Flávio Bolsonaro vai tirar Nossa Senhora Aparecida de padroeira do Brasil?

Flávio Bolsonaro é evangélico e frequentou a Lagoinha

O título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil voltou a provocar polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. A discussão ganhou força nesta quinta-feira (25), após a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, mencionar uma reação de setores da Igreja Católica a uma suposta mobilização de grupos evangélicos para retirar a santa do posto de padroeira nacional.

A associação com Flávio Bolsonaro surgiu em meio à campanha presidencial e, principalmente, depois de uma declaração feita pelo senador em agosto. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que, caso seja eleito, um dos seus primeiros atos será decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

A fala passou a ser interpretada por setores do debate político e religioso como um possível contraponto ao título de Nossa Senhora Aparecida. Flávio é evangélico, enquanto Nossa Senhora Aparecida é a principal referência religiosa do catolicismo brasileiro. Não há, porém, registro de um projeto apresentado por Flávio para retirar o título da santa. O próprio candidato negou a intenção e classificou como falsa a informação de que faria a mudança.

Por que Flávio Bolsonaro quer tirar a padroeira do Brasil?

A relação entre Flávio Bolsonaro e a polêmica com a Padroeira do Brasil passa pelo ex-deputado federal Victório Galli Filho. Ele apresentou um projeto para mudar o título de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Anos depois, Galli se aproximou da família Bolsonaro e chegou a ocupar um cargo no governo de Jair Bolsonaro. Hoje, ele apoia a candidatura de Flávio à Presidência.

Quando ainda era deputado pelo então PMDB de Mato Grosso, Galli apresentou o Projeto de Lei 2.623/2007. O texto pretendia alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

Anos depois, Galli se aproximou do bolsonarismo. Em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, foi nomeado assessor especial da Presidência da República. Atualmente, disputa novamente uma vaga de deputado federal por Mato Grosso pelo Progressistas e mantém apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Para completar a polêmica, em agosto Flávio falou sobre “decretar” que o Brasil pertence a Jesus Cristo. A frase foi apresentada pelo senador durante a campanha como uma manifestação de fé e um aceno ao eleitorado evangélico. Parte do debate público passou a interpretar a declaração como uma possível substituição simbólica de uma referência religiosa por outra — Nossa Senhora Aparecida por Jesus Cristo. Essa, porém, é uma interpretação política da fala, e não uma proposta formal apresentada pelo candidato.

A história de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil

A devoção a Nossa Senhora Aparecida começou em 1717, quando os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso encontraram uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição nas águas do Rio Paraíba do Sul, na região que hoje pertence ao município de Aparecida, em São Paulo.

A devoção cresceu ao longo dos séculos e ganhou reconhecimento oficial da Igreja Católica. Em 16 de julho de 1930, o papa Pio XI assinou o decreto que declarou Nossa Senhora da Conceição Aparecida como Padroeira principal do Brasil. A proclamação solene ocorreu em 31 de maio de 1931, no Rio de Janeiro.

Décadas depois, em 1980, o então presidente João Figueiredo sancionou a lei que oficializou o dia 12 de outubro como feriado nacional em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.

É justamente esse título — construído historicamente pela Igreja Católica e incorporado à legislação brasileira no contexto do feriado nacional — que voltou ao centro da disputa eleitoral.

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