Dólar sobe a R$ 5,18 após Copom indicar cautela com juros
Moeda norte-americana avançou 0,88%

O dólar fechou em alta nesta terça-feira, 23 de junho, em um pregão marcado pela cautela dos investidores com os próximos passos dos juros no Brasil e pela piora do humor nos mercados internacionais. A moeda norte-americana avançou 0,88% no mercado comercial e terminou o dia cotada a R$ 5,186 para venda, enquanto o mercado avaliou a ata do Copom e a queda de ações de tecnologia no exterior.
Por que o dólar subiu hoje?
A alta do dólar hoje foi resultado de uma combinação entre incertezas internas e aversão ao risco no exterior. No Brasil, o foco ficou na ata do Copom de junho, divulgada pelo Banco Central, que explicou a decisão de reduzir a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano.
Embora o corte já fosse conhecido, o documento ganhou peso porque mostrou um Banco Central ainda preocupado com a inflação. Para o mercado, a mensagem indica que novos cortes de juros podem ocorrer com mais cautela, incluindo a possibilidade de pausa nas próximas reuniões.
Esse cenário afeta o câmbio porque a taxa de juros influencia a entrada de recursos estrangeiros no país. Quando o investidor vê menos espaço para ganhos ou percebe mais incerteza sobre a política monetária, a tendência é buscar proteção no dólar.
No exterior, o ambiente também pesou. Bolsas da Ásia, Europa e Estados Unidos tiveram perdas, puxadas principalmente por ações de tecnologia e inteligência artificial. A correção aumentou o receio de que empresas do setor possam ter dificuldade para transformar os altos investimentos em IA em retorno financeiro proporcional.
Em dias de maior tensão global, moedas de países emergentes, como o real, costumam perder força. Isso acontece porque investidores reduzem posições consideradas mais arriscadas e aumentam a procura por ativos mais seguros, como o dólar.
O petróleo também recuou no mercado internacional, em meio a dúvidas sobre demanda global e tensões geopolíticas. Mesmo assim, o Ibovespa conseguiu fechar em alta, apoiado por Petrobras e bancos, enquanto o câmbio refletiu de forma mais direta a busca global por proteção.
Na prática, o dólar subiu porque o mercado viu um cenário menos favorável para risco: no Brasil, a ata do Copom deixou dúvidas sobre o ritmo dos juros; no exterior, a queda das ações de tecnologia reforçou a cautela.

