Morre o ator Juca de Oliveira aos 91 anos, o Doutor Albieri de O Clone

Relembre carreira de um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira

O ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu na madrugada deste sábado (21), aos 91 anos. Ele estava internado desde o dia 13 de março no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após diagnóstico de pneumonia associado a problemas cardiológicos. O artista deixa filhos e netos.

Vida e carreira de Juca de Oliveira

Nascido em São Roque (SP), em 16 de março de 1935, Juca de Oliveira começou a carreira após um teste vocacional. Na época, trabalhava em banco e cursava Direito na Universidade de São Paulo, mas decidiu seguir no teatro após a orientação recebida.

Ele já havia tido contato com a atuação na escola e passou a frequentar a Escola de Arte Dramática. Nesse período, conciliou trabalho, faculdade e teatro até optar pela carreira artística e abandonar o curso de Direito.

O início profissional aconteceu no Teatro Brasileiro de Comédia, após ser convidado pelo diretor Flávio Rangel. No grupo, participou de montagens como “A Semente”, de Gianfrancesco Guarnieri, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller, trabalho que lhe rendeu o Prêmio Saci.

Nos anos 1960, integrou o Teatro de Arena, ao lado de nomes como Augusto Boal e Paulo José. O grupo foi atingido pela repressão durante a ditadura militar, período em que Juca se exilou na Bolívia.

De volta ao Brasil, iniciou carreira na televisão pela TV Tupi, onde participou da novela “Quando o Amor é Mais Forte”, em 1964. Em 1969, protagonizou “Nino, o Italianinho”, produção que ampliou sua presença junto ao público. Na emissora, trabalhou com autores como Janete Clair e Lauro César Muniz.

Em 1968, assumiu a presidência do Sindicato dos Atores de São Paulo. Durante a gestão, participou da regulamentação da profissão e da definição de regras como limite de jornada e prazo para entrega de textos.

Na TV Globo, estreou em 1973, na novela “O Semideus”, e seguiu em produções como Saramandaia, de Dias Gomes, e “Fogo sobre Terra”. Ao longo dos anos, também trabalhou em outras emissoras, como Bandeirantes e SBT.

Um dos papéis mais conhecidos foi o do médico Albieri em O Clone, exibida em 2001. Na trama de Gloria Perez, o personagem desenvolve um projeto de clonagem humana após a morte de um familiar.

Em 2012, esteve em Avenida Brasil, onde interpretou Santiago. Também participou de produções como “Fera Ferida”, “Torre de Babel”, “Araguaia” e “O Outro Lado do Paraíso”.

Paralelamente à televisão, manteve atuação contínua no teatro, com textos e montagens próprias, como “Caixa Dois” e “Às Favas com os Escrúpulos”. Em 2022, voltou aos palcos com a peça “A Flor do Meu Bem-Querer”.

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