Carne brasileira fora da União Europeia por 2 anos: entenda o que levou a rejeição do Brasil

Carne bovina será a mais afetada

O mercado brasileiro pode sofrer um duro golpe nos próximos dias. A carne brasileira pode levar até dois anos para voltar ao mercado da União Europeia. A previsão foi divulgada nesta segunda-feira (3) pelo presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Carne Bovina, André Bartocci, após reuniões com representantes do Ministério da Agricultura.

A carne brasileira pode levar até dois anos para voltar ao mercado da União Europeia. A estimativa foi apresentada pelo presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Carne Bovina, André Bartocci, após reuniões com representantes do Ministério da Agricultura. O prazo está relacionado às exigências impostas pelo bloco europeu para uma eventual retomada das importações.

O cenário ganha relevância porque a suspensão das compras de produtos brasileiros de origem animal pela União Europeia começa a valer em 3 de setembro. A medida atinge principalmente carne bovina, carne de frango e mel, produtos que fazem parte da pauta de exportações do agronegócio brasileiro.

A decisão europeia não está ligada à qualidade da carne produzida no Brasil. O bloco afirma que o país ainda não oferece garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na criação dos animais, conforme os padrões exigidos pela legislação europeia.

Por que a União Europeia suspendeu a compra da carne brasileira?

A decisão da União Europeia não está relacionada à qualidade da carne produzida no Brasil. O bloco europeu afirma que o país ainda não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na criação dos animais, conforme os padrões exigidos pela legislação comunitária.

Segundo as autoridades europeias, a retomada das importações dependerá da comprovação de que todo o ciclo de produção dos animais atende às novas exigências sanitárias. Por isso, representantes do setor estimam que a adaptação pode levar cerca de dois anos, período equivalente ao ciclo produtivo dos bovinos destinados à exportação.

Atualmente, parte da carne exportada para a Europa exige apenas a comprovação de que determinados antimicrobianos não foram utilizados nos últimos 100 dias de vida do animal. Com as novas regras, a comprovação deverá abranger todo o ciclo de criação.

De acordo com André Bartocci, o período estimado de dois anos acompanha o tempo necessário para que um bovino complete seu ciclo de produção seguindo integralmente os novos protocolos sanitários.

Embora a Comissão Europeia não tenha confirmado oficialmente esse prazo, representantes do bloco informaram que uma eventual retomada das importações dependerá justamente dos ciclos produtivos dos animais e da verificação das medidas adotadas pelo Brasil.

No caso da carne de frango, a expectativa do setor é diferente. Como o ciclo de produção é muito mais curto, representantes da indústria acreditam que as exportações possam ser retomadas antes, dependendo do resultado de uma missão técnica da União Europeia prevista para o fim de agosto.

Governo brasileiro prepara reação ao veto

Caso não haja avanço nas conversas, o Brasil poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e também utilizar os mecanismos previstos no acordo entre Mercosul e União Europeia para contestar a decisão.

Antes mesmo do anúncio do bloqueio, o Ministério da Agricultura publicou normas proibindo o uso de alguns antimicrobianos na pecuária e, posteriormente, criou novos protocolos de fiscalização para atender às exigências europeias. Até o momento, porém, essas medidas não foram suficientes para convencer o bloco a rever a suspensão.

Impacto vai além da carne bovina

Embora a carne brasileira seja o principal produto atingido, o veto também afeta exportações de carne de frango e mel. No setor apícola, o impacto ocorre justamente em um momento de crescimento das vendas para a União Europeia. Com a sobretaxa aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das importações, exportadores brasileiros passaram a direcionar maior volume de mel para o mercado europeu, movimento interrompido pelo bloqueio anunciado em maio.

Especialistas do agronegócio também avaliam que a decisão ocorre em um momento sensível para o comércio internacional, poucos meses após a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia. Representantes do setor produtivo brasileiro consideram que, além das exigências sanitárias, o veto também reflete preocupações de agricultores europeus com a concorrência de produtos agropecuários brasileiros.

Enquanto as negociações continuam, a expectativa do setor é evitar que a suspensão se prolongue e comprometa um mercado que, embora represente parcela menor do volume exportado, agrega valor à carne brasileira e fortalece sua presença em outros mercados internacionais.

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