Bitcoin chega a US$ 78 mil e tem a melhor semana em 3 anos
Bitcoin tem maior valorização desde março de 2023
Getty images
O Bitcoin disparou mais de 8% nesta sexta-feira, 21 de janeiro, e se aproximou dos US$ 80 mil. A alta levou a valorização da criptomoeda para cerca de 25% em apenas uma semana e colocou o ativo no caminho de seu melhor resultado semanal desde março de 2023.
A principal explicação para a disparada está nos Estados Unidos. O governo americano anunciou que pretende aumentar as recompras de títulos públicos de longo prazo, uma medida que ajudou a aliviar a pressão sobre os juros desses papéis.
Para o investidor, o efeito é importante: quando os juros dos títulos de longo prazo diminuem, aplicações consideradas mais arriscadas, como o Bitcoin, podem ficar mais atraentes. Isso porque parte dos investidores passa a buscar alternativas com potencial de retorno maior.
A alta também foi acelerada por um movimento comum em períodos de forte valorização das criptomoedas. Muitos investidores estavam apostando que o Bitcoin iria cair. Com a cotação subindo rapidamente, essas apostas começaram a dar prejuízo e foram encerradas à força pelas plataformas.
Esse processo, conhecido como short squeeze, gera novas compras de Bitcoin e pode fazer o preço subir ainda mais. Segundo dados da CoinGlass, mais de US$ 2 bilhões em posições vendidas de Bitcoin foram liquidadas desde 19 de agosto.
O movimento ganhou outro reforço com Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos se reuniu nesta semana com executivos do setor de criptomoedas e defendeu a aprovação do Clarity Act, projeto que pretende estabelecer regras para o mercado de criptoativos no país.
A possibilidade de regras mais claras é vista como positiva por parte do mercado, principalmente porque pode facilitar a entrada de empresas e grandes investidores no setor.
O dinheiro institucional também voltou a aparecer. Os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos já acumulam mais de US$ 1 bilhão em entradas nesta semana. Esses fundos permitem que investidores tenham exposição ao preço do Bitcoin por meio do mercado tradicional, sem precisar comprar a criptomoeda diretamente.
As chamadas “baleias”, grandes investidores que possuem volumes elevados de Bitcoin, também aumentaram suas posições. Dados da CryptoQuant indicam que essas carteiras adicionaram aproximadamente US$ 2,75 bilhões em Bitcoin nos últimos 60 dias.
Mesmo com a forte recuperação, a criptomoeda ainda está abaixo de seu recorde. O Bitcoin chegou a superar US$ 126 mil em outubro do ano passado, mas depois perdeu força e caiu para US$ 58.642 no fim de junho.
A disparada desta semana, portanto, representa uma recuperação importante, mas não significa que o Bitcoin já tenha retomado a máxima histórica. O movimento atual combina fatores do mercado financeiro americano, compras de grandes investidores e o fechamento de posições que apostavam na queda.