Bitcoin dispara 22% e mira US$ 80 mil; veja o que pode definir próximo movimento
Criptomoeda acumula forte valorização e chega perto dos US$ 80 mil

O Bitcoin começou esta segunda-feira (24) cotado próximo de US$ 77.364, depois de registrar uma das semanas mais fortes desde 2024. A criptomoeda acumulou valorização de 22,1% em sete dias e chegou perto dos US$ 80 mil antes de perder parte do impulso.
A alta levou o Bitcoin de aproximadamente US$ 64 mil para a faixa dos US$ 77 mil em poucas sessões. Agora, o mercado acompanha indicadores da economia dos Estados Unidos que podem influenciar os juros, o dólar e a procura por ativos de risco.
O principal destaque da semana será a divulgação do índice de preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de julho, prevista para quarta-feira (26), às 8h30 pelo horário de Brasília. O indicador é acompanhado pelo Federal Reserve para avaliar o comportamento da inflação.
Além do índice cheio, será divulgado o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia. Em junho, o núcleo acumulou alta de 3,3% em 12 meses. Uma estimativa do Fed de Cleveland aponta para avanço de aproximadamente 3,29% em julho, na comparação anual, e de 0,25% sobre junho.
Uma inflação acima do esperado pode aumentar as apostas em juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, favorecendo o dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro e pressionando ativos de risco, como o Bitcoin. Já um resultado mais fraco pode reforçar expectativas de uma política monetária menos restritiva.
Na mesma quarta-feira, será divulgada a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre. A primeira leitura apontou crescimento anualizado de 1,5%, abaixo dos 2,1% registrados nos três primeiros meses do ano.
Outro evento importante será o discurso de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole. A fala está marcada para sexta-feira (28), às 10h, pelo horário de Brasília.
Em julho, o Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, em uma decisão dividida. Três integrantes do comitê defenderam uma alta, enquanto outros dirigentes indicaram que novos aumentos podem ser necessários caso a inflação continue pressionada.
A recente disparada do Bitcoin também ocorreu em meio ao aumento da demanda pelos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Os fundos registraram entrada líquida de aproximadamente US$ 517 milhões em 19 de agosto e de outros US$ 606 milhões no dia seguinte.
O Tesouro americano também anunciou a ampliação do limite de suas operações de recompra de títulos públicos de longo prazo. O teto passará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro. A medida é uma operação de gestão da dívida e não representa uma nova rodada de flexibilização quantitativa.
Para o Bitcoin, os US$ 80 mil são a principal resistência no curto prazo. Em caso de correção, a região dos US$ 75 mil aparece como primeiro nível de atenção, seguida pela faixa entre US$ 70 mil e US$ 72 mil.
A combinação entre inflação, dados de crescimento e as declarações do Federal Reserve deve definir o comportamento da criptomoeda nos próximos dias. Uma inflação mais baixa e um discurso moderado do Fed podem favorecer uma nova tentativa de superar os US$ 80 mil. Já dados mais fortes de inflação ou uma postura mais agressiva do banco central podem aumentar a pressão sobre o Bitcoin.
Após uma alta superior a 22% em apenas uma semana, a criptomoeda também pode enfrentar maior volatilidade, com investidores realizando parte dos lucros acumulados.





