O que acontece com quem não toma vacina: consequências e cuidados

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido), se recusa a tomar a vacina e isso faz com que algumas pessoas questionem os benefícios da vacinação. Ainda que não garanta uma proteção completa, já que nenhum remédio ou imunizante feito no mundo tem 100% de eficácia contra alguma doença, é importante destacar que a campanha de imunização tem sido benéfica à população. Além disso, vale lembrar também o que acontece com quem não toma a vacina.

De acordo com especialistas em imunologia, ou seja, quem estuda o processo das vacinas, as doses aplicadas no país são boas, principalmente para reduzir a chance do paciente desenvolver um quadro mais grave de coronavírus. Infectologistas (quem pesquisa as infecções, incluindo a covid) também recomendam a imunização, sobretudo quando ela é feita em grande escala. Somente assim, quando todos os habitantes estiverem com o ciclo vacinal completo, será possível pensar numa vida pós-pandemia.

O que acontece com quem não toma vacina?

De acordo com o médico infectologista Rodrigo Nascimento, tomar vacina contra a covid traz muitos benefícios para o indivíduo. Em uma perspectiva individual, isso faz com que você tenha um pouco mais de chance de não desenvolver formas graves da enfermidade, principalmente. Ou seja, isso não acontece com quem não toma vacina.

Isto é, quando uma pessoa é infectada pelo coronavírus, vírus que causa a doença da covid-19, seja por meio do contato com uma pessoa doente, ou por outra forma, ela pode ter vários tipos de desenvolvimento. Em casos isolados, não chegam a demonstrar sintomas.

No entanto, muitos casos ficam piores e desenvolvem sintomas como febre, dor na garganta, dor de cabeça, cansaço, dentre outros. Esses fatores podem piorar ainda mais e gerar dificuldades respiratórias ou falta de ar, fazendo com que a pessoa tenha de ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Veja alguns dos sintomas mais relatados, de acordo com o Ministério da Saúde. Vale lembrar que caso suspeite de qualquer um desses sinais, busque um médico imediatamente.

Mais comuns Menos frequentes
Sintomas graves
Tosse Dor de garganta
Dificuldade para respirar
Cansaço Dor de cabeça ou dores no corpo
Perda da fala ou de mobilidade do corpo
Febre Irritação nos olhos Falta total de ar
Perda de paladar Diarreia Confusão
Perda de olfato Irritações na pele ou mesmo descoloração dos dedos dos pés ou mãos Dores no peito

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Existe imunidade coletiva?

O médico Rodrigo Nascimento explica também que a vacinação pode fazer com que você esteja protegido, indiretamente, por conta de um fator coletivo. Ou seja, se todos ao seu redor estiverem vacinados, você tem menos chance de pegar a covid. Mas isso só acontece quando você também recebeu a proteção.

Todas as variantes de covid que apareceram até agora são suscetíveis às principais vacinas que surgiram. Isso não impede que apareça uma variante que seja resistente a essas vacinas. Mas a vacinação já tem resolvido.

Além disso, segundo ele, com menos internações, os hospitais públicos e particulares não ficarão tão superlotados como estiveram em meados de abril, gerando um desafogo para as equipes de saúde e um melhor atendimento hospitalar.

Segundo a imunologista e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Inês Aparecida Tozetti, as vacinas são sim, capazes de reduzir casos graves da doença, até mesmo infecção. Além disso, o maior benefício é quando ela é aplicada em uma grande parcela da população. Assim, o ideal é que todos estejam vacinados.

Vacina da covid funciona mesmo?

A pesquisadora defende o uso de imunizantes, seja lá qual for a patente. No começo do ano, mesmo com exceções, muitos idosos não morreram de covid por conta do início da vacinação.

Ela explica que a CoronaVac, por exemplo, primeira vacina a ser usada no Brasil, usa a mesma tecnologia de vírus inativado, que está presente em uma série de vacinas, tais como as da gripe, que a população idosa toma todos os anos. No país, diz a especialista, a influenza (gripe) está controlada, muito em função da campanha de vacina gripal.

