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São Paulo - A carteira de ações do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) - que reúne companhias consideradas sustentáveis por rígidos critérios internacionais - teve um desempenho melhor que o Ibovespa no longo prazo.

Desde a sua criação em 30 de novembro de 2005, o ISE apresentou valorização de 185,01% até 21 de novembro de 2017, enquanto o indicador mais conhecido da bolsa de valores (B3), o Ibovespa - que reúne os papéis mais negociados - teve elevação de 113,72% nessa comparação.

No mesmo período, a volatilidade do ISE foi de 24,67%, ao passo que o Ibovespa registrou oscilação maior, de 27,46%. "Esse produto - o ISE - foi feito para o investidor que olha para o longo prazo. E até por isso, temos um ETF [o fundo listado ISUS] que reflete essa carteira", disse a diretora de sustentabilidade, comunicação e investimento social da B3 e presidente do conselho deliberativo do ISE, Sonia Consiglio Favaretto.

Na prática, fundos internacionais e investidores pessoas físicas atentos às questões de sustentabilidade (perenidade dos negócios) buscam papéis de companhias que se comprometem com princípios de governança corporativa, de gestão de recursos naturais e humanos, e que monitoram eventuais riscos ambientais e sociais. "O ISE tem esse papel de puxar a agenda de sustentabilidade para o mercado", diz Sonia.

Quanto à performance do ISE no curto prazo (um ano), o indicador apresentou elevação de 15,11% nos últimos 12 meses até 22 de novembro. Em igual período, o Ibovespa superou seu topo histórico e mostrou alta de 20,28%. Já o Exchange Trade Fund (ETF) ISUS - a carteira negociada em bolsa que reflete o índice de sustentabilidade - registrou valorização de 19,3% no ano até o final de outubro.

Carteira menor em 2018

A próxima carteira do ISE que irá vigorar de 8 de janeiro de 2018 até 4 de janeiro de 2019 terá papéis de 30 companhias selecionadas, ante 34 empresas listadas em 2017. "Se a companhia não está na lista, ou ela não se inscreveu, ou não foi selecionada", respondeu a diretora de sustentabilidade da B3, sem citar todas as participantes do processo voluntário.

As escolhidas para 2018 são, pela ordem: AES Tietê, B2W, Banco do Brasil, Bradesco, Braskem, CCR, Celesc, Cemig, Cielo, Copel, CPFL, Duratex, Ecorodovias, EDP, Eletropaulo, Engie, Fibria, Fleury, Itaú Unibanco, Itaúsa, Klabin, Light, Lojas Americanas, Lojas Renner, MRV, Natura, Santander, Tim, Vivo (Telefônica) e Weg. Na carteira de 2017 ainda estão relacionadas: BRF, Eletrobras, Embraer e SulAmérica.

Ao todo, do grupo de 200 papéis mais negociados na bolsa de valores brasileiras, 179 companhias foram elegíveis para o processo; 41 empresas se inscreveram, sendo 37 elegíveis, além de quatro candidatas treineiras ou para participarem do simulado.

Questionada sobre o número menor de selecionadas, Sonia Favaretto respondeu que a B3 estuda como elevar a participação. A bolsa de valores brasileira possui 404 companhias abertas listadas, ou seja, menos de 10% concorreram pela listagem no ISE.

Por outro ângulo, a presidente do conselho deliberativo do ISE destacou a qualidade das informações colhidas das participantes e a transparência com a publicação das respostas das empresas ao questionário de avaliação.

Dessa análise qualitativa, 92% das companhias realizaram estudos sobre vulnerabilidades frente à mudança do clima e potenciais impactos sobre o negócio; 93% realizam avaliações periódicas sobre questões de ordem social e ambiental em reuniões do conselho; e 100% declararam ter realizado análises para identificar se há relação direta ou indireta entre suas práticas empresariais e os compromissos voluntários ou dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) da ONU.