Big Mac fica 23% mais caro e McDonald’s enfrenta debandada de clientes
Big Mac é o sanduíche mais famoso da rede de Fast Food
McDonald’s aumentou preço do seu principal sanduíche - Foto: getty
O preço do Big Mac aumentou cerca de 23% entre 2019 e o fim de 2025, segundo o Índice Big Mac, da revista The Economist. A alta ocorre em meio à crescente percepção dos consumidores de que o McDonald’s deixou de ser uma das opções mais acessíveis entre as redes de fast-food.
A mudança no preço do lanche acontece em um momento de pressão sobre os negócios da companhia. As ações do McDonald’s acumulam queda de quase 31% desde a máxima registrada em fevereiro e caminham para o pior desempenho anual desde 2002.
As vendas também mostram sinais de desaceleração. No trimestre anterior, as vendas nas mesmas lojas nos Estados Unidos cresceram apenas 0,8%, o menor avanço em mais de um ano. Para o trimestre atual, a companhia prevê vendas ligeiramente negativas no mercado americano.
Por que o Big Mac ficou mais caro?
O McDonald’s dos nos Estados Unidos elevou os preços nos últimos anos em resposta ao aumento dos custos de operação. Entre os fatores estão a alta dos preços dos alimentos, dos salários e dos combustíveis.
O problema é que o consumidor também passou a enfrentar um cenário de inflação e juros elevados, tornando o preço um fator ainda mais relevante na decisão de compra.
A percepção de que o McDonald’s ficou caro ganhou força nas redes sociais. Em 2024, uma imagem de um Big Mac vendido por US$ 18 viralizou nos Estados Unidos. A empresa explicou na ocasião que aquele preço correspondia a uma unidade específica entre as mais de 13,7 mil lojas da rede no país.
O Índice Big Mac, criado pela The Economist como uma referência informal para comparar o poder de compra entre países, também mostra a evolução dos preços do sanduíche. Nos Estados Unidos, o valor subiu aproximadamente 23% entre 2019 e o final de 2025.
McDonald’s perde espaço para concorrentes
Enquanto tenta recuperar consumidores mais sensíveis aos preços, o McDonald’s enfrenta concorrência de outras redes que apostam em combos e promoções.
Nos Estados Unidos, as vendas nas mesmas lojas do Burger King cresceram 8,5% no último trimestre. O resultado foi impulsionado, entre outros fatores, pelo lançamento de um Whopper reformulado e por uma promoção relacionada a Star Wars.
O Taco Bell, por sua vez, registrou alta de 7% nas vendas nas mesmas lojas, com destaque para combos de US$ 5, US$ 7 e US$ 9.
No McDonald’s, as promoções também fazem parte da estratégia para recuperar clientes. A rede ampliou ofertas de refeições a US$ 5 e lançou um cardápio com itens vendidos por menos de US$ 3.
A estratégia, porém, enfrenta resistência de parte dos franqueados, que precisam lidar com custos operacionais mais elevados. Segundo o CEO Chris Kempczinski, cerca de um terço dos franqueados não seguiu as orientações de preços de determinadas promoções.
McDonald’s anuncia investimento de US$ 8,5 bilhões
Para tentar reverter o cenário, o McDonald’s anunciou um plano de investimentos de US$ 8,5 bilhões nos Estados Unidos.
O projeto, chamado de “Next”, prevê investimentos em tecnologia, reformas das unidades, melhorias no serviço e na qualidade dos alimentos. A companhia também pretende modernizar os espaços destinados às crianças, incluindo áreas de recreação.
A empresa busca, com isso, recuperar não apenas consumidores que consideram o cardápio caro, mas também parte da experiência associada à marca.
O investimento, porém, deve aumentar a pressão sobre os resultados financeiros no curto prazo. A expectativa é que as mudanças produzam efeitos sobre as vendas ao longo dos próximos anos.
Com a combinação entre preços mais altos, consumidores mais cautelosos e maior concorrência no setor, o McDonald’s tenta recuperar o movimento nas lojas sem comprometer a rentabilidade dos franqueados e da própria companhia.