Temperatura Máxima Hoje (16/8): Gran Turismo: de Jogador a Corredor na Globo
O drama elegante da Sony, que narra a história de um gamer que se torna piloto, ostenta potência e emoção.
Reprodução/Filme
A Temperatura Máxima deste domingo, 16 de agosto, irá exibir o filme Gran Turismo: de Jogador a Corredor na Globo, a partir das 12h25. O longa é estrelado por David Harbour, Orlando Bloom e Archie Madekwe. Dirigido por Neill Blomkamp, o longa é baseado em uma história da vida real diretamente relacionada aos jogos. Na produção, conhecemos o jovem Jann Mardenborough, cujas habilidades impressionantes no Gran Turismo o levaram de jogador a corredor profissional.
Sobre o que é o filme Gran Turismo
O filme Gran Turismo poderia ser apenas mais uma adaptação de videogame para o cinema. A Sony, no entanto, escolheu outro caminho. Em vez de reproduzir na tela as corridas do famoso simulador, o filme conta uma história real sobre um jogador que conseguiu transformar sua habilidade no videogame em uma carreira como piloto.
O protagonista é o britânico Jann Mardenborough, interpretado por Archie Madekwe. Desde adolescente, ele passa horas jogando Gran Turismo e leva o simulador muito mais a sério do que seu pai, vivido por Djimon Hounsou. Para ele, aquilo é uma perda de tempo. Afinal, jogar videogame dificilmente parece o caminho mais provável para chegar a uma profissão.
A situação muda quando Danny Moore, personagem de Orlando Bloom, apresenta à Nissan uma proposta inusitada: criar uma competição para descobrir se os melhores jogadores de Gran Turismo poderiam se tornar pilotos de verdade. Surge, assim, a GT Academy, que coloca jogadores diante da possibilidade de trocar o volante virtual por carros de corrida reais.
É justamente essa premissa que dá ao filme seu principal atrativo. Gran Turismo parte de uma pergunta que parece absurda à primeira vista: até que ponto alguém treinado em um simulador pode competir com pilotos que passaram anos dentro de carros de corrida?
Jann precisa descobrir a resposta na prática. Depois de vencer a competição, ele deixa o ambiente controlado do videogame e passa a enfrentar pilotos experientes nas pistas. O jogador que antes era tratado como alguém que apenas passava tempo diante de uma tela agora precisa provar que consegue fazer curvas, frear e ultrapassar quando as consequências são reais.
Nesse processo, ele conta com a orientação de Jack Salter, interpretado por David Harbour. Ex-piloto de corrida, Salter se tornou um engenheiro depois de ver sua própria carreira não chegar onde esperava. Ranzinza e desconfiado, ele não está disposto a acreditar que jogadores de videogame possam simplesmente entrar no automobilismo profissional.
A relação entre os dois segue uma fórmula conhecida dos filmes esportivos: o jovem talentoso precisa convencer o veterano de que merece uma oportunidade. Não há exatamente novidade nessa dinâmica, mas ela funciona porque o ponto de partida de Jann é diferente do habitual. Ele não é um atleta desconhecido tentando chegar ao topo. É um jogador tentando convencer pilotos de que sabe correr.
As cenas de corrida são o ponto alto do filme. Neill Blomkamp, diretor de Distrito 9 e Elysium, transforma as provas em sequências rápidas e visualmente elaboradas. A produção mistura imagens das corridas com elementos retirados diretamente do universo do jogo, incluindo informações na tela que remetem à interface de Gran Turismo.
Em alguns momentos, há efeitos e montagens demais. A própria corrida já oferece tensão suficiente e nem sempre seria necessário acrescentar tantos recursos visuais. Ainda assim, quando os carros estão na pista, o filme consegue transmitir bem a velocidade e a pressão enfrentada pelo piloto.
O roteiro de Jason Hall e Zach Baylin, por outro lado, segue uma estrutura bastante conhecida. O garoto desacreditado, o treinador resistente, os adversários que não aceitam sua presença e a necessidade de provar seu valor fazem parte de uma fórmula que o cinema esportivo já utilizou inúmeras vezes.
Madekwe também demora um pouco para encontrar a força de Jann como protagonista. O personagem começa mais fechado, e o filme leva algum tempo para fazer o espectador comprar a ideia de que aquele jovem pode realmente se tornar um piloto profissional.
A história real, porém, ajuda a sustentar a narrativa. A trajetória de Mardenborough é tão improvável que dispensa grandes invenções para chamar atenção. A ideia de um jogador de Gran Turismo chegar ao automobilismo profissional já parece, por si só, uma história de cinema.
O filme também não esconde seu caráter promocional. Sony, Nissan e a própria franquia Gran Turismo estão presentes o tempo todo. Em alguns momentos, a quantidade de referências e produtos expostos chega a ser quase engraçada. É difícil esquecer que estamos diante de uma produção que também funciona como uma grande vitrine para o jogo.
Ainda assim, isso não tira o mérito da história. Gran Turismo funciona melhor quando deixa de tentar vender o videogame e simplesmente acompanha Jann em sua tentativa de provar que existe algo de verdadeiro por trás de seu talento virtual.
O resultado é um filme de corrida convencional, mas eficiente. A trajetória do protagonista é previsível em vários momentos, mas as corridas compensam parte dessa falta de surpresa. Mesmo quem não conhece o jogo pode acompanhar a história sem dificuldade.
No fim, a principal força de Gran Turismo está justamente na ideia que parecia menos provável: um videogame pode ter sido o primeiro passo para uma carreira de verdade. A produção aproveita essa história para entregar uma aventura esportiva de ritmo acelerado, com uma boa dose de emoção e, sobretudo, muitas corridas.
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