Bitcoin dispara quase 6% e encosta nos US$ 69 mil após decisão dos EUA
Depois da forte alta desta quarta-feira, a manutenção do Bitcoin acima da região de US$ 65,5 mil passa a ser um dos principais pontos acompanhados pelos investidores.
Karola G de Pexels
O Bitcoin voltou a ganhar força nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, impulsionado por uma mudança anunciada pelo Tesouro dos Estados Unidos nas operações de recompra de títulos públicos. A criptomoeda chegou a se aproximar de US$ 69 mil, alcançando o maior valor desde o início de junho.
Por volta do fim da tarde, o BTC era negociado a US$ 68.619, uma valorização de 5,8% em 24 horas, segundo dados da CoinGecko. Na última semana, a alta acumulada chegava a 8,1%.
A movimentação ocorreu depois que o Tesouro americano informou que pretende ampliar o limite das operações de recompra de títulos de longo prazo. Para papéis com vencimento entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos, o teto por operação passará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões.
A nova regra começa a valer em 9 de setembro e, inicialmente, permanecerá em vigor até 4 de novembro. Nessa data, o governo americano deverá avaliar se mantém, aumenta ou reduz o volume das operações.
Queda dos juros favorece o Bitcoin
O anúncio teve impacto imediato no mercado de renda fixa dos Estados Unidos. O rendimento dos títulos do Tesouro, conhecidos como Treasuries, recuou durante a sessão.
A taxa do Treasury de 30 anos, que havia alcançado 5,34% na terça-feira (18), caiu para 5,192% nesta quarta. Já o rendimento do título de 10 anos recuou para 4,649%.
A queda dos juros tende a favorecer ativos que não oferecem remuneração periódica, como Bitcoin e ouro. Com o menor retorno relativo dos títulos públicos, esses investimentos podem se tornar mais atrativos para parte dos investidores.
O ouro também acompanhou o movimento e avançou mais de 3,5%, chegando a cerca de US$ 4.487 por onça-troy.
Liquidações de posições ampliaram a alta
Além do movimento provocado pelo mercado de juros, a disparada do Bitcoin foi reforçada pelas operações com derivativos de criptomoedas.
Dados da CoinGlass, citados pela CoinDesk, apontaram aproximadamente US$ 1,3 bilhão em posições liquidadas em apenas uma hora. Mais da metade das liquidações estava relacionada ao Bitcoin, enquanto o Ethereum respondeu por cerca de US$ 430 milhões.
Grande parte dessas posições era de investidores que apostavam na queda das criptomoedas. Quando o preço sobe rapidamente, essas operações podem ser encerradas de forma automática, obrigando os investidores a recomprar os ativos. O processo aumenta a pressão compradora e pode acelerar ainda mais a valorização, movimento conhecido como short squeeze.
O avanço não ficou restrito ao Bitcoin. O Ethereum subia cerca de 9%, enquanto Solana avançava 6,5% e XRP registrava alta de aproximadamente 6,9%, conforme dados da CoinGecko.
Bitcoin pode chegar a US$ 100 mil?
A recuperação também reacendeu as projeções otimistas para o Bitcoin. Geoff Kendrick, analista do Standard Chartered, avaliou que a superação da faixa de US$ 65,5 mil representa um sinal técnico importante para a criptomoeda.
Segundo a análise, o rompimento desse nível pode indicar que a mínima do atual ciclo de baixa já ficou para trás. Kendrick mantém uma perspectiva de valorização do Bitcoin para os próximos meses e considera possível que o ativo alcance US$ 100 mil até o fim de 2026.
A avaliação, porém, é uma projeção de mercado e não uma garantia de que a criptomoeda atingirá esse valor. O Bitcoin continua sujeito à volatilidade e pode reagir tanto às condições de liquidez quanto às decisões de política monetária e aos indicadores econômicos dos Estados Unidos.
O que observar nos próximos meses
O mercado agora deve acompanhar principalmente o comportamento dos juros americanos e os próximos passos do Tesouro dos Estados Unidos.
A ampliação das recompras começa oficialmente em setembro e tem prazo inicial até 4 de novembro. A decisão que será tomada nessa data poderá indicar se o governo pretende manter o nível maior de operações ou alterar novamente o volume.
Para o Bitcoin, a permanência dos juros de longo prazo em níveis mais baixos pode continuar funcionando como um fator positivo. Por outro lado, novas altas nos rendimentos dos Treasuries ou mudanças nas expectativas sobre a política monetária americana podem aumentar a pressão sobre ativos de maior risco.
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