“Com o aumento da cobertura vacinal e a aplicação de forma mais rápida, mais pessoas estarão protegidas e o vírus circulará menos, teremos então menos casos de infecção. Por isso é importante tomarmos duas doses de qualquer vacina, aquela que tiver no momento para nos vacinarmos. Dessa forma, vamos colaborar para diminuir a circulação do vírus.”

Mesmo assim, ela ressalta que há pessoas que podem morrer da covid, mesmo vacinados. Isso acontece porque nenhum medicamento ou vacina do mundo é 100% capaz de prevenir uma doença. Por isso, tomar a vacina te deixa mais protegido, mas não te torna invulnerável. “Mas com certeza, tais ocorrências serão em menor número do que se não houvesse a vacinação da população”, completa.

Por isso, ela reforça que é importante manter as medidas básicas como uso de máscaras adequadas, distanciamento social, além da higiene das mãos.

Devemos convencer quem não tomou vacina?

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Se até mesmo o presidente do Brasil foi impedido de assistir, em 10 de outubro, uma partida de futebol entre Santos e Grêmio, por conta de uma exigência de vacinação, cobrada em estádios de São Paulo, além de uma série de outros lugares e eventos no país, a população em geral deverá assumir os riscos em recusar a vacina, que é um recurso desenvolvido para salvar vidas e proteger as pessoas.

Em território brasileiro, a Lei não obriga nenhuma pessoa a se vacinar contra a doença. Entretanto, alguns estabelecimentos privados já têm adotado essa regra. Além disso, governos e municípios já colocam em prática medidas como o passaporte da vacina. Isso foi garantido, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2020.

Além disso, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) já decidiu que empresas podem demitir por justa causa os funcionários que se recusarem a tomar a vacina. A visão do órgão é que isso traz proteção a todos os colegas.

Essa prática seria para incentivar a população a se proteger. Dessa forma, tais autoridades ou proprietários defendem que o direito coletivo à proteção é maior que o direito individual.

 

O que acontece com quem não toma vacina?

Vários lugares do país já têm proibido entrada de pessoas não vacinadas. Historicamente, isso não é novidade no Brasil. Quem se alista no exército deve ter a carteira de vacinação completa, por exemplo. Esse grupo, aliás, foi incluído como prioritário ainda em janeiro de 2021. Nos EUA, o exército americano chegou a afirmar que todos os militares na ativa eram obrigados a estarem vacinados.

Também, há lugares no mundo que não aceitam quem não tem vacina da febre amarela, tétano ou poliomielite, por exemplo. Aliás, a vacinação da covid é exigida, para que o indivíduo não faça quarentena, em uma diversidade de países de todos os continentes.

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Segundo a médica Rosana Richtmann, do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia, essas medidas ajudam para que todo mundo não deixe de se vacinar. “É um direito do cidadão que foi vacinado não ser exposto a pessoas vulneráveis que possam transmitir o vírus num ambiente de risco”. Por outro lado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é mais cético. Em entrevista feita em 27 de agosto, afirmou que “o passaporte não ajuda em nada”.

Ainda assim, vale lembrar que é importante levar em consideração se a vacina tem chegado a todos. Somente nas últimas semanas, o Brasil tem distribuído com maior abrangência suas vacinas. Até o momento, menos da metade da população já foi imunizada.

A vacina da covid é segura?

Desde janeiro, o Brasil aplicou cerca de 252 milhões de vacinas, seja de 1ª dose, 2ª dose ou dose de reforço. De acordo com o governo federal, até o presente momento, não houve nenhum óbito confirmado como sendo ocasionado pela vacina.

A eficácia (chance de proteger) e segurança (chance de dar efeito colateral) são estudadas pelas fabricantes dos imunizantes, por meio de estudos clínicos. Tais pesquisas selecionam voluntários, dispostos a receber a vacina, e analisam os efeitos.

Depois disso, esses resultados são apresentados para os governos ao redor do mundo e são aprovados, ou não. Por exemplo, no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu aval para quatro vacinas. São elas, a CoronaVac, Janssen, AstraZeneca e Pfizer.

Outras chegaram a ser analisadas, mas não passaram no controle de qualidade do órgão. Por exemplo, a Covaxin, Sinopharm ou Sputnik V não são usadas em território brasileiro.

