Arthur Lira: quem é o novo presidente da câmara dos deputados

Arthur Lira (PP-AL) foi eleito ontem (1) como presidente da câmara dos deputados. O candidato era apoiado por Jair Bolsonaro (sem partido). Lira foi eleito em primeiro turno com mais da metade dos votos na câmara. Os partidos PP, PL, PSD, Republicanos, Avante, PROS, Patriota, PSC, PTB, PSL e Podemos foram seus apoiadores na votação de ontem. Seu principal opositor era o candidato Baleia Rossi (MDB-SP).

Quem é Arthur Lira?

Arthur César Pereira de Lira nasceu em Maceió, tem 51 anos e cinco filhos. O parlamentar é formado em direito pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Lira é advogado e tem negócios no meio rural. Entrou para a política em 1993 e hoje preside a câmara dos deputados.

Vida politica

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Filho do ex-senador e prefeito de Barra de São Migue Benedito Lira, o atual presidente da câmara começou na política como vereador de Maceió, em 1993. Depois foi deputado estadual de Alagoas e desde 2011 é deputado federal por seu estado. Na última eleição, em 2018,foi o segundo mais votado de Alagoas.

Lira já foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em 2015. Também comandou a Comissão Mista de Orçamento (CMO), em 2015.

No ano passado, Lira comandou um bloco com 200 deputados do chamado “Centrão”. Agora, Lira preside a câmara dos deputados e demonstra uma vitória do próprio Centrão no congresso.

O que defende?

Lira ao lado de Bolsonaro (Foto: Arquivo)

Embora Lira seja aliado de Bolsonaro, nem sempre foi assim, ele já foi critico ao governo, argumentando que o presidente tratava mal o congresso.  Além disso, Lira já chegou a chamar o ministro Paulo Guedes de “vendedor de redes”, para dizer que ele falava muito, mas entregava pouco. Hoje, o presidente recém eleito é aliado de ambos e contou com forte apoio de Bolsonaro para conseguir ser eleito. Isso aconteceu em abril de 2020 quando seu partido se tornou apoiador do governo.

Em 2016 ajudou a articular o impeachment da ex-presidente Dilma e votou contra a cassação de Cunha. Lira também foi favorável à reforma da previdência.

Discurso

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Ainda assim, Lira não tem uma fala tão extrema quanto a de Bolsonaro. Em seu primeiro discurso, o presidente eleito afirmou que a vacinação é importante e que a população deve se vacinar, mas não por obrigatoriedade. Lira também afirmou que é preciso aprovar uma PEC emergencial para frear o endividamento do governo. E só após aprovação da PEC é possível pensar em um novo beneficio econômico para a população.

Em sua fala, Lira afirmou que não vai impor suas vontades, que os projetos serão democráticos e decididos em votação.

“Não cabe a mim, se eleito, fazer a pauta do Brasil ao meu gosto, como fez o presidente atual. Qualquer projeto, seja de direita, de centro, de esquerda, seja econômico ou social, que estiver amadurecido na sociedade brasileira e que contar com a maioria da aprovação no colégio de líderes, será pautado automaticamente, e o resultado será democraticamente resolvido no plenário.”

Acusações contra Arthur Lira

O presidente eleito ontem tem  acusações de corrupção, além de denuncias de injuria e violência doméstica.

Lira é acusado de receber propina de R$ 106 mil do então presidente da CBTU (Companhia Brasileira de Transportes Urbanos), Francisco Colombo, em 2012. A primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que vai manter esse processo.

Lira também é réu na segunda turma do STF no inquérito da Operação Lava-Jato apelidado de “quadrilhão do PP”. Ele é acusado de organização criminosa por suposta participação em esquema de desvios, que causou um prejuízo de R$ 29 bilhões à Petrobras. O esquema teria durado mais de uma década.

No final do ano passado, Lira foi absolvido pelo juiz Carlos Henrique Pita Duarte, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) de uma denuncia de ter participado de um esquema de “rachadinhas”. O caso teria acontecido à época em que era deputado estadual, entre 2001 e 2007. Segundo a denúncia, de 2001 a 2007, Arthur Lira movimentou em sua conta mais de R$ 9,5 milhões.

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Violência contra a mulher

Além das acusações de corrupção, Lira tem denuncias de violência domestica. Sua ex-esposa, Jullyene Lins afirma que o deputado a agrediu fisicamente. Ele também teria a ameaçado para mudar seu depoimento. Em entrevista à Folha, Jullyene relatou as agressões. “Me agrediu, me desferiu murro, soco, pontapé, me esganou”, disse. “Ele me disse que onde não há corpo, não há crime, que ‘eu posso fazer qualquer coisa com você’”, afirmou. “Aquilo era o machismo puro, o sentimento de posse.”

Em outubro do ano passo, Jullyene solicitou à Justiça de Alagoas medidas protetivas contra o deputado. Eles foram casados por 10 anos e tem dois filhos juntos.

Ainda em entrevista à Folha, a ex-esposa do deputado afirmou que Lira a usou como laranja, abrindo uma empresa em seu nome.

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