Um dos passeios mais turísticos de NY pode acabar após tragédia no Central Park
Passeio tem mais de 150 anos
Getty
Uma cena comum nos cartões-postais de Nova York virou alvo de pressão após a morte de um turista no Central Park. As charretes puxadas por cavalos, procuradas por visitantes que querem conhecer o parque de forma tradicional, voltaram ao centro de uma disputa antiga entre cocheiros, autoridades e defensores dos animais.
O caso ocorreu na quarta-feira, 17 de junho. Romanch Mahajan, de 18 anos, visitava a cidade com a família quando foi arremessado do veículo durante o trajeto. Ele chegou a ser socorrido em estado grave, mas morreu no hospital.
Segundo a imprensa americana, o condutor havia descido para tirar uma foto dos passageiros. Nesse momento, o cavalo se assustou e saiu em disparada. A charrete perdeu o controle, e duas pessoas caíram.
A morte foi considerada acidental pelas autoridades de Nova York, mas o episódio aumentou a cobrança por regras mais duras e até pela proibição definitiva da atividade.
Charretes do Central Park podem ser proibidas?
Depois do acidente, o sindicato que representa os cocheiros suspendeu temporariamente os passeios com passageiros. A pausa foi adotada para revisão dos protocolos de segurança e treinamento dos profissionais. A medida, porém, não encerrou a discussão.
Vereadores de Nova York analisam propostas para substituir o serviço por alternativas sem animais. O projeto mais conhecido é chamado de “Ryder’s Law” e prevê uma transição para os trabalhadores que hoje dependem das charretes. O tema já era discutido antes da morte do jovem. Entidades de proteção animal afirmam que cavalos não deveriam circular em áreas urbanas movimentadas, sujeitas a barulho, bicicletas, pedestres e situações imprevisíveis.
O passeio custa a partir de US$ 52.
Como começou a tradição das charretes no Central Park
Os passeios de charrete fazem parte da paisagem do Central Park desde a abertura do parque ao público, em 1858. Na época, os trajetos curvos desenhados por Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux foram pensados para valorizar a vista do parque também a partir de carruagens, um dos principais meios de deslocamento do século 19.
Com o passar dos anos, circular de charrete pelo Central Park virou hábito entre famílias ricas de Nova York, que usavam o espaço para passear e exibir seus cavalos e veículos. Depois, a prática deixou de ser apenas parte da rotina da elite local e se transformou em atração turística, procurada por visitantes de diferentes países.
É justamente esse peso histórico que torna o debate mais sensível. Para quem defende a permanência do serviço, as charretes representam uma tradição ligada à origem do parque e à memória de Nova York. Para os críticos, porém, o fato de uma prática ser antiga não basta para mantê-la em funcionamento em uma cidade muito mais movimentada do que era no século 19.
Veja também: quando estreia Homem-Aranha