Domos gigantes viram solução para acabar com a maior dor de cabeça de obras urbanas
Estruturas infláveis do tamanho de prédios começam a transformar canteiros de obras na China, com promessa de diminuir em até 99% a poeira e melhorar a convivência urbana.
Estrutura inflável é tendência da construção civil
Uma espécie de “bolha gigante” cobrindo prédios inteiros tem chamado atenção nas cidades chinesas. A tecnologia, que parece saída de um filme futurista, começou a ser usada por construtoras para resolver um problema antigo da engenharia urbana: a poeira, o barulho e a sujeira provocados por grandes obras em áreas densamente povoadas.
Os chamados domos infláveis funcionam como uma cápsula que isola o canteiro de obras do ambiente externo. Dentro da estrutura, operários e máquinas seguem trabalhando normalmente, enquanto a cobertura ajuda a impedir que partículas de poeira, resíduos e ruídos se espalhem pelas ruas, prédios e comércios ao redor.
A solução vem ganhando espaço em grandes centros urbanos da China justamente por permitir que obras avancem sem causar tantos transtornos para moradores vizinhos.
Como funcionam as bolhas gigantes nas construções
Os domos são produzidos com membranas resistentes de poliéster revestidas com PVDF, material bastante utilizado em coberturas técnicas por suportar condições climáticas extremas.
A estrutura é mantida de pé por pressão de ar constante. Ventiladores industriais trabalham continuamente para deixar a “bolha” inflada, eliminando a necessidade de pilares internos e permitindo que todo o espaço da obra fique livre para circulação de máquinas e equipamentos.
Além de cobrir o canteiro, a tecnologia também ajuda a controlar temperatura, circulação do ar e dispersão de partículas no ambiente.
Em Guangzhou, uma dessas estruturas foi instalada sobre uma área de reforma com quase 9 mil metros quadrados. Já em Shenzhen, um domo chegou a cerca de 40 metros de altura e cobriu mais de 12 mil metros quadrados de obra.
Segundo dados divulgados por autoridades locais, algumas dessas coberturas conseguem bloquear até 99% da poeira e reduzir aproximadamente 90% do ruído gerado pela construção.
Tecnologia tenta reduzir impacto das obras nas cidades
Muito além da sujeira visível nos carros e calçadas, a poeira produzida em construções preocupa especialistas por causa do chamado material particulado — pequenas partículas que podem permanecer suspensas no ar e serem inaladas.
Estudos científicos apontam que regiões próximas a obras podem registrar níveis de partículas muito acima do considerado seguro. Em curto prazo, a exposição pode causar irritação nas vias respiratórias, crises alérgicas, chiado no peito e agravamento da asma, especialmente em crianças e idosos.
Quando o contato ocorre por períodos prolongados, os riscos aumentam. Partículas finas presentes em materiais como concreto, areia e argamassa podem carregar sílica cristalina, substância associada a doenças pulmonares graves, incluindo silicose, DPOC e câncer de pulmão.
Por isso, além de melhorar a convivência urbana, os domos infláveis também surgem como alternativa para reduzir impactos ambientais e riscos à saúde pública em grandes cidades.
Domos podem ser desmontados e reutilizados
Apesar das dimensões impressionantes, os domos foram projetados para serem desmontados com relativa facilidade. Após o uso, as estruturas são esvaziadas e transformadas em grandes mantas dobráveis, que podem ser transportadas em caminhões convencionais para outros canteiros de obras.
Alguns modelos ainda contam com sistemas inteligentes de monitoramento, pulverização de água para controle da poeira e mecanismos de resfriamento interno.
Com o crescimento das megacidades e o aumento das restrições ambientais, especialistas avaliam que soluções desse tipo podem se tornar cada vez mais comuns em projetos urbanos de grande porte nos próximos anos.