Dólar sobe a R$ 5,22 e atinge maior valor em quase três meses
Moeda americana chegou a R$ 5,22 nesta quarta-feira

O dólar voltou a subir frente ao real nesta quarta-feira, 24 de junho, e atingiu o maior patamar em quase três meses. A moeda americana era negociada perto de R$ 5,22 por volta das 10h, em alta de 0,53% em relação ao fechamento anterior. A cotação é a mais elevada desde 30 de março, segundo dados de mercado.
O movimento ocorre em um dia de maior cautela nos mercados globais. Investidores avaliam a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos por mais tempo, o que costuma fortalecer o dólar e reduzir o apetite por ativos de países emergentes, como o Brasil.
Por que o dólar subiu hoje?
A alta do dólar hoje é explicada por uma combinação de fatores externos e internos. No exterior, o principal ponto de atenção é a política monetária dos Estados Unidos. O Federal Reserve, banco central americano, manteve os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano na última reunião, mas o tom mais duro da autoridade monetária aumentou as apostas de que novas altas podem ocorrer nos próximos meses.
Juros mais altos nos EUA tornam os títulos americanos mais atraentes para investidores. Com isso, parte do dinheiro que poderia ir para mercados emergentes migra para ativos considerados mais seguros, pressionando moedas como o real.
Na Bolsa brasileira, o Ibovespa abriu em queda, acompanhando o tom negativo visto em parte dos mercados internacionais. O ajuste ocorre principalmente após a pressão sobre ações de tecnologia no exterior, setor que tem sido mais sensível às apostas sobre os juros americanos.
Outro ponto no radar é o desempenho das ações ligadas à tecnologia e inteligência artificial nos Estados Unidos. Como essas empresas dependem de investimentos elevados e têm avaliações de preço baseadas em crescimento futuro, a perspectiva de juros altos pesa sobre o setor e aumenta a volatilidade global.
Apesar da alta do dólar, a queda do petróleo ajudou a limitar uma piora maior no humor dos investidores. O barril do Brent para entrega em agosto recuava 3,7% pela manhã, cotado a US$ 73,99, de acordo com dados citados na apuração.
A baixa da commodity reduz parte do prêmio de risco geopolítico que havia sido incorporado aos preços nas últimas semanas. O mercado acompanha sinais de acomodação após o acordo entre países envolvidos no conflito e a normalização parcial do tráfego marítimo no Estreito de Hormuz.
Na prática, petróleo mais barato pode aliviar pressões inflacionárias no mundo, já que a commodity influencia custos de combustíveis, transporte e produção. Para o Brasil, o impacto na Bolsa é misto: petroleiras podem sofrer com a queda da commodity, enquanto empresas ligadas ao consumo e transporte tendem a se beneficiar de custos menores.

