Furacão no Brasil: relembre o Catarina, único registrado no país
Furacão aconteceu há mais de 20 anos
Foto: Defesa Civil/SC
Embora o Brasil não esteja entre as principais áreas de ocorrência de furacões, o país já foi atingido por um fenômeno desse tipo. A passagem do sistema deixou 11 mortos, afetou aproximadamente 250 mil pessoas e fez com que mais de 26 mil moradores ficassem desabrigados ou desalojados. Os prejuízos financeiros provocados pelo fenômeno foram estimados em cerca de R$ 211,4 milhões.
Onde teve Furacão no Brasil?
Em março de 2004, o furacão Catarina avançou pelo litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e provocou estragos em dezenas de municípios. O episódio, ocorrido entre os dias 27 e 28 de março, entrou para a história da meteorologia brasileira. Até hoje, o Catarina é considerado o único furacão registrado oficialmente no Brasil e em todo o Atlântico Sul.
O fenômeno atingiu principalmente o litoral sul de Santa Catarina e áreas do litoral norte do Rio Grande do Sul. Entre os municípios catarinenses que registraram alguns dos maiores danos estavam Passo de Torres, Balneário Gaivota e Balneário Arroio do Silva.
De acordo com o Ceped/UFSC, 38 municípios dos dois estados foram afetados pela passagem do sistema. Os ventos provocaram quedas de árvores, destelhamentos e danos a imóveis e estruturas. Segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, a velocidade dos ventos chegou a 180 km/h.
O Catarina teve uma formação diferente daquela normalmente associada aos furacões. O sistema começou como um ciclone extratropical, a cerca de 1.000 quilômetros da costa brasileira.
Ao avançar pelo oceano, encontrou condições que favoreceram sua intensificação. O sistema ganhou uma estrutura mais organizada e passou a apresentar características de um furacão, incluindo um núcleo circular e um olho bem definido.
A ocorrência surpreendeu os meteorologistas porque, até então, a formação de furacões no Atlântico Sul era considerada extremamente rara. Entre os fatores que dificultavam esse tipo de fenômeno estavam as temperaturas da superfície do mar e as condições dos ventos em diferentes níveis da atmosfera.
Furacões costumam se desenvolver sobre águas oceânicas quentes e em condições atmosféricas específicas. No Atlântico Sul, essas condições são menos comuns, o que explica a raridade de sistemas desse tipo na região. O Catarina, entretanto, apresentou uma combinação incomum de fatores que permitiu seu fortalecimento antes de chegar ao continente.
Estudos posteriores apontaram ainda características atípicas no sistema, como a presença de um núcleo frio, diferente dos furacões tropicais clássicos.
Mais de duas décadas depois, o Catarina continua sendo estudado pela comunidade científica. O fenômeno também permanece como a principal referência quando se fala em furacão no Brasil, justamente por ser o único caso oficialmente registrado no país.
Até o momento, o furacão Catarina é o único caso oficialmente registrado como furacão no Brasil. O fenômeno atingiu o Sul do país em 2004 e deixou um rastro de destruição. A ocorrência, considerada excepcional, mostrou que o Atlântico Sul também pode apresentar condições capazes de produzir sistemas meteorológicos fora do padrão normalmente observado na região.