Mercado de trabalho no Brasil: 51% dizem que está difícil conseguir emprego

Pesquisa da FGV IBRE mostra que, apesar de sinais de aquecimento, brasileiros estão mais cautelosos sobre as vagas nos próximos meses

O mercado de trabalho no Brasil segue aquecido, mas ainda não transmite segurança para boa parte da população. Levantamento da FGV IBRE divulgado na segunda-feira, 15 de junho, mostra que 51,2% dos brasileiros afirmam que está difícil ou muito difícil conseguir trabalho no país.

O dado faz parte da 12ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho, da Sondagem de Mercado de Trabalho da FGV IBRE, com informações do trimestre encerrado em maio de 2026.

Apesar da maioria ainda enxergar dificuldades para encontrar uma vaga, a pesquisa também mostra um sinal de melhora na percepção atual. Segundo o levantamento, 25,5% dos entrevistados dizem que está fácil ou muito fácil conseguir trabalho, o maior percentual em 12 meses de série histórica. Outros 23,3% avaliam a situação como normal.

O resultado revela um quadro dividido: parte dos brasileiros percebe um mercado de trabalho mais favorável no presente, mas a maioria ainda vê obstáculos para se recolocar ou encontrar uma oportunidade.

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Brasileiros estão cautelosos com o mercado de trabalho

Quando questionados sobre o que esperam para o mercado de trabalho nos próximos seis meses, os entrevistados demonstraram mais cautela. A maior parcela, 37%, acredita que o cenário deve piorar ou piorar muito. Outros 33,3% esperam estabilidade, enquanto 29,6% avaliam que o mercado pode melhorar ou melhorar muito no período.

Para a FGV IBRE, a diferença entre a percepção atual e a expectativa futura mostra que os brasileiros reconhecem uma melhora recente, mas não estão plenamente confiantes na continuidade desse movimento.

“O resultado de maio da sondagem mostra duas percepções diferentes quando se analisa por horizonte temporal. Por um lado, a percepção sobre o momento presente segue melhorando, indicando um mercado de trabalho ainda aquecido. Mas, por outro lado, as pessoas têm se mostrado cada vez mais cautelosas com a manutenção desse cenário”, afirma Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE.

Segundo ele, a primeira metade do ano tem sido marcada por uma taxa de desocupação em níveis historicamente baixos e abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Ainda assim, já há sinais de menor ritmo nas contratações.

A desaceleração da atividade econômica e o aumento da incerteza no cenário macroeconômico ajudam a explicar a expectativa menos otimista para os próximos meses, de acordo com o economista.

O que mede a pesquisa da FGV

Os Indicadores de Qualidade do Trabalho começaram a ser divulgados mensalmente pela FGV IBRE em julho de 2025. A pesquisa usa médias móveis trimestrais e tem como base a Sondagem de Mercado de Trabalho, realizada com brasileiros em idade para trabalhar.

O objetivo é complementar os dados tradicionais sobre emprego com informações de percepção dos trabalhadores. Entre os temas avaliados estão satisfação com o trabalho, chance de perder emprego ou fonte de renda, proteção social, renda suficiente, percepção geral sobre o mercado de trabalho e expectativa para os próximos seis meses.

Como a coleta começou em 2025, a FGV ressalta que ainda não é possível fazer comparações históricas mais longas. Por isso, os primeiros relatórios têm foco em explicar os temas analisados e detalhar os quesitos acompanhados pela sondagem.

Na prática, o levantamento ajuda a entender não apenas os números do emprego, mas também como os brasileiros sentem o mercado de trabalho no dia a dia. O retrato de maio mostra um país com mais oportunidades do que em períodos recentes, mas ainda marcado pela insegurança de quem busca uma vaga ou teme uma piora no cenário econômico.

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