Confira os maiores produtores de petróleo do mundo
Brasil está no ranking dos maiores produtores
Ranking é liderado por EUA, mas Brasil também aparece - Foto: Getty Images
Os maiores produtores de petróleo do mundo desempenham um papel decisivo na economia global, influenciando o preço dos combustíveis, a inflação, o comércio internacional e até mesmo as relações diplomáticas entre países. O Brasil consolidou sua presença entre as dez maiores potências petrolíferas graças ao avanço da exploração do pré-sal. Mas quais países dominam esse mercado e por que o petróleo continua sendo tão estratégico para o planeta?
Quais são os 10 maiores produtores de petróleo do mundo?
Segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA), utilizados em levantamentos internacionais sobre energia, os dez maiores produtores de petróleo bruto concentram boa parte da oferta mundial. Juntos, esses países respondem por dezenas de milhões de barris produzidos diariamente, influenciando diretamente a cotação internacional da commodity.
O ranking de 2025 ficou da seguinte forma:
- Estados Unidos – 13,58 milhões de barris por dia
- Rússia – 9,87 milhões de barris por dia
- Arábia Saudita – 9,51 milhões de barris por dia
- Canadá – 4,94 milhões de barris por dia
- Iraque – 4,39 milhões de barris por dia
- China – 4,34 milhões de barris por dia
- Irã – 4,19 milhões de barris por dia
- Emirados Árabes Unidos – 3,82 milhões de barris por dia
- Brasil – 3,75 milhões de barris por dia
- Kuwait – 2,58 milhões de barris por dia.
Embora novos produtores tenham aumentado sua participação nas últimas décadas, o mercado continua concentrado em poucos países, especialmente na América do Norte e no Oriente Médio.
Produzir petróleo não significa ter as maiores reservas
Uma curiosidade importante é que o maior produtor nem sempre possui as maiores reservas. Enquanto os Estados Unidos lideram a produção, a Venezuela continua sendo o país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
No entanto, problemas econômicos, falta de investimentos e dificuldades de infraestrutura impediram que o país transformasse esse potencial em produção equivalente. Isso demonstra que possuir grandes reservas é apenas parte da equação.
Também são necessários investimentos, tecnologia, estabilidade política e infraestrutura para transformar recursos naturais em produção efetiva.
Estados Unidos lideram com vantagem
Os Estados Unidos seguem como o maior produtor mundial de petróleo desde que ultrapassaram a Rússia em 2018. Em 2025, o país produziu aproximadamente 13,6 milhões de barris por dia, representando cerca de 16% de toda a produção global.
O principal motivo desse crescimento foi a revolução do petróleo de xisto (shale oil), impulsionada pelo desenvolvimento das técnicas de fraturamento hidráulico (fracking) e perfuração horizontal.
A maior parte dessa produção está concentrada na Bacia Permiana, localizada entre o Texas e o Novo México. Além dela, regiões como Eagle Ford e Bakken também contribuíram para transformar os Estados Unidos em uma potência energética.
Ao contrário dos principais produtores do Oriente Médio, a produção norte-americana é realizada principalmente por empresas privadas, que ajustam seus investimentos conforme o comportamento dos preços internacionais.
Rússia e Arábia Saudita disputam o segundo lugar
Logo atrás dos Estados Unidos aparecem duas tradicionais potências petrolíferas: Rússia e Arábia Saudita.
A Rússia produziu cerca de 9,9 milhões de barris por dia em 2025, mantendo sua importância mesmo após enfrentar sanções econômicas e mudanças nos fluxos comerciais internacionais. Boa parte do petróleo russo passou a ser direcionada para mercados asiáticos, principalmente China e Índia.
Já a Arábia Saudita produziu aproximadamente 9,5 milhões de barris diários e continua sendo a maior liderança da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
O diferencial saudita está na enorme capacidade de aumentar ou reduzir rapidamente sua produção para influenciar os preços internacionais, estratégia utilizada com frequência nas negociações da OPEP+.
Canadá se destaca pelas areias betuminosas
Na quarta posição aparece o Canadá, responsável por quase 5 milhões de barris produzidos diariamente.
Grande parte dessa produção vem das areias betuminosas da província de Alberta, especialmente da região de Athabasca.
Esse tipo de exploração exige investimentos elevados e maior consumo de energia em comparação ao petróleo convencional. Mesmo assim, o Canadá consolidou-se como um dos maiores exportadores para o mercado norte-americano.
A expansão da infraestrutura de oleodutos também ajudou o país a ampliar sua capacidade de produção nos últimos anos.
Oriente Médio continua sendo o centro do petróleo mundial
Apesar da liderança dos Estados Unidos, o Oriente Médio continua concentrando a maior parte das grandes potências petrolíferas.
Cinco países da região aparecem entre os dez maiores produtores:
- Arábia Saudita;
- Iraque;
- Irã;
- Emirados Árabes Unidos;
- Kuwait.
Todos possuem enormes reservas de petróleo e ocupam posição estratégica ao redor do Golfo Pérsico.
Outro fator importante é que praticamente todos fazem parte da OPEP, organização criada para coordenar políticas de produção e buscar maior estabilidade nos preços internacionais.
