Fundos de crédito privado são boa opção; veja por quê

Investimento tem em sua carteira papeis emitidos por empresas privadas, oferecendo rentabilidade maior

Os fundos de crédito privado, que sofreram muito durante a pandemia no ano passado, se recuperaram e retomaram a competitividade diante dos demais fundos de investimento com carteira de títulos públicos. É uma modalidade de aplicação que, depois de uma expansão bastante forte em 2019, passou a atrair a atenção de investidores que procuram rendimento maior que os juros referenciados na taxa básica de juros, a Selic.

Isso porque os títulos da carteira desses fundos são emitidos por empresas privadas e, com risco supostamente mais elevado que os títulos públicos, precisam oferecer juros mais elevados para atrair o investidor.

Os principais títulos que compõem a carteira desses fundos são debêntures, letras financeiras, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), entre outros.

Os fundos de crédito privado estão com potencial de ganho muito interessante, o valor dos títulos está em geral subavaliado, afirma Paulo Duarte, economista-chefe da Valor Investimentos. “Por exemplo, um título que rende 10% ao ano que o gestor do fundo compra com desconto muito grande (deságio) pode acabar rendendo de 15% a 18%.”

Duarte diz que os fundos com carteira de crédito privado passaram a atrair mais quando os investidores passaram a entender que a rentabilidade oscila bastante, principalmente em períodos de grande volatilidade dos juros futuros, como ocorreu durante a crise da pandemia em 2020, e também agora, embora em menor grau.

Os problemas com liquidez

O executivo da Valor Investimentos explica, no entanto, que o que ocorreu no ano passado foi fruto de um desequilíbrio de mercado, não de um risco de mercado que tenha levado a um default ou calote.

O problema foi a falta de liquidez, a dificuldade de passar a cota ou o título adiante, porque não tinha ponta compradora no momento mais tumultuado da crise do coronavírus. A situação só se estabilizou a partir de agosto, bem depois da bolsa de valores, que também passou por problemas de liquidez, mas se recuperou antes que o mercado de títulos privados.

Para entender um pouco por que isso ocorre, é preciso saber que esses títulos com juros prefixados ou indexados à inflação passam por marcação a mercado, processo de atualização diária de seu valor no mercado secundário, onde esses papeis trocam de mãos depois de emitidos.

Quando veio a crise do coronavírus, esses títulos perderam valor e passaram a exibir prejuízo contábil estampado em extrato enviado ao investidor do fundo. O temor de que a perda ficasse maior ainda levou parte dos investidores a pedir resgate ao gestor, que teve de correr ao mercado secundário vendendo títulos desvalorizados para fazer caixa e atender ao pedido de resgate do investidor.

Nesse corre-corre, quem fez o resgate no momento de estresse no mercado de juros amargou prejuízo. Quem não arredou pé e permaneceu no fundo assistiu a uma recuperação de rentabilidade nos meses finais de 2020 e agora já contabiliza ganhos.

A expectativa é de que a alta da taxa Selic, que deve passou por nova elevação de 0,75 ponto porcentual nesta quarta-feira, subindo de 2,75% ao ano para 3,50%, eleve o nível de juros dos títulos privados, que costumam oferecer taxas mais atraentes que os títulos públicos.

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