Quem é Mariana? Janones resgata investigação sobre Flávio Bolsonaro

Entenda a polêmica

O deputado federal André Janones (Avante-MG) anunciou nesta quarta-feira (21) que chegou o momento de revelar quem é Mariana. Em uma publicação no X, antigo Twitter, o parlamentar afirmou que decidiu guardar a informação por causa do cenário eleitoral de 2026.

“Eu tive que ter muito sangue frio pra segurar essa informação até aqui, até porque poderíamos ter perdido a eleição no primeiro turno e nem ter o segundo! Mas eu arisquei e deu certo: é chegada a hora do BRASIL saber quem é a Mariana!”, escreveu.

A postagem foi acompanhada da hashtag #QuemEMarianaFlavio, que associa o assunto ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Janones, no entanto, não apresentou o nome completo da mulher nem explicou o conteúdo da revelação. A identidade mencionada pelo deputado ainda não foi confirmada.

Quem é Mariana associada a Flávio Bolsonaro?

A repercussão resgatou o nome de Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela foi citada em uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) sobre suspeitas de rachadinha, prática de devolução de parte dos salários de servidores.

Em reportagem publicada em dezembro de 2019, o UOL, com informações da Agência Estado, relatou que um documento do Ministério Público apontava 15 transferências bancárias feitas pelo então assessor Jorge Luis de Souza para Mariana, entre janeiro de 2007 e março de 2008.

Os valores somavam R$ 39,4 mil, equivalentes a cerca de 45% da remuneração do servidor, segundo a apuração divulgada na época. O relatório também mencionava saques de aproximadamente R$ 134 mil realizados por Mariana durante o período em que trabalhou no gabinete.

Esses dados foram apresentados como elementos de uma investigação sobre possível recolhimento de salários. Não representam, por si só, uma condenação judicial de Mariana.

Até o momento, não há confirmação de que a mulher mencionada por Janones seja essa ex-assessora. A relação entre os dois nomes decorre do contexto da publicação e do resgate do caso antigo.

O andamento judicial é essencial para contextualizar as informações. Em novembro de 2021, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou quatro dos cinco relatórios de inteligência financeira do Coaf utilizados para embasar a denúncia criminal contra Flávio Bolsonaro. Segundo o tribunal, o compartilhamento dos dados ocorreu de forma irregular.

Em maio de 2022, a denúncia contra o senador foi rejeitada após a anulação das provas. Posteriormente, novas tentativas de reabrir as apurações enfrentaram decisões contrárias da Justiça.

Em reportagem de março de 2026, a Folha de S.Paulo informou que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro havia rejeitado uma nova tentativa de quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador. O jornal também noticiou que um recurso para reabrir as apurações criminais foi negado pelo ministro Gilmar Mendes em 2025.

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