Valor médio do condomínio chega a R$ 527 e encarece morar em apartamento

Alta dos custos com funcionários, energia, manutenção e segurança tem pressionado as despesas

O custo para morar em condomínio continua aumentando no Brasil e já supera a inflação em alguns mercados. Dados do Cerus mostram que o valor médio das taxas condominiais passou de R$ 516,42 em 2025 para R$ 527,45 em 2026, avanço de 4,62%. O movimento acompanha o aumento das despesas de operação dos empreendimentos, como folha de pagamento, tarifas públicas, manutenção e investimentos em tecnologia e segurança, em um momento de forte crescimento do mercado imobiliário.

O cenário ocorre em meio ao recorde de lançamentos de imóveis registrado no país. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), foram lançadas 453.005 unidades residenciais em 2025, alta de 10,6% em relação ao ano anterior. Com mais condomínios em funcionamento, também cresce o desafio de equilibrar as contas sem elevar excessivamente os custos para os moradores.

Embora não exista um levantamento nacional sobre o valor médio das taxas condominiais, o Índice de Custos Condominiais (ICON), elaborado pelo Secovi-SP, é uma das principais referências do setor. Em 2025, o indicador apontou aumento de 5,29% nos custos dos condomínios da cidade de São Paulo, acima da inflação oficial do período.

Custos operacionais explicam avanço das taxas do condomínio

Entre os principais fatores que pressionam os orçamentos dos condomínios estão os reajustes das despesas com funcionários e encargos trabalhistas. O ICON mostra que esse grupo avançou 7,24% em 2025.

As tarifas públicas também contribuíram para o aumento dos custos. Despesas com água, energia elétrica e gás registraram reajuste médio de 6,45%, enquanto contratos de limpeza, manutenção, portaria, segurança patrimonial e seguros também ficaram mais caros.

Segundo Sarah Castro, diretora comercial do Cerus, praticamente todas as despesas de um condomínio aumentaram nos últimos anos.

“Os condomínios vêm enfrentando aumento na folha de pagamento, encargos trabalhistas, contratos de manutenção, energia elétrica, água, seguros e segurança patrimonial. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de investir em tecnologia, controle de acesso, monitoramento eletrônico e modernização da infraestrutura”, afirma.

Outro fator que pesa no orçamento é o envelhecimento dos edifícios. Condomínios construídos há mais de duas décadas passaram a demandar reformas estruturais, modernização de elevadores, atualização das instalações elétricas e hidráulicas e adequações relacionadas à segurança.

Gestão financeira ganha importância para evitar novos reajustes

Apesar da alta dos custos, especialistas afirmam que a inadimplência condominial permanece relativamente controlada. O desafio, segundo o setor, está em administrar despesas cada vez maiores sem repassar integralmente esses aumentos aos moradores.

O Cerus atende cerca de 1.200 condomínios distribuídos por 18 estados e observa crescimento da procura por soluções voltadas ao fortalecimento do fluxo de caixa, redução dos impactos da inadimplência e melhoria do planejamento financeiro.

Na avaliação da empresa, ferramentas que aumentam a previsibilidade das receitas ajudam síndicos e administradoras a manter o equilíbrio financeiro e diminuem a necessidade de reajustes expressivos nas taxas.

“Hoje, o principal desafio não é apenas controlar a inadimplência, mas administrar um cenário em que praticamente todas as despesas aumentam ano após ano. Quanto mais eficiente for a gestão financeira, menor tende a ser a necessidade de repassar integralmente esses custos aos moradores”, diz Sarah Castro.

Valor do condomínio também influencia compra e aluguel de imóveis

O custo mensal de um imóvel não é formado apenas pela prestação do financiamento ou pelo aluguel. Condomínio e IPTU também entram na conta e podem influenciar diretamente a decisão de compra ou locação.

Embora existam poucos estudos específicos sobre esse comportamento no Brasil, profissionais do mercado imobiliário apontam que taxas condominiais elevadas reduzem o público interessado, principalmente em um cenário de juros altos e orçamento mais apertado.

Quando o valor cobrado não acompanha a infraestrutura e os serviços oferecidos pelo empreendimento, o imóvel tende a perder competitividade e pode permanecer mais tempo disponível para venda ou locação.

Com a expectativa de continuidade dos lançamentos imobiliários em 2026, a tendência é que a gestão financeira dos condomínios ganhe ainda mais relevância. Em um cenário de custos elevados, planejamento orçamentário, controle das despesas e transparência na administração serão fatores decisivos para preservar o equilíbrio das contas e reduzir os impactos no bolso dos moradores.

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