Bolsonaro gera polêmica em discurso na ONU; entenda o que aconteceu

O Debate Geral tem a participação de 193 Estados-Membros da Organização. A Assembleia Geral ocorre anualmente para discutir temas internacionais, no mês de setembro.

Pandemia do novo coronavírus, incêndios na Amazônia e Pantanal, e até Auxílio Emergencial de US$ 1 mil foram alguns dos assuntos que marcaram o discurso de Jair Bolsonaro na ONU, na terça-feira (22). O presidente do Brasil foi responsável pela abertura da 75ª edição da Assembleia Geral que reúne os países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU). A participação do mandatário brasileiro dividiu opiniões e agitou as redes sociais. Entenda o que aconteceu:

O que é a Assembleia Geral da ONU?

A Assembleia Geral da ONU é o principal órgão de diálogo entre os países, realizada anualmente. Contudo, por causa da pandemia, os representantes de cada nação participante discursam de forma virtual pela primeira vez na história.

“A pandemia não é o único problema que o mundo enfrenta. Racismo, intolerância, desigualdade, mudanças climáticas, pobreza, fome, conflitos armados e outros males continuam sendo desafios globais. Estes desafios exigem uma ação global, e na 75ª Assembleia Geral é uma oportunidade para todos se reunirem e traçarem um curso para o futuro”, informa o portal da ONU.

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Em 2020, o evento será realizado entre os dias 17 de setembro e 5 de outubro. Sendo assim, o Debate Geral tem duração de 8 dias, começando hoje (22) até o dia 29, deste mês. A saber, o tema deste ano é “o futuro que queremos, as Nações Unidas de que precisamos: reafirmando nosso compromisso coletivo com o multilateral”.

Em resumo, dentre as principais funções do evento estão:

  • Discussão de questões ligadas a conflitos militares. Em exceção, assuntos pertencentes ao Conselho de Segurança Nacional;
  • Debater sobre formas e meios de  para melhorar as condições de vida das crianças, dos jovens e das mulheres;
  • Promover iniciativas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, meio ambiente e direitos humanos.

Quem pode participar?

A Assembleia Geral reúne todos os Estados-Membros da ONU, totalizando 193 países. Dessa forma, cada país tem direito a um voto, ou seja, existe total igualdade entre todos seus membros.

 

Qual é o papel do Brasil na Assembleia da ONU?

O Brasil é um dos Estados fundadores da ONU. Além disso, foi o primeiro país do mundo a aderir à Organização.

O então presidente, Getúlio Vargas, e o ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha, tiveram grande importância na história da ONU, criada logo após da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em outubro de 1945. Sobretudo, Aranha presidiu a primeira sessão da Assembleia e a segunda sessão ordinária, que discutiram a criação do Estado de Israel, com voto favorável do Brasil.

Sendo assim, desde 1955, o Brasil é o primeiro país a discursar nas Assembleias Gerais, na abertura do evento anual. Em seguida, o discurso é do país anfitrião, os Estados Unidos.

 

Discurso Bolsonaro – Assembleia da ONU

Gravação do discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU 2020
Foto:Marcos Corrêa/PR

O discurso de Jair Bolsonaro na ONU durou cerca de 14 minutos. O presidente falou sobre a crise econômica, enfrentamento da pandemia e a situação da preservação e desmatamento da Amazônia Legal. Contudo, muitas informações foram inverdadeiras e inconsistentes, segundo portais de checagem de notícias.

Confira, a seguir algumas partes do discurso incoerentes, segundo o portal Aos Fatos*:

 

“Desde o princípio, alertei, em meu País, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade.” 

FALSO

O discurso de Bolsonaro na ONU sobre a pandemia realmente foi, desde o começo, que o coronavírus traria dois problemas ao Brasil, um econômico e um de saúde pública. O presidente, porém, não tratou as duas questões com o mesmo peso, já que, desde o início da pandemia no país, ele tem minimizado os efeitos da Covid-19. Em diversas entrevistas e declarações públicas, Bolsonaro relacionou a doença a uma “gripezinha” e chegou a dizer, em discurso realizado no dia 18 de setembro, que o isolamento social seria “conversinha mole” e que as medidas de restrição de circulação seriam para “os fracos”. Além disso, durante a pandemia, o presidente também desrespeitou recomendações sanitárias ao causar aglomerações e circular sem equipamento de proteção.

Fontes:Valor Econômico; UOL

“Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da Federação. Ao Presidente, coube o envio de recursos e meios a todo o País.”

FALSO

Na verdade, o que o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu foi que o governo federal deveria respeitar a autonomia de estados e municípios para tomar medidas de isolamento contra a Covid-19, mas que o dever de combater a pandemia era compartilhado entre todas as instâncias do poder público. Foi do governo federal, inclusive, a decisão de fechar fronteiras com países vizinhos. Bolsonaro já repetiu tal argumentação falsa mais de 50 vezes, segundo o contador do Aos Fatos de declarações do presidente.

Fontes:Aos Fatos; Agência Brasil

 

Concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente 1.000 dólares…

EXAGERADO

O auxílio emergencial, que começou a ser pago em abril deste ano, terá ao todo nove parcelas (cinco de R$ 600 e quatro de R$ 300) que, juntas, somam um benefício de R$ 4.200. Na cotação do dólar de 21 de setembro (US$ 1 dólar a R$ 5,44), segundo o Banco Central, o total das parcelas do auxílio emergencial soma US$ 771,49. Bolsonaro, portanto, inflou em 29,6% o valor do auxílio concedido pelo governo.

Fontes: Governo federal; Banco Central

As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição.

FALSO

Por mais que a região do Pantanal tenha sofrido com a alta temperatura e a baixa umidade relativa do ar, Bolsonaro omite que a hipótese principal das investigações é a de que os incêndios sejam criminosos. Segundo o inquérito da PF (Polícia Federal) divulgado pelo Fantástico, imagens de satélite mostram que o início das queimadas se deu em quatro fazendas da região. Além disso, a fala do presidente sugere que o fogo no Pantanal seria corriqueiro, o que esconde que os focos registrados em 2020 são os maiores da série histórica, que começou em 1998. Até o dia 21 de setembro, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) identificou 16.119 focos de calor no bioma. O recorde anterior era de 2005 que, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro, registrou 12.536 focos.

Fontes: G1; Inpe

 

E, no primeiro semestre de 2020, apesar da pandemia, verificamos um aumento do ingresso de investimentos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo.

FALSO

Dados do Banco Central não indicam o aumento do ingresso de investimentos diretos no país mesmo com a pandemia de Covid-19. Segundo a instituição, nos primeiros seis meses de 2019, o Brasil recebeu US$ 66,2 bilhões em investimentos. Em 2020, no entanto, o Banco Central registrou US$ 61,4 bilhões, número cerca de 7,3% menor.

Fonte: Banco Central

 

*Todas as informações sobre o discurso de Bolsonaro na ONU foram retiradas na íntegra do portal Aos Fatos.

 

Discurso de Bolsonaro na ONU em 2020

Por fim, confira o discurso de Bolsonaro na íntegra:

 

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Fonte Aos Fatos

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