Moradores se unem contra ampliação do horário do aeroporto de Congonhas
Audiência pública realizada na Alesp
Moradores em audiência pública na ALESP - Crédito: Nando Bomfim
Moradores de bairros localizados no entorno do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, fizeram nesta quarta-feira (16) um apelo contra qualquer flexibilização das operações do terminal. Em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), representantes de associações afirmaram que a ampliação das atividades aumentaria os impactos provocados pelo barulho das aeronaves, pelo trânsito e pela poluição.
A audiência foi convocada pelos deputados Luiz Claudio Marcolino (PT) e Jilmar Tatto (PT) e reuniu cerca de 100 pessoas, além de representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da concessionária Aena Brasil, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
Audiência pública sobre o Aeroporto de Congonhas
Durante o encontro, a ANAC afirmou que não existe proposta para ampliar o horário regular de funcionamento de Congonhas, que permanece entre 6h e 23h. Segundo a agência, o protocolo em elaboração trata apenas de critérios para permitir, em situações excepcionais — como mau tempo ou problemas operacionais —, operações limitadas por até uma hora após o encerramento das atividades. A agência também informou que não há plano para transformar Congonhas em um aeroporto internacional.
Apesar do esclarecimento da ANAC, moradores afirmaram que continuam preocupados com possíveis mudanças futuras nas regras de operação do aeroporto. Representando as associações da região, Paulo Uehara disse que o problema vai além da discussão sobre horários e envolve a forma como pousos e decolagens são realizados.
Segundo ele, é necessário adotar procedimentos específicos de redução de ruído, renovar a frota utilizada pelas companhias aéreas e restringir aeronaves mais barulhentas. Também defendeu maior transparência nas decisões da ANAC e participação permanente da sociedade civil nas discussões sobre o aeroporto.
Os relatos apresentados durante a audiência mencionaram dificuldades relacionadas ao excesso de ruído, aumento do tráfego de veículos, poluição sonora e possíveis reflexos na saúde dos moradores, especialmente crianças e idosos.
Como encaminhamento da audiência, ficou definido que um representante das associações de moradores passará a integrar o grupo de trabalho da ANAC responsável por elaborar o protocolo para operações excepcionais em Congonhas.
Também foi acordada a realização de uma reunião entre ANAC, Decea e representantes da população para discutir procedimentos que reduzam o impacto sonoro das aeronaves.
Outra medida debatida foi a ampliação do monitoramento ambiental e da medição dos níveis de ruído nas regiões próximas ao aeroporto.
Ao final da audiência, representantes de associações de moradores também defenderam que seja iniciado um debate sobre a desativação gradual do Aeroporto de Congonhas no longo prazo. Participaram da mobilização entidades que representam moradores de bairros como Vila Nova Conceição, Moema, Campo Belo, Vila Mariana, Brooklin, Jardim Paulista, Itaim Bibi, Jabaquara, Jardim da Saúde, Jardim Santa Cruz e Mooca.
Hoje, Congonhas é um dos aeroportos mais movimentados do país. O terminal opera cerca de 500 voos por dia e recebe aproximadamente 75 mil passageiros diariamente.