Em um pregão histórico para o mercado financeiro brasileiro, o dólar comercial encerrou esta segunda-feira, 13 de abril de 2026, cotado a R$ 4,996. O recuo de 0,29% marca a primeira vez que a divisa americana fecha abaixo do patamar psicológico de R$ 5,00 desde março de 2024. Acompanhando o otimismo, o Ibovespa, principal índice da B3, disparou e encostou nos 198 mil pontos, estabelecendo um novo recorde histórico.
A trajetória de queda da moeda não foi linear. Pela manhã, o dólar chegou a registrar alta, atingindo a máxima de R$ 5,04. No entanto, o fluxo de notícias internacionais e a entrada de capital estrangeiro reverteram a tendência, consolidando a quarta queda nos últimos cinco pregões.
Por que o dólar caiu para menos de R$ 5 hoje?
O principal catalisador para a desvalorização do dólar frente ao real foi a melhora no sentimento de risco global. Após um início de dia tenso devido ao impasse nas negociações de cessar-fogo no Oriente Médio, relatos de novos diálogos diplomáticos entre Estados Unidos e Irã trouxeram alívio aos mercados.
Essa distensão geopolítica refletiu diretamente em Nova York, onde os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq passaram a operar no azul durante a tarde. No cenário doméstico, o Brasil continua se beneficiando de um diferencial de juros atrativo e do ingresso massivo de investidores estrangeiros na Bolsa, que buscam ativos de países emergentes com fundamentos econômicos mais estáveis.
Qual o impacto do petróleo e das bolsas internacionais?
A cotação do petróleo Brent, que chegou a superar os US$ 102 na abertura da semana devido a ameaças de bloqueio no Estreito de Hormuz, recuou para patamares abaixo de US$ 100 após declarações de lideranças americanas sobre um possível acordo comercial. A queda na commodity reduz a pressão inflacionária global, o que enfraquece o dólar em escala mundial.
Enquanto as bolsas europeias fecharam majoritariamente em queda, o fôlego das techs americanas e a valorização das commodities metálicas deram suporte ao Ibovespa. Empresas exportadoras brasileiras viram suas ações valorizarem, atraindo ainda mais divisas para o país e aumentando a oferta de dólares no mercado interno.
Apesar do otimismo do dia, analistas mantêm a cautela no radar. O Relatório Focus, divulgado hoje pelo Banco Central, trouxe uma revisão mista: a projeção do mercado para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,40 para R$ 5,37.
Por outro lado, a expectativa para a inflação (IPCA) subiu para 4,71%, superando o teto da meta. Esse cenário sugere que, embora o real esteja fortalecido agora, o Banco Central poderá manter a taxa Selic em níveis elevados por mais tempo para conter os preços, o que, ironicamente, pode continuar atraindo capital estrangeiro e sustentando a moeda brasileira nos próximos meses.