Exportações de Mato Grosso do Sul avançam 12,8% e varejo cresce acima da média nacional
MS teve bom desempenho no primeiro semestre de 2026

Mato Grosso do Sul registrou alta nas exportações e no comércio no primeiro semestre de 2026, enquanto o mercado de trabalho manteve o desemprego em um dos níveis mais baixos do país. Entre janeiro e julho, as vendas externas do Estado cresceram 12,8% e chegaram a US$ 7,2 bilhões. Os dados fazem parte da edição de agosto do Termômetro do Varejo, elaborado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS). No mesmo período, as importações caíram 3,7%, para US$ 1,4 bilhão.
A soja foi responsável por 33,6% das exportações sul-mato-grossenses, seguida pela celulose, com 25,3%, e pela carne bovina, que representou 18,4% das vendas externas. O desempenho das exportações ocorre em um cenário de expansão do consumo. No primeiro semestre, o varejo ampliado de Mato Grosso do Sul cresceu 5,4% na comparação anual, enquanto a média brasileira ficou em 1,9%.
No comércio varejista, que não inclui veículos, materiais de construção e atacado, o avanço estadual foi de 2,6%, também acima dos 1,9% registrados no país.
Desemprego fica em 2,7%
O mercado de trabalho é um dos fatores que ajudam a sustentar o consumo no Estado. A taxa de desemprego ficou em 2,7% no segundo trimestre, com cerca de 40 mil pessoas desocupadas. A força de trabalho soma 1,48 milhão de pessoas e a renda média chegou a R$ 3.840.
Apesar do baixo desemprego, a geração de postos formais mostra sinais de perda de ritmo. Mato Grosso do Sul criou 18.531 vagas com carteira assinada no primeiro semestre, mas o comércio fechou o período com saldo negativo de 77 postos.
Em Campo Grande, foram criadas 3.541 vagas formais. O comércio, porém, registrou saldo negativo de 633 empregos.
Para Inês Santiago, presidente da FCDL-MS, o nível de emprego favorece o consumo, mas o endividamento das famílias pode limitar a continuidade do crescimento.
“Na segunda metade do ano, o desafio será sustentar o ritmo de crescimento em um ambiente em que o endividamento segue elevado e pressionando o quadro financeiro das famílias”, afirma.
Indústria cresce e serviços recuam
A indústria também apresentou resultado positivo no Estado. A produção industrial de Mato Grosso do Sul avançou 4,5%, contra crescimento de 1,5% no país.
O setor de serviços teve comportamento diferente. O volume de serviços caiu 0,5% no Estado, enquanto a atividade nacional avançou 2%.
No agronegócio, a projeção para o Valor Bruto da Produção (VBP) é de alta de 1,4% em Mato Grosso do Sul. Para o país, a estimativa aponta queda de 4,5%.
Crédito aumenta, mas inadimplência continua alta
O crédito às pessoas físicas cresceu 5,6% no período, enquanto o financiamento para empresas avançou 5%.
O nível de inadimplência, contudo, continua sendo um ponto de atenção. A taxa chegou a 6,9% entre as pessoas físicas e a 4,4% entre as empresas.
A inflação também ganhou força em Campo Grande. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,6%. Habitação teve a maior alta, de 7,6%, enquanto saúde e cuidados, vestuário, transportes e educação registraram avanço de 5,2% cada.
Alimentação e bebidas acumularam alta de 2,3% no período. O IGP-M ficou em 2,76%.
Empresários relatam consumo ainda aquecido
Os números do varejo encontram respaldo na percepção de empresários locais, embora o cenário seja de maior cautela por parte dos consumidores.
Dário Burda Júnior, proprietário de uma loja especializada em vinhos em Mato Grosso do Sul, afirma que o estabelecimento, aberto há pouco mais de três meses, teve desempenho acima do esperado nos primeiros meses.
Segundo ele, a procura tem sido sustentada principalmente por consumidores interessados em produtos diferenciados e experiências gastronômicas.
A avaliação, no entanto, ocorre em um momento em que crédito, inadimplência e endividamento continuam entre os principais fatores que podem limitar o consumo na segunda metade do ano.
Para o comércio sul-mato-grossense, o desafio será manter o ritmo registrado no primeiro semestre diante de uma economia que apresenta resultados positivos, mas também sinais de desaceleração em algumas áreas.





