Prefeitura de SP barra plano milionário do Nubank no estádio do Palmeiras
Nubank queria instalar uma estrutura de LED de 246 m² na fachada da arena
Estádio do Palmeiras - Crédito: divulgação
A Prefeitura de São Paulo barrou a instalação de um grande painel de LED que o Nubank e a WTorre planejavam colocar na área externa do estádio do Palmeiras, na Zona Oeste da capital. A proposta fazia parte da estratégia de comunicação da nova marca que passou a batizar oficialmente o antigo Allianz Parque.
O projeto previa uma estrutura eletrônica de grandes dimensões na fachada do estádio, mas acabou rejeitado pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), ligada à Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL). O processo foi oficialmente indeferido em abril, com base nas regras municipais que restringem a instalação de painéis eletrônicos luminosos voltados para espaços públicos.
A decisão cria um obstáculo para uma das principais intervenções planejadas para marcar a chegada do Nubank à arena. A empresa terá de buscar uma solução diferente para o espaço externo, enquanto a transformação visual do estádio continua.
Por que a Prefeitura barrou o painel do Nubank?
A decisão da Prefeitura de São Paulo obedece a Lei Cidade Limpa, legislação municipal criada para controlar a comunicação visual e preservar a paisagem urbana de São Paulo. Segundo o despacho publicado pela Prefeitura, a instalação proposta não poderia ser autorizada porque se tratava de um painel eletrônico luminoso na fachada externa de uma edificação. A legislação municipal permite esse tipo de dispositivo em determinadas situações, mas não da forma apresentada no projeto para a arena.
O processo administrativo, identificado pelo número 6068.2026/0002275-3, teve como interessado o Nu Pagamentos S.A.. O endereço informado é a Avenida Francisco Matarazzo, 1705, onde fica o estádio do Palmeiras.
A decisão também cita o Decreto Municipal nº 47.950/2006 e a Resolução SMUL.AOC.CPPU/002/2018, que tratam da inserção de painéis eletrônicos na paisagem urbana.
Em outras palavras, não se trata de uma proibição específica ao Nubank. O problema apontado pela administração municipal está relacionado ao tipo de equipamento e ao local onde ele seria instalado.
A estrutura planejada tinha proporções consideráveis: 41 metros de comprimento por aproximadamente 6 metros de altura, totalizando cerca de 246 metros quadrados. O painel seria instalado na parte externa do estádio, voltado para a região das piscinas do clube social do Palmeiras. A proposta ficava a aproximadamente 120 metros da grade formada pela Avenida Antártica e pela Rua Palestra Itália.
A ideia era utilizar a tela para exibir a identidade do banco e realizar ativações relacionadas à nova fase da arena.
Uma das ações previstas estava ligada justamente à escolha do novo nome do estádio. O Nubank realizou uma votação popular para decidir entre três alternativas: Nubank Parque, Nubank Arena e Parque Nubank.
A opção vencedora foi Nubank Parque, com 47,5% dos votos. Mais de 500 mil pessoas participaram da escolha. Nubank Arena ficou em segundo lugar, com 29,8%, enquanto Parque Nubank recebeu 22,7%.
Nubank Parque já é o nome oficial da arena Apesar do veto ao painel, a mudança de nome do estádio foi concretizada. A arena deixou de utilizar oficialmente a marca Allianz e passou a se chamar Nubank Parque em junho de 2026. A alteração encerrou a identidade adotada desde a inauguração do estádio, em novembro de 2014.
A mudança faz parte de um novo acordo de naming rights entre o Nubank e a WTorre, administradora do complexo.
O negócio colocou o banco digital no centro da identidade comercial de uma das principais arenas de eventos do país. O local recebe partidas do Palmeiras, além de shows, eventos corporativos e outras atrações. Estimativas publicadas na imprensa apontam pagamento na casa de R$ 50 milhões por ano à WTorre, valor aproximadamente duas vezes maior que o associado ao antigo contrato com a Allianz.
Quanto vale o acordo entre Nubank e WTorre?
Os valores não foram divulgados oficialmente pelas partes, mas informações publicadas pela imprensa apontam para um contrato de cerca de US$ 10 milhões por ano, aproximadamente R$ 50 milhões na conversão utilizada nas reportagens.
O acordo foi anunciado como uma parceria de longo prazo e, segundo informações divulgadas em maio, está previsto para vigorar até 2034.
A dimensão financeira ajuda a explicar o investimento em uma nova identidade visual para o estádio. Além da troca de letreiros, placas e elementos de comunicação, a marca passou a ocupar diferentes espaços da arena.
O painel externo, entretanto, esbarrou em uma regra que vale para toda a cidade.