Dólar volta a fechar acima de R$ 5 e Bolsa recua com tensão no Oriente Médio

Moeda terminou o dia cotada a R$ 5,067

O dólar voltou a ultrapassar a marca de R$ 5 nesta sexta-feira (15), encerrando o pregão cotado a R$ 5,067 no mercado comercial. A moeda norte-americana avançou 1,63% no dia e atingiu o maior patamar desde 9 de abril, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e à repercussão de notícias políticas no Brasil.

Enquanto isso, a Bolsa brasileira operou em queda durante praticamente toda a sessão. O Ibovespa recuou 0,63%, aos 177.238 pontos, pressionado principalmente pela disparada do petróleo e pela cautela dos investidores diante do cenário internacional.

Por que o dólar disparou nesta sexta-feira?

A valorização da moeda americana foi impulsionada por fatores externos e internos. No cenário global, o mercado reagiu aos novos ataques registrados nas proximidades do Estreito de Hormuz, região estratégica para o transporte de petróleo.

O local concentra cerca de 20% do fluxo mundial da commodity e voltou ao centro das atenções após episódios envolvendo embarcações na região. A tensão elevou a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar.

Além disso, investidores acompanharam os impactos políticos no Brasil após a divulgação de uma reportagem envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e negociações para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com o movimento de aversão ao risco, o dólar acumulou alta superior a 2% na semana.

Como o petróleo afetou os mercados?

Os contratos internacionais do petróleo encerraram o dia em forte valorização. O barril do Brent para julho subiu 3,35%, negociado a US$ 109,26, enquanto o WTI avançou 4,23%, chegando a US$ 101,02.

A alta ocorre diante das preocupações com possíveis impactos da guerra no Oriente Médio sobre a oferta global da commodity. Segundo projeções da Agência Internacional de Energia (AIE), a produção mundial pode cair cerca de 3,9 milhões de barris por dia neste ano em comparação com 2025.

O avanço do petróleo aumenta o temor de pressão inflacionária ao redor do mundo, especialmente em economias que dependem fortemente da importação de energia.

O que explica a queda da Bolsa brasileira?

O mercado acionário brasileiro refletiu o ambiente de maior cautela global. Após uma tentativa de recuperação na sessão anterior, o Ibovespa voltou a cair, influenciado pelo aumento das taxas dos títulos públicos dos Estados Unidos e pelo receio de desaceleração econômica.

A taxa dos Treasuries de 10 anos dos EUA voltou ao patamar de 4,55% ao ano, nível observado anteriormente em meio às incertezas provocadas pela política comercial americana.

No Brasil, investidores também repercutiram dados do setor de serviços divulgados pelo IBGE. O volume de serviços prestados cresceu 3% em março na comparação anual, mas recuou 1,2% frente a fevereiro.

Para analistas do mercado, os números mostram sinais de desaceleração da atividade econômica após um período de crescimento mais forte, refletindo os efeitos dos juros elevados sobre a economia brasileira.

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