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Os integradores de computadores, fabricantes que não pagam impostos e importam componentes ilegalmente, respondem por cerca de 75% do mercado brasileiro de PCs (personal computers), estimado em 3,7 milhões de unidades em 2004. No ano passado, quando o chamado "mercado cinza" respondia por 70% das vendas, o setor teve volume de 3,1 milhões de unidades. De acordo com Ivair Rodrigues, gerente de pesquisas de tecnologia da informação e telecom do instituto International Data Corporation Brasil (IDC), o incremento de 20% nas vendas do segmento deve-se quase que totalmente ao aumento da participação dos integradores no mercado.

Cristina Palmaka, vice-presidente do grupo de sistemas pessoais da HP Brasil , afirma que a linha de notebooks, que tem recebido grandes investimentos da empresa, impulsiona o crescimento da HP em 2004, apesar da barreira imposta pelo avanço do mercado cinza principalmente no segmento de desktops. Segundo a executiva, o mercado de mobilidade ainda é pequeno no Brasil, respondendo por 5% do volume de vendas anuais de PCs. A possibilidade de expansão do mercado, seguindo as tendências mundiais, torna-se uma oportunidade para a HP crescer. Palmaka indica que a empresa está longe de atingir o limite de sua capacidade produtiva e pode atender a um grande aumento de demanda. Segundo dados da IDC Brasil, no Japão os notebooks já representam 60% das vendas anuais de computadores.

Apesar do aumento da participação dos integradores no mercado nacional de PCs, Palmaka afirma que 2004 pode ser considerado um ano de retomada para as empresas legais do setor. "Após o pico de vendas no ano 2000, o segmento de computadores sofreu diversas quedas. O ano passado foi duro por questões de instabilidade política e econômica. Este ano estamos com fôlego melhor".

Irineu Govea, diretor da Itautec , está menos otimista quanto à evolução do mercado legal de computadores. O executivo explica que apesar da estimativa de aumento do volume de unidades vendidas este ano no Brasil em relação ao ano passado, o fato da participação de fabricantes ilegais no mercado ter aumentado 5 pontos percentuais indica que as grandes empresas regulares permanecem estáticas.

De acordo com estudo divulgado ontem pela IDC Brasil, a diferença de preço para o consumidor final entre os produtos regulares e ilegais é de cerca de 40%. Os encargos tributários sobre as mercadorias fabricadas por empresas legais correspondem a 30% do preço.

HP Brasil e Itautec mantêm média participativa de 4% cada umano segmento