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A aceleração do crescimento da indústria e dos serviços é o que deve impulsionar a expansão de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), pelo lado da oferta, conforme mostra relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O setor industrial deve elevar ritmo de expansão de 0,8% este ano, para 2,8% em 2019, enquanto o PIB dos serviços passará de 1,4% em 2018 para 2,9% no próximo ano. A agropecuária, por sua vez, deve apresentar crescimento muito próximo de zero tanto este ano (+0,6%), como em 2019 (+0,9%).

Na avaliação do diretor de Estudos e Política Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo Souza Júnior, a melhora dos serviços e da indústria se dará na esteira de uma retomada da confiança das empresas e das famílias, além de um efeito maior da queda da taxa básica de juros (Selic), fator que ajuda a diminuir o custo do crédito, tanto para pessoa física como jurídica, por exemplo.

Já em relação às atividades do agronegócio, Souza explica que a projeção de um crescimento mais baixo, próximo de zero foi feito com base no prognóstico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de crescimento de 1,7% para a produção agrícola em 2019. “O Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] tem uma perspectiva mais alta, de expansão de 2%, por exemplo. Se isso se confirmar, então o avanço da agropecuária pode ser maior. De qualquer forma é importante lembrar que a safra de 2017 foi muito elevada, então há um efeito de base de comparação”, diz Souza.

Espaço das importações

O especialista do Ipea detalha que o fraco desempenho da indústria (+0,8%) este ano não andou no mesmo ritmo que as compras das famílias, por exemplo, que deve marcar aumento de 1,9% este ano. “Foram as importações que acabaram atendendo o mercado interno brasileiro em 2018. Este cenário tende a mudar em 2019”, esclarece Souza.

A perspectiva para o crescimento das importações em 2018 é de 8,6%, enquanto para o próximo ano, por exemplo, a expectativa é de alta de 4%. Já para as exportações, o Ipea prevê crescimento de 4,6% e de 4% para os anos de 2018 e 2019, respectivamente.

Souza lembra que todas as expectativas traçadas pelo Ipea consideram um cenário de ajuste fiscal, com a aprovação de uma reforma da Previdência Social. “Nossas projeções para 2019 baseiam-se na hipótese de que o governo eleito efetivamente se comprometerá com a implementação das reformas e medidas necessárias à superação da crise, o que levará à renovação do processo de recuperação cíclica, com o PIB atingindo crescimento de 2,7% em 2019”, destaca o documento do Ipea.

O relatório informa ainda que a previsão para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) é de aumento de 4,4% em 2018 e de 4,8% em 2019. Já o consumo do governo deve ficar estagnado este ano (0,1%) e no próximo (0,2%).

“Apesar da aguardada recuperação da atividade econômica ao longo de 2019, espera-se que apenas no final do ano comecem a surgir pressões inflacionárias que poderiam levar ao início de um novo ciclo de aperto monetário”, reforça.

A projeção do instituto para a Selic de 2018 é de 7%, enquanto se espera um avanço de 4,1% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “O Banco Central poderia dar início a um processo de elevação gradual da meta da taxa Selic já no final de 2019, ou no início de 2020”, destaca o relatório.

A expectativa mais detalhada é de que os preços livres registrem alta de 5%, enquanto os preços monitorados registrem avanço de 4,9%.