Sororidade: entenda porque ela é considerada a revolução feminina

Ser fraterna com outras mulheres é o principal conceito da palavra que movimentou as pesquisas no Google

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“Eu não sou livre enquanto alguma mulher não o for, mesmo quando as correntes dela forem muito diferentes das minhas”, disse Audre Lorde, escritora feminista. E em uma frase, ela resumiu o significado da palavra misteriosa: sororidade!

Após Manu Gavassi citar a palavra durante o Big Brother Brasil 2020, o país movimentou o Google com pesquisas. O interesse era descobrir o que significava sororidade. Vinda do latim soror,  significa irmã, ou seja, sororidade é irmandade. Mas, na prática, seu conceito é  muito maior.

O que é sororidade?

Sororidade é a ideia de solidariedade entre mulheres, que se apoiam para conquistar a liberdade e a igualdade que desejam. É respeitar, ouvir e dar voz umas às outras sem julgamentos independentemente de classe social, posição política, etnia ou religião.  Sororidade é sobre empatia, companheirismo e respeito, onde o único propósito é fortalecer uma rede feminina e pregar a ideia de que sim,  as mulheres podem contar umas com as outras.

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As mulheres podem contar umas com as outras (Foto: Unsplash)

Quando surgiu o termo Sororidade?

O uso do termo pela primeira vez é atribuído a escritora Kate Millett. A feminista propôs a palavra em 1970 para construir uma ideia de luta conjunta entre as mulheres.  Entretanto, estudiosas discutem a ideia de que, apesar da palavra ser relativamente nova, a sororidade vem sido discutida há muitos anos. Isso porque, de acordo com elas, o machismo construiu uma rede de rivalidade feminina que nunca precisou ter sido tecida, no entanto, foi e causa desconforto entre mulheres até hoje.

 

Rivalidade entre mulheres 

Sabe aquela ideia de que mulheres causam intrigas e fofocas, ou de que juntas é confusão na certa? Ou quando dizem que você é melhor que as outras? Pois bem, às vezes, até inconscientemente as pessoas causam essa rivalidade entre as mulheres – que crescem com a necessidade de sempre sentir-se melhores do que as outras.

Outro aspecto muito importante, é que por muito tempo o papel da mulher na sociedade foi criar e cuidar de uma família – o que significava protegê-la. E se isso acontecesse na base dos tapas tudo bem, porque perder o papel na sociedade seria inadmissível. Ou seja, se o marido traísse, a ameaça seria a outra mulher, não quem lhe tinha o compromisso de fidelidade.

Atualmente, muita coisa mudou, sem dúvidas, mas percebemos os vestígios do pensamento machista. “Nós criamos as meninas para se enxergarem como competidoras — não para trabalhos ou conquistas, o que eu acho que pode ser uma coisa boa —, mas para conseguirem a atenção dos homens”, disse Chimamanda Ngozi  em uma palestra no TEDx.

Entretanto, as discussões recentes têm promovido a mudança desse pensamento. Promove-se cada vez mais, uma aliança entre as mulheres, como oposição à cultura machista de competição feminina. Ou seja, as neuras e inseguranças que alimenta podem nem ser suas, e sim, fazerem parte de uma estrutura antiga. E a sororidade busca a força, para eliminar qualquer vestígio de desvalorização da mulher.

 

Por que a sororidade feminina é importante?

“O feminismo deve contemplar todas as mulheres. É necessário perceber que não dá pra lutar contra uma opressão e alimentar outra”, disse a filósofa Djalma Ribeiro, e daí, se dá a importância da sororidade.

A necessidade de cada vez mais mulheres aderirem o movimento, se dá basicamente na conquista da liberdade de vestir, falar e sentir. A liberdade de escolher o que é melhor si.  E quando essa rede de apoio entre pessoas que naturalmente passam pela mesma coisa é fortalecida, a voz da mulher é legitimada.

duas mulheres
A palavra da mulher se legitima ainda mais com a sororidade (Foto: Unsplash)

Isso não significa que os homens devem ser excluídos ou rechaçados. A sororidade é uma busca e luta para que todo indivíduo possa alcançar o seu potencial máximo na sociedade.

Além de empatia, empoderamento e a prática de todas essas palavras, é importante nos observarmos enquanto mulheres. Falta a sensibilidade da mulher homossexual olhar para a mulher hétero e compreender o que se passa nos seus relacionamentos, sem julgar e desmerecer. Falta a mulher cisgênera acolher a mulher transgênera e compreender sua dupla luta contra o machismo e a transfobia. E vários outros fatores que envolvem as diferentes realidades da vida de uma mulher.

E principalmente, é muito importante dialogar. É normal que as pessoas não concordem com a sua opinião – e que bom que isso acontece. A virtude da liberdade de expressão se dá quando podemos dialogar e aprender com o ideal do outro. E escutar, já é uma forma de praticar a sororidade.

 

Como praticar sororidade?

A internet sem dúvida alguma, colocas as discussões para jogo. E os movimentos feministas não deixam a peteca cair e a cada dia mais, é possível perceber os debates  em torno do tema. Se sororidade é o princípio de promover a união das mulheres, como isso tem sido aplicado na prática?

Cantoras, atrizes, escritoras têm se dedicado a difundir o seu significado, seja através da sua arte ou discursos nas redes sociais e em entrevistas. Mas como as mulheres que não vivem nestes universos podem praticar a sororidade?

mulheres juntas
Pratique a sororidade (Foto: Unsplash)

Apoie outras mulheres 

Calma! Você não precisa ser amiga de todas as mulheres. É absolutamente normal ter mais afinidade com algumas. No entanto, a pauta aqui, é entender que mulheres são semelhantes e muitos dos seus problemas podem ser iguais. Ou seja, aconselhar, conversar, ser sincera com uma amiga ou até mesmo oferecer ajuda  a uma estranha: seja emprestando um absorvente ou denunciando um abusador, são formas de apoiar.

 

Valorize o trabalho feminino

Sem dúvida alguma, as mulheres têm assumido cada vez mais o espaço do mercado de trabalho. Mas, diferenças salariais e inúmeras outras realidades são latentes. De acordo com uma pesquisa do IBGE (Instituto de Geografia e Estatística), a diferença salarial entre homens e mulheres no País é de 20,7%. A diferença média de salários no Brasil caiu nos últimos anos, mas continua com um degrau bastante relevante.

Uma forma de valorizar o trabalho da mulher é incentivá-lo. Seja divulgando nas redes sociais as ações de micro empreendedorismo,  consumindo o material produzido por uma mulher ou apenas reconhecendo e elogiando.

Apoie o trabalho das mulheres (Foto: Unsplash)

Não julgue! 

É necessário saber lidar com as diferenças e perceber que nem toda mulher vai pensar ou agir como você.  Roupas, corpo, comportamento ou relacionamentos de uma mulher não devem ser julgados. Assim como as suas escolhas. Tudo bem se uma mãe quiser se dedicar exclusivamente aos filhos e a família, assim como não há problema algum em não querer construir uma.

Sempre reflita: quando for criticar uma mulher, pare e pense se você faria a mesma crítica a um homem.

A sororidade é revolucionária 

força da sororidade
Sororidade é a união das mulheres (Foto: Unsplash)

Estatísticas mostram que todo dia, uma mulher é violentada, estuprada, demitida injustamente, assassinada ou desmerecida. Todo dia é dia de mulheres se olharem, se acolherem e se protegerem.  Apesar de clichê, sim, a união faz a força e isso sim é revolucionário.

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