Selic pode cair: Copom decide taxa de juros nesta semana
Com inflação em desaceleração e sinais de alívio nos preços, expectativa do mercado é de redução da taxa básica de juros
Foto: Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir nos dias 4 e 5 de agosto para definir o novo patamar da taxa Selic. Hoje em 14,25% ao ano, a taxa básica de juros pode ser reduzida em 0,25 ponto percentual, segundo a maior parte das projeções do mercado financeiro. A expectativa ganhou força depois da divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que veio abaixo do esperado e mostrou perda de ritmo da inflação.
O índice oficial de inflação subiu 0,16% no mês, resultado inferior às estimativas dos analistas. A queda nos preços dos alimentos e dos combustíveis teve peso importante no desempenho do indicador e diminuiu a pressão sobre o custo de vida das famílias. Ainda assim, o Banco Central deve manter cautela porque a inflação acumulada em 12 meses continua acima do teto da meta.
Além do comportamento dos preços, a autoridade monetária acompanha indicadores como o mercado de trabalho, a atividade econômica e as expectativas para a inflação dos próximos anos. Esses fatores ajudam a definir se há espaço para novos cortes na Selic ou se será necessário manter os juros em um nível mais elevado por mais tempo.
Como a taxa Selic afeta o dia a dia dos brasileiros
A Selic é a taxa básica de juros da economia e influencia praticamente todas as modalidades de crédito disponíveis no país. Quando ela diminui, a tendência é que bancos e instituições financeiras reduzam, aos poucos, os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e outras linhas de crédito.
Quem pretende comprar um imóvel, financiar um veículo ou contratar um empréstimo costuma encontrar condições melhores em um cenário de juros mais baixos. Empresas também passam a pagar menos para obter crédito, o que pode estimular investimentos e contratação de funcionários.
O movimento contrário ocorre quando a Selic sobe. Com juros mais altos, o crédito fica mais caro e muitas famílias adiam compras financiadas. As empresas também reduzem investimentos diante do aumento do custo do dinheiro. Essa estratégia é usada pelo Banco Central para diminuir o ritmo da economia e conter a alta dos preços.
A taxa também influencia quem investe. Aplicações de renda fixa, como Tesouro Selic e CDBs, costumam render mais quando os juros estão elevados. Já em um ciclo de queda da Selic, esses investimentos tendem a oferecer retornos menores, enquanto outros ativos passam a chamar mais atenção dos investidores.
A decisão do Copom, portanto, vai além do mercado financeiro. Ela pode afetar o valor das parcelas de financiamentos, o rendimento das aplicações e até o ritmo da atividade econômica. Por isso, cada reunião do Banco Central é acompanhada de perto por consumidores, empresas e investidores.
Se a expectativa do mercado se confirmar, esta poderá ser a primeira redução da Selic após um período de juros elevados. Os próximos passos dependerão da evolução da inflação e do cenário econômico nos meses seguintes.