Quem pode tomar vacina da covid?

No Brasil, todos que tenham 12 anos ou mais podem procurar a vacinação. No entanto, algumas das patentes são indicadas, por regra, apenas a alguns grupos. Tanto a Pfizer quanto a CoronaVac podem ser aplicadas em mulheres grávidas e puérperas (que tiveram filho nos últimos 45 dias), exclusivamente.

Além disso, crianças e adolescentes que tenham 12 a 17 anos podem receber a vacina da covid. No entanto, só estão permitidas as doses da Pfizer.

Devo me preocupar com as reações?

Os remédios e vacinas têm bulas que listam todas as informações necessárias sobre esses fármacos. Em todos esses casos, há efeitos colaterais que podem, ou não, acontecer. Alguns desses, a possibilidade é tão pequena que é praticamente impossível saber se isso já aconteceu. Contudo, tudo isso é documentado por Lei, para garantir mais transparência ao processo farmacêutico.

A bula da Pfizer, por exemplo, diz que esse imunizante pode dar algumas reações como dor no braço, ou um inchaço. Além disso, pode acontecer também cansaço, dor de cabeça, diarreia, dor nos músculos ou articulações. Por fim, estão entre os efeitos relatados calafrios e febre. Já a da Coronavac diz sobre dor no local da aplicação, dor de cabeça ou cansaço.

Conforme as bulas das vacinas da AstraZeneca e Janssen, há reações como dor no local da injeção, cansaço, febre, náusea/enjoo, além de dores musculares ou em articulações.

Por que precisar tomar dose de reforço?

Um fator que é importante sempre destacar é a dose de reforço. Para as vacinas CoronaVac, Pfizer e AstraZeneca, é preciso tomar duas doses para ter o primeiro ciclo vacinal completo. Já as doses da Janssen são as que precisam apenas de uma dose única. Somente assim, segundo as bulas, o efeito é potencializado e a proteção aumenta.

Para a imunologista Inês Tozetti, há também o efeito chamado de “imunosenescência”. Isto é, um envelhecimento natural do sistema imune. Por isso, o Ministério da Saúde e vários órgãos médicos indicam que o indivíduo deve tomar a dose de reforço, popularmente conhecida como 3ª dose, passados pelo menos seis meses da última vacina anti-covid aplicada.

Não só no Brasil isso existe. Por exemplo, Israel teve uma das campanhas de vacinação contra a covid-19 mais rápidas do mundo (lá, é exigido o passaporte da vacina, inclusive) e eles já preveem aplicação de 3ª dose a adolescentes, de 12 anos ou mais, nos próximos meses.

Quem pegou covid pode tomar vacina?

Não apenas podem, como devem. Isso é o que indicam os especialistas ouvidos pelo DCI, assim como entidades mundiais e diversos outros estudiosos do tema. Na contramão disso, em diversos lugares, até em um evento da Organização das Nações Unidas (ONU), Jair Bolsonaro afirma que não tomará vacina pois já teve covid.

Assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a população busque a vacina, mesmo que já tenha contraído coronavírus em algum momento de sua vida.

Isso ocorre porque a resposta imune da vacina é maior que a da infecção, sobretudo para as variantes. Essas mutações da covid surgem justamente quando o vírus se espalha com facilidade, e pode gerar chance de uma reinfecção. Ou seja, quem pegou a covid uma vez, pegar novamente.

Todas as vacinas usadas no Brasil apresentaram bons resultados contra algumas das principais variantes mundo afora, como por exemplo a Delta. Segundo a Pebmed, estudos indicam que as vacinas proporcionam mais imunidade do que a infecção direta pelo vírus.

Portanto, o discurso de Bolsonaro tem sido contrário ao que indicam especialistas no assunto, além de recomendações médicas. Entretanto, líderes de outras nações, em boa parte, se vacinaram contra a covid e deram exemplo para que a população fizesse o mesmo. Presidentes dos Estados Unidos, França, Alemanha, Argentina, México, Turquia ou Japão – de governos politicamente alinhados com a direita ou esquerda – fizeram esse apelo.

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