimento

As cotações do dólar seguem ladeira abaixo, trajetória reforçada após a sanção do Orçamento 2021 pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com alguns vetos que aliviaram as preocupações do mercado financeiro com possível desrespeito ao teto de gastos e à Lei de Responsabilidade Fiscal.

A redução do estresse com a política fiscal reduziu a pressão sobre o dólar, que recua 3,20% em abril, até o momento. Iniciou o mês cotado a R$ 5,71 e foi negociado, na segunda-feira, 26, a R$ 5,45. Um dólar mais baixo no mercado doméstico segue uma tendência verificada em outras economias emergentes, onde a moeda americana registra desvalorização.

No Brasil, era diferente, dizem especialistas, por causa do risco fiscal ou perspectiva de que, com o aumento dos gastos com a crise da pandemia do coronavírus, o governo perdesse o controle das contas públicas. Uma tendência de crescimento da dívida pública que, se mantida, poderia levar o País a perder a capacidade de continuar honrando o pagamento aos detentores de títulos que financiam o rombo das contas públicas.

O temor de que isso viesse a acontecer levou investidores a buscar proteção para seu patrimônio no dólar, que subiu, a despeito de todos os dados apontarem uma situação robusta do País nas contas externas, desde o baixo déficit em conta corrente até os seguidos superávits na balança comercial. Além do monumental seguro contra crises externas, representado por um volume de reservas internacionais em estoque acima de US$ 360 bilhões.

O recente alívio sobre o dólar, de acordo com especialistas, não vem apenas do cenário de menor tensão com as condições das contas públicas, após a definição do Orçamento.

Dólar em queda pressionado pela alta dos juros

A inciativa do Banco Central de retomar a elevação da taxa básica de juros, a Selic, também contribuiu para reduzir a persistente pressão sobre o dólar. Não tanto pela alta de 0,75 ponto porcentual, que alçou a Selic para 2,75% ao ano, mas pela firme disposição da autoridade monetária de usar os juros para conter a trajetória ascendente da inflação, que eventualmente poderia fugir de controle.

Inflação em alta e juros baixos eram uma combinação que também vinha estimulando a procura por dólares como forma de compensar o rendimento negativo da renda fixa. Especialistas não arriscam números, mas existe uma opinião quase consensual de que taxa de equilíbrio do câmbio fica abaixo de R$ 5, mais próximo de R$ 4,50 por dólar. E que o dólar ainda não chegou lá por causa de riscos e incertezas políticas, que podem aumentar à medida que se aproximam as eleições presidenciais de 2022.

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