Dólar hoje (28/7): moeda sobe a R$ 5,12 com mercado atento à inflação e Petróleo
Bolsa brasileira avança nesta terça-feira (28)
Moeda americana em alta - Foto: Pexels
O dólar hoje fechou em alta frente ao real nesta terça-feira (28), cotado a R$ 5,122 no mercado comercial. A moeda americana avançou 0,20% na comparação com o último fechamento, em um pregão marcado pela reação dos investidores à divulgação do IPCA-15 de julho, indicador considerado uma prévia da inflação oficial do país.
Apesar da valorização do dólar, o ambiente doméstico foi considerado positivo para os ativos de risco. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, encerrou o dia em alta de 0,70%, aos 176.564 pontos, mantendo o movimento de recuperação observado nas últimas sessões.
A desaceleração dos preços ajudou a reduzir parte da preocupação do mercado com a trajetória da inflação e reforçou as expectativas de que o Banco Central possa manter o ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic.
Dólar hoje acompanha inflação e decisões do Banco Central
O mercado financeiro reagiu ao resultado do IPCA-15 de julho, que registrou alta de 0,06% no mês. No acumulado de 12 meses, o indicador desacelerou para 4,52%, ainda acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central.
Para analistas, o dado trouxe alívio porque veio abaixo das projeções de grande parte dos investidores e aumentou a percepção de que há espaço para novos cortes de juros na economia brasileira.
“A leitura mais fraca da inflação fortalece a expectativa de redução da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom)”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter Corporativo.
A próxima decisão do Copom está prevista para os dias 4 e 5 de agosto. A autoridade monetária deve avaliar o comportamento dos preços, a atividade econômica e o cenário internacional antes de definir os próximos passos da política monetária.
Petróleo em queda influencia mercado de câmbio
Outro fator que pesou sobre o mercado de câmbio foi a queda dos preços do petróleo no exterior. O barril do Brent, referência internacional, recuou 4,41%, para US$ 82,08, enquanto o WTI caiu 4,06%, para US$ 79,26.
A desvalorização da commodity reduziu parte do suporte que o petróleo vinha oferecendo ao real, já que o Brasil é um importante exportador do produto. Ao mesmo tempo, o movimento refletiu uma redução das tensões geopolíticas após declarações do governo dos Estados Unidos sobre negociações com o Irã.
Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o cenário externo segue sendo acompanhado pelos investidores porque mudanças no risco global podem provocar maior procura por ativos considerados seguros, como o dólar.
Além dos indicadores econômicos, os investidores monitoraram os resultados financeiros divulgados por grandes companhias nesta temporada de balanços.
A TIM registrou lucro ajustado de R$ 1,036 bilhão no segundo trimestre de 2026, crescimento de 6,1% na comparação anual. Já a Telefônica Brasil, dona da Vivo, informou lucro de R$ 1,6 bilhão no período, avanço de 17%.
Mesmo com resultados positivos, as ações das empresas fecharam em queda. Os papéis da TIM recuaram 6,47%, enquanto os da Telefônica Brasil caíram 5,84%.
A Simpar, por outro lado, apresentou desempenho positivo na Bolsa. A companhia informou receita líquida de R$ 11,3 bilhões no segundo trimestre, alta de 8,8%, e suas ações avançaram 3,66%.
Banco Central anuncia operação com swaps cambiais
O Banco Central também anunciou nesta terça-feira operações para rolagem de contratos de swap cambial com vencimento em setembro.
Os leilões começam em 5 de agosto e têm como objetivo administrar a liquidez do mercado de câmbio. A operação funciona como uma ferramenta utilizada pela autoridade monetária para oferecer proteção contra oscilações do dólar no mercado futuro.
Com isso, o desempenho do dólar hoje refletiu uma combinação de fatores: inflação doméstica mais comportada, expectativa sobre os juros, queda do petróleo e movimentos dos mercados internacionais. O câmbio segue sensível às novas divulgações econômicas e ao cenário político e monetário global.