Quando o grupo decide reduzir ou ampliar a oferta de petróleo, os efeitos costumam ser sentidos rapidamente no mercado financeiro e no preço dos combustíveis em diversos países.
Qual a posição do Brasil no ranking?
O Brasil ocupa atualmente a 9ª posição entre os maiores produtores de petróleo do planeta, com produção próxima de 3,75 milhões de barris por dia. O crescimento brasileiro ocorreu principalmente por causa do desenvolvimento dos campos do pré-sal, descobertos em meados dos anos 2000.
Esses reservatórios ficam abaixo de uma extensa camada de sal no fundo do Oceano Atlântico e exigem tecnologia de ponta para sua exploração. Apesar do elevado investimento inicial, os campos apresentam alta produtividade e baixo custo operacional depois que entram em funcionamento.
Hoje, a Petrobras continua sendo a principal operadora dessas áreas, embora outras empresas internacionais também participem de diversos consórcios.
Antes da descoberta do pré-sal, o Brasil ainda dependia significativamente das importações de petróleo e derivados. Com o avanço das plataformas offshore, o cenário mudou completamente. A produção nacional cresceu de forma consistente ao longo da última década, permitindo que o país ampliasse suas exportações e fortalecesse sua participação no mercado internacional.
Especialistas avaliam que novos projetos previstos para entrar em operação até o fim da década podem elevar ainda mais a produção brasileira.
Caso esse ritmo seja mantido, o Brasil poderá disputar posições ainda mais altas no ranking mundial.
Pré-sal é do Brasil
O pré-sal é uma das maiores riquezas naturais do Brasil e ajuda a explicar por que o país ganhou mais força no mercado mundial de petróleo. Trata-se de uma camada profunda de rochas localizada no fundo do mar, abaixo de uma extensa faixa de sal, onde estão armazenadas grandes reservas de petróleo e gás natural.
Essa formação fica na plataforma continental brasileira e se estende por cerca de 800 quilômetros, do litoral do Espírito Santo até Santa Catarina. Para chegar ao petróleo, é preciso atravessar o mar, as rochas e uma espessa camada de sal, em profundidades que podem passar de sete mil metros. Por isso, a exploração exige tecnologia avançada, altos investimentos e planejamento de longo prazo.
A descoberta do pré-sal, confirmada em 2006, mudou o peso do Brasil no setor energético. A partir dessas reservas, o país ampliou sua produção, fortaleceu a Petrobras e passou a ocupar posição de maior destaque entre os produtores de petróleo. Em maio de 2024, o pré-sal já respondia por 78,3% da produção nacional de petróleo e gás natural, mostrando sua importância para a economia brasileira.
Mas a relevância do pré-sal vai além dos barris extraídos do fundo do mar. Parte da riqueza gerada pela exploração foi pensada para financiar áreas sociais. Em 2010, foi criado o Fundo Social, com a proposta de destinar recursos do petróleo para investimentos como educação. Depois, em 2013, nasceu a Pré-Sal Petróleo S.A., empresa pública responsável por acompanhar contratos de produção e comercialização.
Na prática, o pré-sal representa uma fonte estratégica de energia, arrecadação e desenvolvimento. É uma reserva que coloca o Brasil em posição privilegiada, mas também impõe desafios: explorar petróleo em águas ultraprofundas custa caro, exige segurança ambiental e levanta debates sobre o futuro da matriz energética em um mundo que busca reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
Por isso, entender o pré-sal é entender uma parte importante da economia brasileira. Ele não é apenas uma camada escondida sob o sal: é um patrimônio natural que influencia empregos, investimentos, arrecadação pública e o papel do Brasil no mercado global de energia.
Por que a China aparece entre os maiores produtores?
A China ocupa a sexta posição no ranking mundial, produzindo mais de 4,3 milhões de barris por dia. Mesmo assim, o país continua sendo o maior importador de petróleo do planeta. Isso acontece porque sua enorme economia industrial consome muito mais petróleo do que consegue produzir internamente.
Empresas estatais chinesas dominam praticamente toda a produção nacional, mas o crescimento da demanda faz com que o país dependa fortemente de fornecedores internacionais.
Por que esse ranking é importante?
O petróleo continua sendo uma das matérias-primas mais importantes da economia mundial. Ele está presente na fabricação de combustíveis, plásticos, fertilizantes, produtos químicos, medicamentos, cosméticos e inúmeros outros itens utilizados diariamente.
Além disso, praticamente toda a cadeia logística global depende do petróleo para transporte terrestre, marítimo e aéreo. Por isso, qualquer mudança na produção dos maiores países produtores costuma provocar oscilações nos preços internacionais.
Quando ocorre redução da oferta por motivos políticos, guerras ou decisões da OPEP+, os combustíveis tendem a ficar mais caros.
Já quando há aumento da produção, o mercado costuma reagir com queda nos preços.
Para consumidores, empresas e investidores, acompanhar o ranking dos maiores produtores ajuda a entender melhor os movimentos da economia global e os fatores que influenciam diretamente o preço da gasolina, do diesel e de diversos produtos consumidos no dia a dia.
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