Quem é o deputado Daniel Silveira, preso por ordem do STF?

Deputado do PSL foi preso em flagrante após decisão do ministro Alexandre de Moraes. Daniel Silveira divulgou um vídeo em que fez apologia ao AI-5 e ameaçou ministros do STF.

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) foi preso em flagrante na madrugada desta quarta-feira, 17 de fevereiro, por ordem do ministro Alexandre de Moraes e unanimidade do Supremo Tribunal Federal (STF). Mantido na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Daniel Silveira responde por crime inafiançável por atacar a Constituição federal e ameaçar ministros.

O STF decidiu na tarde desta quarta, manter a decisão de Alexandre de Moraes. Agora, o destino do deputado fica a critério da Câmara dos Deputados, que vai realizar um plenário e votação para decidir se a prisão de Daniel Silveira é legitima ou não. Através das redes sociais, o deputado gravou um vídeo sobre a ordem de prisão.

“Eu vou colocar um por um de vocês em seus devidos lugares. Pelo meu país estou disposto a matar, morrer, tanto faz” disse Daniel Silveira em dado momento na filmagem. Ele também disse para Alexandre de Moraes que o ministro estava “entrando em uma queda de braço que não pode vencer”. “Não adianta tentar me calar. Eu já fui preso mais de 90 vezes na polícia militar do estado do Rio de Janeiro, fiquei em lugares que você nem imagina”, completou.

 

Quem é Daniel Silveira

Foto mostra deputado Daniel Silveira com camisa de Bolsonaro
Daniel Silveira é um deputado eleito pelo PSL no Rio de Janeiro, em 2018. (Foto: Twitter/ Daniel Silveira/Divulgação)

Daniel Lucio da Silveira tem 38 anos e nasceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Filiado ao Partido Social Liberal (PSL), o deputado é ex-policial militar e declaradamente conversador de direita. Ele também é defensor do governo de Jair Bolsonaro (sem partido).  O seu primeiro contato com a política aconteceu em 2018, quando foi eleito com 31.789 dos votos para a 56ª legislatura da Câmara dos Deputados.

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Daniel Silveira chamou atenção após viralizar nas redes sociais com um vídeo ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim. Os quebraram uma placa em homenagem à Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018 no Rio. Na época, o candidato afirmou que a placa era ostensiva e um ato de vandalismo, já que ela cobria a sinalização da praça Floriano Peixoto. Confira o momento abaixo:

Em 2019, após ser eleito para a Câmara dos Deputados, Daniel Silveira teve seu nome envolvido em diversos episódios polêmicos. quase sempre relacionados a declarações ideológicas, como, por exemplo, a PL para instituir o “Dia Nacional em Memória das Vítimas do Comunismo no Brasil”. Ele acredita que é preciso “conscientizar os brasileiros da ameça comunista”.

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Em novembro do mesmo ano, o STF abriu um processo contra o deputado sob acusação de manifestações antidemocráticas que incitam a volta da ditadura militar no país. Uma postagem no Twitter foi o que levou Daniel Silveira a ser condenado em segunda instância. Na ocasião, o deputado bolsonarista escreveu: “Se precisar de um cabo, estou a  disposição”.

A citação fez referência a uma declaração dada por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) durante a campanha política em 2018. “Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo (…) Tira o poder da caneta da mão de um ministro do STF, o que ele é na rua?”.

Agressão de jornalista

Daniel Silveira agrediu o jornalista Guga Noblat em outubro de 2019. O momento foi registrado pelo próprio jornalista, que teve seu aparelho celular arremessado no chão pelo deputado. Na época, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota contra a ação do deputado e incitou a Câmara para tomar providência sobre a infração, mas nada foi feito.

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Guerra de Daniel Silveira contra o STF

O deputado do PSL é conhecido por provocar o STF desde 2019. Após a primeira declaração que fez alusão a uma tomada do Congresso, considerado crime de acordo com a Lei de Segurança Nacional (LSN), sancionada durante a ditadura militar brasileira (1964/1985), Daniel Silveira voltou a alfinetar os ministros em dezembro de 2020.

Daniel Silveira ameaçou o STF e o TSE em sua defesa ao voto impresso: “O voto impresso vai acontecer ou então o STF e a Justiça Eleitoral não mais existirão porque a gente não vai permitir”. O deputado chamou os ministros do STF de marginais, e “moleque”, Luis Roberto Barroso, o presidente do TSE.

‘Motivo de orgulho’, diz deputado

No último dia 16 de fevereiro, o deputado do PSL divulgou em seu canal do Youtube e em outras redes sociais, um vídeo em que faz diversas declarações contra o STF e fazendo apologia ao AI-5, ato antidemocrático imposto pela ditadura militar no Brasil. A gravação foi tirada do ar pela plataforma, que diz: “Este vídeo foi removido por violar a política do Youtube sobre assédio e bullying”.

Em seu Twitter, Daniel Silveira afirmou que sente orgulho pelo motivo o qual o levo à prisão. “Aos esquerdistas que estão comemorando, relaxem, tenho imunidade material. Só vou dormir fora de casa e provar para o Brasil quem são os ministros dessa suprema corte. Ser ‘preso’ sob estas circunstâncias, é motivo de orgulho”, escreveu.

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