Saiba o que é o centrão e qual sua influência na política brasileira

O bloco informal representa mais de 30% dos parlamentares dentro da câmara de deputados nacional.

Se você acompanha as noticias de politica, já deve ter ouvido falar no chamado “centrão” do Congresso Nacional. O grupo tem uma grande influencia nas decisões do país, mas você sabe o que ele significa e quais são seus representantes?

O que é o centrão?

Nem de direita, nem de esquerda.O centrão é entendido como um bloco indefinido e informal na política brasileira, geralmente composto por parlamentares do “baixo clero”. A origem do nome surgiu na Constituinte de 1987 e se referia a um grupo de congressistas que formou uma maioria capaz de mudar o jogo no Congresso.

Contudo, o grupo ganhou novo folego a partir da ascensão do ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ) à presidência da Câmara, que ocupou um espaço deixado pela falta de articulação política do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Inclusive, Cunha foi considerado uma peça-chave para o impeachment de 2016.

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Vale lembrar também que o termo centrão é designado para o grupo da câmara dos deputados federal. O bloco não tem muita relevância ou impacto no senado.

Quais partidos fazem parte do centrão?

Diversos partidos contam com participação no bloco também. Cortez afirma que não é possível listar, com exatidão todos que integram o Centrão, por ser um grupo numeroso e fluído. As estimativas ficam entre 170 e 220 deputados. Mas atualmente, ele é formado, em sua maioria, por parlamentares das seguintes legendas:

  • PP (40 deputados);
  • Republicanos (31);
  • Solidariedade (14);
  • PTB (12);
  • PSD (36 deputados);
  • PROS (10);
  • PSC (9);
  • Avante (7);
  • Patriota (6).

Contudo, nem todos os políticos dessas legendas são considerados do “centrão” ou atuam dessa maneira. O grupo representa, mais de 30% dos parlamentares na câmara.

Quem comanda o centrão?

Não há um representante formal do grupo, mas à frente do grupo estão:

  • Líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL);
  • Presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI);
  • Líder do PL na Câmara, Wellington Roberto (PB),
  •  Valdemar Costa Neto,
  • Marcos Pereira (Republicanos),
  • Roberto Jefferson (PTB),
  • Paulinho da Força (Solidariedade-SP)
  • Wellington Roberto (PL-PB).
Foto mostra o congresso nacional visto de cima.
“Centrão” representa mais de 30% dos parlamentares no congresso. (Foto: Agência Brasil)

 

Qual a influência do centrão na política brasileira?

O centrão, embora seja um grupo informal e fluído, representa mais 30% na câmara dos deputados. Ou seja, ele representa mais de um terço dos votos. Portanto, os integrantes do grupo têm poder de vetar decisões importantes, inclusive de impedir um possível impeachment. Pois para se consolidar um impeachment são necessários dois terços dos deputados a favor.

Por isso, eles contam uma forte influencia na politica nacional, já ter apoio na câmara é um dos principais objetivos de um líder republicano.Como a maior parte dessas legendas não tem uma atuação ideológica clara, elas estão dispostas a negociar apoio ao Executivo.O grupo teve grande participação na votação do impeachment da ex-presidente Dilma, em 2016, com seus votos favoráveis a deposição, por exemplo. Então, os políticos costumam buscar apoio ou aliança com esse grupo.

Bolsonaro e a aproximação com o grupo

Foto mostra jair Bolsonaro tirando uma selfie ao lado do deputado Arthur Lira. do centrão
Presidente Jair Bolsonaro ao lado do líder do “centrão”, Arthur Lira. (Foto: divulgação)

O Centrão e Jair Bolsonaro não são aliados, nem inimigos – até porque é um bloco que poucos admitem fazer parte. Mas recentemente, o presidente começou  a se aproximar do bloco para garantir uma vida mais fácil na câmara, seja para aprovar seus projetos, ou barrar um eventual impeachment.

Alguns cargos importantes foram concedidos a nomes ligados ao centrão, neste ano. Como a diretoria de Ações Educacionais do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), com atuação nacional e orçamento de mais de R$ 50 bilhões, foi dada a Garigham Amarante Pinto, indicado pelo PL. Diretoria-geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra Secas), um órgão de planejamento e execução de obras para enfrentamento da seca no Nordeste. Fernando Marcondes, do Avante, indicado para o cargo por Arthur Lira.

Segundo um levantamento do jornal El País, em 22 de maio de 2020, o Centrão já tinha assumido, até aquele momento, a administração de R$ 73 bilhões. Equivalente a 2% do orçamento da União. Contudo, no final de maio, Bolsonaro afirmou que sua aliança com “os partidos de centro” era em torno de programas de governo. “De dois meses pra cá eu decidi que tinha que ter uma agenda positiva para o Brasil. Eu comecei a conversar com os partidos de centro também. Em nenhum momento nós oferecemos ou eles pediram ministérios, estatais ou bancos oficiais”, disse.

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