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Transformar a filantropia em um negócio foi a ideia da startup O Polen, que atua no formato B2B (de empresa para empresa, na sigla em inglês). Ela divulga causas sociais nos sites de seus clientes, com a promessa de ajudar a aumentar a conversão de vendas online. 

Para isso, oferece uma ferramenta que permite ao consumidor fazer doações a ONGs no momento em que finaliza a compra, no mesmo ambiente da loja virtual. O preço do produto não muda - é o e-commerce que abre mão de uma parte do valor, em troca do apoio à causa e do apelo que isso pode exercer na decisão de compra. 

A gerente de risco (CRO, na sigla em inglês), Renata Chemin, diz que a ideia é ajudar tanto empresas como ONGs. “Ajudamos a aumentar a conversão do carrinho doando para organizações sociais que tenham a ver com cada e-commerce”, explica.

O próprio e-commerce define o valor que quer doar a cada compra, seja fixo ou um percentual da venda - assim, pode variar de centavos a algumas dezenas de reais. A startup não impõe um valor mínimo, mas sugere algo pensando no impacto que se pretende gerar.

Abrangência

Há uma tabela de preços para contratação da startup que varia de acordo com os serviços oferecidos. Os planos mais completos permitem ao cliente escolher mais ONGs, oferecem assessoria para o uso da estratégia e um teste de conversão de vendas. 

O mínimo mensal, do plano “Bloomer”, é de R$ 35, e o máximo, do “Polinnator”, R$ 500. Nenhum dos planos inclui o valor das doações, que varia de acordo com o número de clientes que as efetuam e é repassado às ONGs no fim de cada mês.

No "Polinnator" é possível fazer uma documentação para abatimento fiscal. Além disso, o design, a estratégia de negócio e de comunicação são personalizados de acordo com as necessidades e posicionamento do e-commerce. 

O serviço inclui uma ferramenta que permite ao consumidor escolher, a cada compra realizada, uma instituição, dentre duas ou três, para receber certa quantia sem qualquer custo adicional. Quem define o valor ou porcentagem que será doado é a empresa contratante da startup.  

O portfólio de ONGs reúne mais de 280 instituições cadastradas e avaliadas quanto a sua credibilidade e idoneidade. A comprovação da utilização das doações é sempre documentada. Há também uma página exclusiva com fotos e vídeos, disponível para ser usada pelos contratantes, que mensura o impacto das doações. 

Para garantir a eficiência na conversão, são feitas análises da jornada de compra do cliente e testes comparativos para encontrar a melhor estratégia. Também são exibidas informações para educar o consumidor sobre o impacto social de cada compra.

A startup apresenta aos seus clientes um painel de Analytics com informações das doações em tempo real. Ali é possível visualizar os dados de vendas e o total arrecadado para cada instituição, além de identificar quais causas agregam mais valor para determinado público.

O valor arrecadado pela ferramenta é recolhido mensalmente e encaminhado para as ONGs. Os e-commerces só realizam esse pagamento se algum consumidor decidir doar naquele mês. 

Com sede em Curitiba, O Polen está em funcionamento desde julho de 2017, mas ainda não divulga seu faturamento. Entre seus clientes estão nomes como e-lens, de lentes de contato, e TudoSaudável, de produtos naturais.

No caso do e-lens, existia um desejo de adicionar a responsabilidade social à experiência de compra, mas não havia tempo nem recursos para desenvolver este tipo de ação. Em pouco menos de um ano, a empresa doou mais de R$ 60 mil.