Dólar hoje (22/6): moeda abre em queda com Focus e exterior no radar

Moeda segue acima dos R$ 5

O dólar começou a segunda-feira, 22 de junho, em leve queda no mercado à vista, após a valorização registrada na semana anterior. O movimento é visto por operadores como ajuste e realização de lucros depois de a moeda norte-americana acumular alta de 2,04% na última semana.

Por volta das 9h, o dólar era negociado perto de R$ 5,16, com recuo moderado. Na sexta-feira, 19, a moeda americana havia encerrado o dia cotada a R$ 5,1652, queda de 0,17%.

A abertura mais fraca do dólar também contribuiu para a baixa dos juros futuros. No início da sessão, o Banco Central realizou um leilão casado de até US$ 1 bilhão, envolvendo câmbio à vista e swap cambial reverso, operação equivalente à compra de dólar no mercado futuro. A medida busca reduzir distorções e dar mais equilíbrio às negociações.

Por que o dólar cai hoje?

A queda do dólar nesta segunda ocorre em um ambiente de cautela, mas com algum alívio no exterior. Investidores acompanham as negociações entre Estados Unidos e Irã, que avançaram no fim de semana e ajudaram a reduzir parte da pressão sobre o petróleo.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que houve progresso nas conversas realizadas na Suíça. Segundo ele, o Irã aceitou permitir o retorno de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica, o que foi interpretado como um sinal positivo nas tratativas.

Com menor tensão no mercado de energia, o petróleo passou a operar em queda. O barril do Brent, referência internacional, recuava no início do dia, enquanto o WTI, negociado nos Estados Unidos, também mostrava baixa. A commodity mais barata tende a aliviar temores de inflação global, fator que influencia diretamente moedas, juros e bolsas.

No Brasil, o mercado também digere o Boletim Focus divulgado nesta manhã. As projeções para a inflação voltaram a subir, com o IPCA de 2026 passando de 5,30% para 5,33%, acima do teto da meta. Para 2027, a estimativa avançou para 4,15%, enquanto 2028 ficou em 3,70%. Para 2029, a previsão permaneceu em 3,50%.

A expectativa para a Selic em 2026 também subiu, de 13,75% para 14% ao ano. Já a projeção para o PIB de 2026 teve leve melhora, passando de 1,96% para 1,98%. No câmbio, o mercado manteve a previsão do dólar a R$ 5,20 no fim de 2026 e elevou marginalmente a estimativa para 2027, de R$ 5,26 para R$ 5,27.

Tesouro cancela leilão de NTN-Bs

Outro ponto acompanhado pelos investidores é a decisão do Tesouro Nacional de cancelar o leilão tradicional de venda de Notas do Tesouro Nacional série B, as NTN-Bs, que estava previsto para esta terça-feira, 23.

As NTN-Bs são títulos públicos indexados à inflação. A decisão foi interpretada por parte do mercado como um sinal de maior estresse na curva de juros, especialmente em meio ao aumento da volatilidade nos últimos dias.

Em comunicado, o Tesouro informou que o leilão de Letras Financeiras do Tesouro, as LFTs, permanece mantido. Para analistas, o comportamento do mercado de títulos pode exigir novas medidas caso a instabilidade continue.

Exterior também pesa no mercado

Além das tensões no Oriente Médio, os investidores acompanham mudanças políticas no Reino Unido. O ex-prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, confirmou que disputará a liderança do Partido Trabalhista após a renúncia de Keir Starmer. A troca no comando político britânico fica no radar dos mercados europeus.

Na China, o Banco do Povo da China manteve as taxas de juros de referência inalteradas. A LPR de um ano permaneceu em 3% ao ano, enquanto a taxa de cinco anos seguiu em 3,5% ao ano.

A semana ainda reserva indicadores importantes. Nos Estados Unidos, a atenção se volta para o índice de preços PCE, uma das principais referências de inflação acompanhadas pelo Federal Reserve. No Brasil, investidores aguardam novos dados econômicos e sinais sobre os próximos passos da política monetária.

Com esse cenário, o dólar opera em queda nesta manhã, mas o mercado segue sensível ao noticiário internacional, ao comportamento do petróleo e às expectativas para inflação e juros no Brasil.

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